sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Férias Vermutianas

Pessoal,

Com o final do ano resolvemos dar uma descansada. Isso significa que estamos em férias! Voltaremos dia 04/01/10, com mais novidades do mundo do samba! Aliás, sugestões são sempre bem-vindas!

Nestes dois anos de Vermute com Amendoim já foram quase 70 mil visitas e mais de 100 mil pageviews. Enquanto não voltamos, visite as páginas anteriores do blog para lembrar tudo o que já fizemos!

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de batucada!

Axé!
Fel e Murilo.

Então é Natal...

Está chegando o Natal e pior do que ver as decorações já aparecerem no meio de outubro é escutar a voz da Simone cantando sempre aquela musiquinha irritante. Por isso, selecionamos quatro sambinhas para você tocar bem alto quando alguém vier com o chato clichê: "Então é Natal...."

1 - É Natal (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho) cantada por Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho
2 - Sagrada Luz (Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro) cantada por João Nogueira
3 - Noel e Natalina (Nei Lopes) cantada por Nei Lopes
4 - Quando o Natal caiu numa sexta-feira (Luis Carlos da Vila) cantada por Luis Carlos da Vila



Quem curtiu esses sambas, pode baixar a coletânea "Um Natal de Samba" no Poeira e Cantos.

Samba no Clube Anhangüera

Texto copiadíssimo do O couro do Cabrito.

"Hoje é dia de roda de samba quente no Bom Retiro: pra fechar o ano com chave de ouro, a bola da vez é Gallotti, sambista bom de roda e parceiro de longa data dos Inimigos do Batente. A temperatura promete ser elevada nesta noite de sexta-feira, menos pela meteorologia, mais pelas brasas que ele irá cantar. Todos para lá!!"

Para quem quer conhecer a capacidade do sujeito, dá uma ligada nele cantando no filme "Noel, o Poeta da Vila"



Inimigos do Batente convidam Gallotti
Local: Clube Anhangüera
Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP
Data: 18/12
Horário: a partir de 22h
Ingressos: R$ 10,00
Como chegar: Marginal Tietê (sentido Penha), passando a Ponte da Casa Verde, terceira rua à direita, primeira à esquerda e novamente primeira à esquerda.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os pitacos de Tulípio

Acaba de sair o livro que compila as melhores charges do Tulípio, o desenho botequeiro. Editado pela Devir, o livro sai por 35 reais bem gastos. E este bebum assumido tem potencial quando o assunto é samba. Veja algumas sacadas:





Saiba mais no site do próprio

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Dicas para o Natal

Salve, salve gente boa! Mais um ano que passou voando e o Natal já bate à nossa porta. E com ele vem a listinha de presentes do Vermute com Amendoim. Se liga:

R$ 20,90











Registro impecável de um dos maiores expoentes do samba de São Paulo.

R$ 39,90












Gravação de um programa da TV Globo que conta com participações especiais, como do Conjunto Rosa de Ouro, de Radamés Gnatalli e de Canhoto da Paraíba.

R$ 30,00












Livro de Sérgio Cabral, lançado em comemoração ao centenário de Ataulfo Alves.

R$ 93,90












Um apanhado com o melhor da Pequena Notável.

R$ 20,00












O maior nome do samba de breque em vinil.

R$ 250,00









Digo e repito, para mim a melhor marca de instrumentos de percussão.

R$ 125,00












Para batucar ou para usar.

R$ 170,00












Nada daquelas camisetas com os dizeres: "Paz", ou "2010". Passe a virada do ano de branco e em grande estilo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Disco da semana: Do Cóccix até o Pescoço - Elza Soares


Mais uma vez, o disco da semana é um daqueles que tem tocado bastante no meu aparelho de som. Não é um disco propriamente de samba (apesar de conter alguns). Elza Soares lançou "Do Cóccix até o Pescoço" em 2002, e é boa opção de presente de natal para aquele amigo secreto (ou oculto) que não conhecemos direito.

Digo isso porque Elza, e este disco em especial, ataca em várias linhas de frente diferente. Sendo assim há grandes chances do agraciado gostar do que ouvir. Com um timbre único, Elza vai do samba ao choro, passa pelo rap e pelo tango com uma desenvoltura única. Coisa de quem entende do riscado. Do disco, destaco as seguintes faixas: "Dura na Queda", de Chico Buarque, feita em homenagem à prórpia Elza, o choro "Bambino" e o poema de Oswald de Andrade, que foi musicado por Zé Miguel Wisnik, um dos arranjadores. Sem dúvida o ponto alto do disco.

