
Entre as centenas destes romances com estrangeiros, um que resultou um belíssimo filho foi o de Chet Baker com Tom Jobim. Ou mais precisamente do trompete de Baker com a música “Retrato em Branco e Preto” feita em 1968 por Jobim.
O disco “Sings And Plays From the Film Let's Get Lost" veio em 1987 com as músicas do documentário “Let´s Get Lost”(1988), que conta toda a trajetória do trompetista, seus problemas com a heroína e sua decadência.Apenas um ano antes de sua morte, o álbum tem uma neblina triste. A primeira faixa dá o tom. Com uma voz já cansada, Chet canta “Moon and Sand” e é impossível não se emocionar, ainda que não se saiba de todos os problemas da vida do músico.
Ouça a versão de Tom Jobim e Elis Regina para Retrato em Branco e Preto
Depois disso, em 1980, outro disco trouxe Baker aos ritmos brasileiros. O disco Chet Baker & The Boto Brazilian Quartet tem outra pegada do de 77, com um trompete muito mais agressivo e atingindo notas mais altas do que as de costume (Chat não tocava muito rápido, nem notas muito altas por conta de um dente perdido que o impossibilitava de ter a embocadura perfeita. Em certo momento, desabafoi em uma entrevista para a revista Down Beat, em 1953: "Tento extrair do instrumento algo que tenha qualidade e que seja único. Parece que as pessoas só ficam impressionadas por três coisas: se você toca rápido, se toca agudo ou pelo próprio som do instrumento, não pelas notas que você toca."
Baixe o disco Sings And Plays From the Film Let's Get Lost
Formação:
Chet Baker – Trompete e Vocal
Frank Strazzeri - Piano
John Leftwich – Contrabaixo
Ralph Penlan - Bateria
Nicola Stilo – Violão e Flauta
1. Moon and Sand - 5:30
2. Imagination - 4:52
3. You're My Thrill - 4:59
4. For Heaven's Sake - 4:51
5. Every Time We Say Goodbye - 4:48
6. I Don't Stand A Ghost Of A Chance With You - 5:03
7. Daydream - 5:00
8. Zingaro (Portrait In Black and White) - 7:33
9. Blame It On My Youth - 6:18
10. My One and Only Love - 5:30
11. Everything Happens To Me - 5:19
12. Almost Blue - 3:13
Veja a discografia de Chet Baker
Entre Sonetos e Tamancos
Em certa ocasião pergutaram ao maestro Jobim por qual razão ele tinha escolhido o termo “branco e preto”, quando o mais usual na língua portuguesa seria “preto e branco”. Tom, esbanjando bom-humor, soltou: “porque senão, eu teria que colecionar tamancos”.
Outra Versão
O músico Stan Getz também elaborou uma versão para a música de Tom. Vale a pena conhecer:
Ouça a versão de Stan Getz e João Gilberto para Retrato em Branco e Preto