Músicas:
1- Dura na queda (Chico Buarque)
2- Hoje é dia de festa (Jorge Benjor)
3- Haiti (Caetano Veloso / Gilberto Gil)
4- Dor de cotovelo (Caetano Veloso)
5- Bambino(Ernesto Nazareth / José Miguel Wisnik)
6- A carne (Seu Jorge / Marcelo Yuka / Wilson Cappellette)
7- Eu vou ficar aqui (Arnaldo Antunes)
8- Etnocopop (Carlinhos Brown)
9- Fadas (Luiz Melodia)
10- Flores horizontais (Oswald de Andrade, José Miguel Wisnik)
11- A cigarra (Elza Soares / Letícia Sabatella)
12- Quebra lá que eu quebro cá
Não volto atrás (Oswaldo Nunes)
Samba crioula (Elza Soares)
Salve a Mocidade (Luiz Reis)
Garota de Ipanema (Tom Jobim, Vinícius de Moraes)
Samba é bom assim (Norival Reis, Hélio Nascimento)
Fechei a porta (Sebastião Motta, Ferreira Santos)
O amanhã (João Sérgio)
Juventude transviada (Luiz Melodia)
Cadê o pandeiro (Roberto Martins, Walfrido Silva)
13- Todo dia (ABM de Aguiar)
14- Façamos (vamos amar)(Cole Porter, Vrs. Carlos Rennó)

Baixe esse disco no Solidown

Uma aula com Paulo César Pinheiro

Enquanto o disco da semana não sai, uma dica preciosa para hoje à noite:


Trata-se do ótimo programa Sala do Professor Buchanan's, que rola à partir das 20 horas e pode ser assitido ao vivo no Bourbon Street, na zona sul de São Paulo, ou escutado na Rádio Eldorado. O professor da vez é ninguém menos do que Paulo César Pinheiro. Timoeado por Daniel Daibem, o programa tem um tom bastante informal. É uma conversa-show, que dessa vez também contará com a potente voz de Fabiana Cozza.



Um dos papos abordados serão os três livros de Paulinho: "Pontal do Pilar", "Matita, o Bruxo" e "Santa Meretriz". Além disso, ele falará de algumas das suas mais de 2 mil letras e dos seus quatro livros de poesia já publicados.


Além disso ele contará mais sobre um projeto que está por vir: "Histórias das Minhas Canções" tem 55 histórias de músicas diferentes. Um documento e tanto para os qualquer admirador de música brasileira.

Sala do Professor Buchanan's com Paulo César Pinheiro e Fabiana Cozza
Quando: 14 de dezembro, às 20h.
Onde: Bourbon Street (r. dos Chanés, 127, Moema, São Paulo, (11) 5095-6100).
Ingresso: R$ 45 (couvert artístico)
Rádio Eldorado: 92,9 FM

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Entrevista póstuma com Noel Rosa

Segue, na íntegra, uma entrevista bastante divertida publicada no "O Pasquim" em maio de 1973. Quem assina é o jornalista Sérgio Cabral.

Trinta e seia anos depois de sua morte (morreu dia 4 de maio de 1937), procurei Noel Rosa para uma entrevista.

"Eu não tenho o que dizer. O que você quiser saber está na minha obra", disse ele modestamente.

O resultado foi esta entrevista. Se não estiver boa, não ponham a culpa exclusivamente no repórter. Afinal o entrevistado não dá entrevista há, pelo menos, 36 anos.

O PASQUIM - Você, um cara cheio de problemas de saúde, não saía dos bares, bebendo a noite inteira, batendo papo etc.
NOEL ROSA - Saber sofrer é uma arte. E pondo a modéstia de parte, eu sei sofrer.

O PASQUIM - Então você sofreu pra burro.
NOEL ROSA - Mesmo assim, não cansei de viver.

O PASQUIM - Mas as mulheres, de vez em quando, faziam você sofrer mais ainda.
NOEL ROSA - Quem sofreu mais do que eu, não nasceu.

O PASQUIM - Uma de suas mulheres foi até visitá-lo quando você estava doente. Mas você estava fora. Por que ela foi lá?
NOEL ROSA - Porque pretendia somente saber qual era o dia que eu deixaria de viver.

O PASQUIM - Você sofreu várias decepções, mas continuou amando.
NOEL ROSA - Nunca se deve jurar não mais amar a ninguém.

O PASQUIM - Quer dizer que você não tem nada contra o amor.
NOEL ROSA - Quem fala mal do amor não sabe a vida gozar.

O PASQUIM - Mas você, de vez em quando, fala mal de mulher.
NOEL ROSA - A mulher mente brincando e, às vezes, brinca mentindo.

O PASQUIM - Explica isso melhor.
NOEL ROSA - Quando ri está chorando e quando chora está sorrindo.

O PASQUIM - Você sabe que se a Betty Friedman o conhecesse teria uma tremenda bronca de você, que é contra mulher trabalhando...
NOEL ROSA - Todo cargo masculino, seja grande ou pequenino, hoje em dia, é pra mulher.

O PASQUIM - Mas o que é que atrapalha isso, Noel?
O PASQUIM - E por causa de palhaços, ela esquece que tem braços. Nem cozinhar ela quer.

O PASQUIM - Mas os direitos são iguais.
NOEL ROSA - Os direitos são iguais, mas até nos tribunais a mulher faz o que quer.

O PASQUIM - Então não são tão iguais assim.
NOEL ROSA - Pois o homem já nasceu dando a costela à mulher.

O PASQUIM - Essa história não é bem assim, não. É preciso discutir.
NOEL ROSA - Mas não quero discussão.

O PASQUIM - Da discussão sai a razão.
NOEL ROSA - Mas, às vezes, sai pancada.

O PASQUIM - Você gosta mesmo é de samba, não é?
NOEL ROSA - O mundo é um samba em que eu danço sem nunca sair do meu trilho.

O PASQUIM - Você acha mesmo o samba um troço importante?
NOEL ROSA - Exprime dois terços do Rio de Janeiro.

O PASQUIM - Tenho vários amigos que não gostam de samba, querem voar mais alto.
NOEL ROSA - Mas quem voa em grande altura leva sempre grande queda.

O PASQUIM - Não fale assim, Noel, os caras podem se chatear.
NOEL ROSA - O que eu falo é bem pensado. Não receio escaramuça. E que aceite a carapuça quem se sente melindrado.

O PASQUIM - Assim como você está falando, o que é que quer que pensem de você?
NOEL ROSA - Que entre nós o páreo é duro.

O PASQUIM - Mas vão acabar seus inimigos.
NOEL ROSA - Meus inimigos, que hoje falam mal de mim, vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim.

O PASQUIM - Pelo que vejo, não se pode falar mal do samba perto de você.
NOEL ROSA - O samba é a corda e eu sou a caçamba.

O PASQUIM - Você não tem medo de ninguém?
NOEL ROSA - Sou independente, como se vê.

O PASQUIM - Independente? Está rico?
NOEL ROSA - Não consigo ter nem pra gastar.

O PASQUIM - Ou seja: tá durão.
NOEL ROSA - Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu. Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa eu vou pro samba que você me convidou.

O PASQUIM - Você não vai porque está com medo dos malandros do samba.
NOEL ROSA - Não tenho medo de bamba. Na roda do samba, eu sou bacharel.

O PASQUIM - Como é que é esse negócio de bacharel?
NOEL ROSA - Quando me formei no samba, recebi uma medalha.

O PASQUIM - Você vive em tudo que é samba, não é?
NOEL ROSA - A polícia em todo canto proibiu a batucada. Eu vou pra Vila onde a polícia é camarada.

O PASQUIM - O samba em Vila Isabel é de noite ou de dia?
NOEL ROSA - O sol da Vila é triste. Samba não assiste porque a gente implora "Sol, pelo amor de Deus, não venha agora que as morenas vão logo embora."

O PASQUIM - Mas tem samba em outros lugares, Noel.
NOEL ROSA - Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira, Oswaldo Cruz e Matriz.

O PASQUIM - E a Vila, como é que fica nisso?
NOEL ROSA - A Vila não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz samba também.

O PASQUIM - Conforme você disse, o samba exprime dois terços do Rio de Janeiro.
NOEL ROSA - Mas tenho de dizer: modéstia à parte, meus senhores, eu sou da Vila.

O PASQUIM - Assim não pode, Noel. Com esta banca, é melhor a gente acabar a entrevista.
NOEL ROSA - Ofereço meu auxílio. Passe bem, vá pela sombra.

O PASQUIM - Está me mandando embora, Noel?
NOEL ROSA - Não mandei você embora porque sou benevolente.

O PASQUIM - Sabe que se você dissesse isso para certos jornalistas, eles entenderiam como um desafio para briga?
NOEL ROSA - De lutas não entendo abacate.

O PASQUIM - Ué, eu soube que você já lutou profissionalmente.
NOEL ROSA - Cheguei até ser convidado para subir num tablado pra vencer um campeão.

O PASQUIM - E daí, venceu?
NOEL ROSA - Mas a empresa, pra evitar assassinato, rasgou logo meu contrato, quando me viu de roupão.

O PASQUIM - E como é que você se vira com esses valentões?
NOEL ROSA - No século do progresso, o revólver teve ingresso para acabar com a valentia.

O PASQUIM - Você sabe que Josué Montello...
NOEL ROSA - Escreve sal com c cedilha.

O PASQUIM - Pois é. Ele agora é da Academia Brasileira de Letras, junto com o Pedro Calmon.
NOEL ROSA - Dessa vez, juntou-se a fome com a vontado de comer.

O PASQUIM - Mas ele têm prestígio por aí, numa certa roda.
NOEL ROSA - Vassoura dos salões da sociedade.

O PASQUIM - Você não freqüenta essa roda, não é?
NOEL ROSA - Você pode crer que palmeira do Mangue não vive na areia de Copacabana.

O PASQUIM - Vamos falar mal das pessoas. E o Roberto Campos, hein?
NOEL ROSA - Que é também brasileiro. E em três lotes vendeu o Brasil inteiro.

O PASQUIM - Sabe que andaram pichando você sob o pretexto de que você é bom de letra mas não de música?
NOEL ROSA - Sendo as notas sete apenas, mais eu não posso inventar.

O PASQUIM - Bem, Noel, vamos acabar a entrevista. Adeus.
NOEL ROSA - Adeus é pra quem deixa a vida. Três coisas vou gritar por despedida: até manhã, até já, até logo.

AS FONTES
As respostas estão contidas nos seguintes sambas: Eu sei sofrer, de 1937, gravação de Aracy de Almeida; Provei (parceria com Vadico), de 1936, gravação de Marília Batista e Noel Rosa; Nuvem que Passou, de 1932, gravação de Francisco Alves; Você Vai se Quiser, de 1936, gravação de Noel Rosa e Marília Batista; É Preciso Discutir, 1931, gravação de Francisco Alves e Mário Reis; Até Amanhã, de 1932, gravação de João Petra de Barros; Quem Dá Mais, de 1932, gravação de Noel Rosa; Vitória (parceria com Nonô), de 1932, gravação de Silvio Caldas; Fita Amarela, de 1932, gravação de Francisco Alves e Mário Reis; X do Problema, de 1936, gravação de Aracy de Almeida; Com que Roupa?, de 1930, gravação de Noel Rosa; Feitiço da Vila (com Vadico), de 1934, gravação de Noel Rosa e João Petra de Barros; Boa Viagem (com Ismael Silva), de 1934, gravação de Aurora Miranda; Tarzan, o Filho do Alfaiate (com Vadico), 1936, lançado no filme Cidade Mulher por José Vieira; AEIOU (com Lamartine Babo), de 1934, gravação de Noel Rosa e Lamartine Babo; Onde Está a Honestidade?, de 1933, gravação de Noel Rosa; Mais um Samba Popular, de 1937, permaneceu inédito até 1962, quando foi gravado por Ana Cristina.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Aline Calixto: o melhor disco segundo a APCA

Saiu ontem o resultado do Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) 2009. E o melhor disco foi para Aline Calixto, uma carioca radicada em Belo Horizonte. Com belos arranjos de Jota Moraes, as 13 faixas do disco realmente são boas demais.

Com essas boas músicas e ótima capacidade interpretativa de Aline, o disco nem precisa de um clássico do cancioneiro (o que de fato não acontece). Ela segura a onda do começo ao fim, o que nos faz crer que a APCA acertou novamente.

Ficou curioso para conhecer o disco? O player abaixo tem as 13 faixas para serem ouvidas!



Confira os outros vencedores na categoria Música Popular:

Melhor Grupo
Paralamas do Sucesso

Melhor Show
Ney Matogrosso, pelos trabalhos em Os Inclassificáveis e Beijo Bandido

Melhor Cantora
Céu, pelo disco Vagarosa

Revelação
Maria Gadú

Melhor Compositor
Lenine

Homenagem Póstuma
Zé Rodrix (1947 - 2009)

Jurados
Ayrton Magnani Júnior
Inês Fernandes Correia
José Roberto Fresch

Quer conhecer melhor Aline Calixto?
Veja o site oficial
ou uma matéria no Estadão.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O samba colorido de Ariane

Ariane Krelling é mais uma representante de um estilo de arte chamado Naif. Em bom português, significa que são aqueles artistas que não tiveram uma preparação acadêmica. Aprenderam na raça. Posso estar errado, mas vejo certa influência nas obras de Ariane, de dois "pintores" já retratados nesta seção: Nelson Sargento e Heitor dos Prazeres. Confira aí!

Samba e Urbanismo

Sarau na Vila

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Uma dicussão e Teresa

Da outra vez que comparei dois sambas (um cantado por Zeca Pagodinho e outro por Paulinho da Viola) não sabia que isso poderia render aqui mais uma das inúmeras seções aí ao lado. Mas comparando alguns outros sambas por aí, me dei conta de que há muitas coincidências no nosso cancioneiro. Uma delas entre "É preciso discutir", de Noel Rosa, e "Tereza da Praia" de Tom Jobim e Billy Blanco.

"É preciso discutir"




"Teresa da Praia"



A primeira, de Noel, foi gravada em novembro 1931. A de Jobim e Blanco, em 1954. Uma é samba, a outra bossa. Terminam aí as diferenças. A primeira semelhança é o formato: ambas foram gravadas em forma de duetos. E por duplas de sucesso, como é o caso de Mário Reis e Francisco Alves, e Dick Farney e Lucio Alves, que tiveram discos bem sucedidos cantando lado a lado.


Depois, a temática. Nas duas há uma discussão por causa de uma mulher. Na de Noel, um prólogo, além do próprio título, anunciam que vai rolar discussão. Na outra, porém, o ouvinte só fica sabendo que se trata da mesma mulher no decorrer da canção.

Para terminar, em nenhuma há um vencedor. Enquanto na primeira, a discussão segue, na segunda eles chegam à conclusão de que a Teresa jamais pertencerá a ninguém.

E aí, qual é melhor?

Disco da semana: Estácio & Flamengo - 100 anos de samba e amor


E o disco da semana não poderia ser outro que não este. Que fique bem claro que o mesmo figura aqui não só por conta do hexacampeonato, mas também por ser um baita registro. O nome já diz tudo. São sambas que tem envolvidos de alguma maneira, essas duas agremiações cariocas tão importantes. Do disco, destaco a música "O samba bate outra vez", samba que cita os principais nomes e representantes da arte.

Parabéns ao Flamengo!


Músicas:
1 - O samba bate outra vez (Maurício Tapajós - Paulo César Pinheiro) cantam Alza Alves, Amélia Rabello, Beth Carvalho, Carlinhos Vergueiro, Chico Buarque, Cristina Buarque, Elton Medeiros, Ivone Lara, João Nogueira, Luciana Lopez, Luciana Rabello, Marcos Sacramento, Maurício Carrilho, Maurício Tapajós, Miúcha, MPB-4, Paulo Cesar Pinheiro, Paulo Malagutti, Paulo Roberto, Piii, Simone Cruz, Walter Alfaiate e Zé Keti
2 - A primeira Escola (Pereira Matos - Joel de Almeida)
Me dá meu violão (Tradicional - Paulo César Pinheiro) cantam Cristina Buarque, Dona Ivone Lara, Wilson Moreira e Zé Keti
3 - Gol anulado (João Bosco - Aldir Blanc) canta Marcos Sacramento
4 - O ''X'' do problema (Noel Rosa) canta Amélia Rabello
5 - Samba rubro-negro (Wilson Batista - Jorge de Castro) canta Carlinhos Vergueiro
6 - Com a perna no mundo (Gonzaguinha) canta Paulo Malagutti
7 - Memórias de um torcedor (Wilson Batista - Geraldo Borges) canta Cristina Buarque
8 - Deixa falar (Maurício Tapajós - Hermínio Bello de Carvalho) canta Carlinhos Vergueiro
9 - Estácio Holly Estácio (Luis Melodia) canta Sergio Santos e Alza Alves
10 - E o juiz apitou (Wilson Batista - Antônio Almeida) canta Marcos Sacramento
11 - ''Tributo Aos Velhos Sambistas do Estácio'':
Nem é bom falar (Ismael Silva)
Mandei pintar (Tradicional - Hermínio Bello de Carvalho)
Deixa essa mulher chorar (Brancura)
Arrasta a sandália (Baiaco - Aurélio Gomes)
Agora é cinzas (Bide - Marçal)
Se você jurar (Ismael Silva - Nilton Bastos) cantam Chico Buarque, Marcos Sacramento, Élton Medeiros, Miúcha, Carlinhos Vergueiro, Cristina Buarque, Paulo Malagutti, Paulo César Pinheiro, João Nogueira, Beth Carvalho, Wilson Moreira e Walter Alfaiate
12 - Hino do Flamengo (Lamartine Babo) cantam João Nogueira e coro

Baixe esse disco no Prato e Faca.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Norival conta o samba

Em um descontraído bate-papo, Norival Reis e Dedé da Portela cantam e contam sobre o como surgiu o samba Ylu Ayê (Terra da Vida), composto em parceria com Cabana. Vale a pena assistir!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Lançamento à vista

Nei Lopes já tem livros a dar com pau. Porém ele nunca tinha se aventurado nos romances. Pelo menos até agora. "Mandingas da mulata velha na cidade nova".

Com cenário de fundo no Rio de Janeiro, o livro se passa em um tempo entre 1870 e 1930. Lembra de personagens históricos, como Tia Ciata, João Cândido, Sinhô, Assumano Mina do Brasil, André Rebouças, Dom Obá, José do Patrocínio. Conta histórias dos ranchos de carnaval e da bagunça da Praça XI.



O livro já foi lançado no Rio de Janeiro e agora será em São Paulo. A festa acontece no dia 11/12, às 19 horas, no Bar Samba (Rua Fidalga, 308 - Vila Madalena).

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Carmem Miranda e a geladeira

100 anos de Carmem Miranda! Muito se fez neste ano para comemorar um século da Pequena Notável. A última do ano foi a propaganda da Brastemp Inverse, que está passando nas telinhas de todo o país.

Órgão, Sax e Sexy

Essa seção é originalmente feita pelo Murilo, mas como hoje ele não poderá fazê-la aproveitarei para colocar um disco que certamente não seria indicado por ele. E digo isto não porque o disco não seja da mesma qualidade dos que costuma publicar, mas porque está fora do espectro do que geralmente aparece por aqui.


Este é um disco pra criar clima. Mesmo com sua estética antiga (afinal de contas é de 1964), tocando baixinho, num jantar intimista, à meia luz...não tem como não agradar. O nome já diz muita coisa: "Órgão, Sax e Sexy - Walter Wanderley e Portinho".




Walter foi um importante organista brasileiro. Recifense por natureza, Walter mudou-se para os Estados Unidos em 1966, onde morou até sua morte 20 anos depois. Seu primeiro single "Samba de Verão" vendeu mais de um milhão de cópias. Ele também foi casado com a cantora Isaurinha Garcia.


Voltando ao disco, destacarei a linda versão de "Por causa de você", de Tom e Dolores Duran. Escutem no player abaixo, para sacar o climinha de jantar à numa varanda à beira-mar do disco:


Por causa de você




01 - Eu Sei Que Vou Te Amar (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
02 - Castigo (Dolores Duran)
03 - Fale Baixinho (Portinho / Heitor Carillo)
04 - A Noite do Meu Bem (Dolores Duran)
05 - Por Causa de Você (Tom Jobim / Dolores Duran)
06 - Meu Sonho É Você (Altamiro Carrilho / Átila Nunes)
07 - Suas Mãos (Pernambuco / Antônio Maria)
08 - Ouça (Maysa)
09 - Contando Estrelas (Alfredo Borba / Édson Borges)
10 - Canção de Amor (Elano de Paula / Chocolate)
11 - Ninguém Me Ama (Antônio Maria / Fernando Lobo)
12 - Risque (Ary Barroso)


Baixe esse disco no Loronix

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Carlão do Peruche no Anhangüera

Hoje tem mais uma edição do Anhangüera dá Samba. O convidado da vez é Carlão do Peruche, que de quebra leva a Velha Guarda da escola.



Mais informações aqui.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Samba da dor

Posto hoje aqui um samba que me chegou por minha tia. Composto por Antonio Gomes, morador da aprazível Zona Norte de São Paulo, e interpretado por Paulo Neto. Eu gostei. Ouçam e digam o que acham.

Samba da dor (Antonio Gomes)

A tristeza dói
Dói a felicidade
O amor dói
Também dói a solidão
É dor e fere
É dor e cura
A dor que mora no coração

Não tem consolo
Não tem idade
Na noite escura
De uma paixão
É no compasso
Da saudade
Que a tristeza dói
Também dói a felicidade

No teu olhar a liberdade
Nesse desejo, minha prisão
Não tem mistério, na verdade
Na tristeza que dói
Também dói a felicidade

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A falta que ele faz

Essa música sempre me emocionou. A primeira vez que a ouvi foi com a voz do Nelsão, o Nelson Gonçalves. Depois me vieram outras, como a de Elizete Cardoso que está no vídeo abaixo.

A mais recente, porém, me apareceu na voz do pernambucano Otto. Ele acaba de lançar o ótimo disco "Certa noite acordei de sonhos intranquilos" e na faixa 8 está esta belíssima obra de Sérgio Bittencourt.

Reconheceu o sobrenome do compositor? Pois é ele mesmo, o filho de Jacob Bittencourt, o Jacob do Bandolim. Não é difícil sacar que o homenageado é o próprio Jacob, mas a música pode emocionar qualquer um que sente a falta de alguém na mesa.

A primeira versão é a do Otto. Confira:


"Naquela Mesa" por Nelson Gonçalves e Raphael Rabello

Agora, com a Divina, nos estúdios da Record


Para encerrar, o link para um texto feito pelo próprio Sérgio Bittencourt, que foi publicado no jornal Última Hora no dia em que Jacob faria 60 anos se estivesse vivo.

A Humanidade

Samba inspiradíssimo de Aluísio Machado. Interpretado pelo próprio, ele dá o recado:

"Quem tem muito quer ter mais
Quem não tem resta sonhar
Quem não estudou é escravo
De quem pôde estudar
Os direitos humanos são iguais
Mas existem as classes sociais"

Não precisa dizer mais nada. Aumentem o volume e mostrem aos amigos.

A Humanidade (Aluísio Machado)


A versão disponibilizada acima se encontra no disco "Império Serrano - Um show de Velha Guarda"

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Música a 16 mãos

Antes tarde do que nunca, o post de segunda-feira:

Esta pérola foi gravada no Auditório Ibirapuera, em 19 de agosto de 2007. Os protagonistas são Danilo Brito (no bandolim), Carlos Malta (na flauta), Ricardo Herz (no violino), Alessandro Penezzi (no violão), Luizinho 7 Cordas e Leo Rodrigues (no pandeiro), Alexandre Ribeiro (no clarinete) e Milton Mori (no cavaquinho). Gravado no Auditório Ibirapuera em 19.08.2007

Mas certamente a participação mais impressionante é do talentosíssimo Danilo Brito, capaz de executar, com as mãos cruzadas, um violino e um cavaquinho. E nas capciosas músicas "Desvairada", de Garoto e Brasileirinho, composta por Waldir Azevedo.

Disco da semana: Claridade - Clara Nunes



Um disco que mostra Clara Nunes em ótima forma. Na retaguarda, compositores do calibre, Walter Rosa, Candeia, Alberto Lonato, Monarco, Ismael Silva, Paulo César Pinheiro, Éden Silva, Aníbal da Silva e outros. Ou seja, juntou uma cantora extraordinária com alguns dos melhores compositores de samba da época. O resultado é um disco extraordinário.

Destaco dois sambas da Mangueira. Em "Juízo final", Clara mostra toda sua potência vocal. Outro samba que chamo a atenção é "Que sejas bem feliz", um dos sambas mais bonitos do Mestre Cartola.

Músicas:
1 O Mar Serenou (Candeia)
2 Sofrimento De Quem Ama (Alberto Lonato)
3 A Deusa Dos Orixás (Romildo & Toninho)
4 Juizo Final (Nelson Cavaquinho & Élcio Soares)
5 Tudo É Ilusão (Tufic Lauar, Eden Silva & Aníbal Da Silva)
6 Valso De Realejo (Paulo César Pinheiro & Guinga)
7 Bafo De Boca (João Nogueira & Paulo César Pinheiro)
8 O Último Bloco (Candeia)
9 Ninguém Tem Que Achar Ruim (Ismael Silva)
10 Ás Vezes Faz Bem Chorar (Ivor Lancellotti)
11 Vai Amor (Monarco & W. Rosa)
12 Que Seja Bem Feliz (Cartola)

Baixe esse disco no Prato e Faca.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Negra consciência

Em São Paulo hoje é feriado, mas o Vermute não para. Ainda mais no dia que comemoramos a Consicência Negra. Por isso exaltaremos um samba de enredo composto em 1978 pelos mestres Nei Lopes e Wilson Moreira para a escola de samba Quilombo (leia aqui seu manifesto). Seu nome: "Ao povo em forma de arte". Seu objetivo: valorizar a cultura negra brasileira.

Serão três versões:
1 - Cantada por Wilson Moreira e presente no disco "A arte de Wilson Moreira e Nei Lopes"



2 - Cantada por Roberto Ribeiro, no seu disco de 1978



3 - Cantada por Candeia, um dos fundadores da Quilombo, especial para o Fantástico



Veja as dezenas de influências que a cultura negra exerceu na vida dos brasileiros

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Toda a obra de Villa

Complementando o post de ontem, feito pelo Murilo, vou postar aqui uma preciosidade. A obra completa de Heitor Villa-Lobos, prontinha para ser baixada. Tudo isso no que é, com certeza, o melhor blog de música clássica escrito em português: P.Q.P Bach.



Baixem

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

50 anos sem Villa-Lobos

Ontem completamos 50 anos sem Heitor Villa-Lobos. Talvez o maior nome da música clássica nacional. Ficou notabilizado por incorporar elemento típicos das canções populares na música clássica. Assim, ele desenvolveu um estilo próprio e único, que era uma espécie de erúdito com um toque de popular.

Confesso, conheço muito pouco da obra do Maestro. No entanto, destacarei aqui dois vídeos com músicas que gosto bastante. A primeira é a famosa "Trenzinho caipira" que imita o andar de um trem.



Também peguei o vídeo do violonista Turibio Santos interpretando o "Choro nº 1"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Homenagem à Candeia

Salve o Almirante Negro!

Muito tempo antes de ficar mumunhando no microfone, João Bosco esbanjava sua técnica vocal de outras maneiras. Uma delas era simplesmente cantar com sua bela e afinada voz. E era isso que ele fazia em 1975 quando ocorreu este causo.

A censura estava pegando geral no Brasil. Qualquer palavrinha mais torta, insinuação à desordem, ao comunismo ou a qualquer coisa que não estivesse dentro da linha dos militares ou era proibido ou tinha que mudar. Isso aconteceu com o samba "Mestre sala dos mares", de João Bosco e Aldir Blanc.

O samba exalta a figura de João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro", um dos líderes da Revolta da Chibata, em 1910 (entenda a Revolta da Chibata). Acontece que, por ser negro e ter comandado uma revolta contra os castigos corporais que eram aplicados aos subordinados de um navio, sua exaltação incomodava (e muito) os milicos.


Em uma ocasião, Aldir Blanc contou: "Tivemos diversos problemas com a censura. Ouvimos ameaças veladas de que a Marinha não toleraria loas e um marinheiro que quebrou a hierarquia e matou oficiais, etc. Fomos várias vezes censurados, apesar das mudanças que fazíamos, tentando não mutilar o que considerávamos as idéias principais da letra. Minha última ida ao Departamento de Censura, então funcionando no Palácio do Catete, me marcou profundamente. Um sujeito, bancando o durão, (...) mãos na cintura, eu sentado numa cadeira e ele de pé, com a coronha da arma no coldre há uns três centímetros do meu nariz. Aí, um outro, bancando o "bonzinho", disse mais ou menos o seguinte:

-Vocês não então entendendo... Estão trocando as palavras como revolta, sangue, etc. e não é aí que a coisa tá pegando...

-Eu, claro, perguntei educadamente se ele poderia me esclarecer melhor. E, como se tivesse levado um "telefone" nos tímpanos, ouvi, estarrecido a resposta, em voz mais baixa, gutural, cheia de mistério, como quem dá uma dica perigosa:

- O problema é essa história de negro, negro, negro..."

O samba foi mudado e a história é pouco conhecida. Veja a comparação entre a letra original e a alterada.

O Mestre sala dos mares




Sem censura
O Mestre Sala dos Mares
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o almirante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo

Letra Censurada
O Mestre Sala dos Mares
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o navegante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos santos entre cantos e chibatas
Inundando o coração do pessoal do porão
Que a exemplo do feiticeiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais
Salve o navegante negro
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais
Mas faz muito tempo

Disco da semana: Tendinha - Martinho da Vila


- Tem alguma ideia aí?
- De disco?
- É.
- Tendinha?!

A conversa acima aconteceu algumas dezenas de vezes, entre eu e o Fel. E eis que chegou a hora.

Há quem diga que este é ultimo grande disco da carreira de Martinho da Vila. Sinceramente, me falta conhecimento para assinar em baixo essa afirmação. O disco é realmente muito bom, e nele Martinho já começa a flertar com a galera do Cacique de Ramos. A prova disso é que participa do LP, Almir Guineto e Neoci. O disco conquistou até quem não é lá muito ligado ao samba. Ed Motta disse que "[...] o disco Tendinha, do Martinho da Vila, de 1978, quando chegou lá em casa, quase furou de tanto tocar".

01 - Minha comadre
(Martinho da Vila)
• Garçon
(Cabana)
02 - Zé Ferreira
(Neoci - Jorge Aragão)
• Trepa no coqueiro
(Martinho da Vila - Tião Graúna)
• Poeira do caminho
(Mário Pereira)
• Chora viola, chora
(Carlito Cavalcanti - Nilton Santa Branca)
Participação: Neoci
03 - Mulata faceira
(Martinho da Vila)
Participação: Almir Guineto
04 - Amor não é brinquedo
(Candeia - Martinho da Vila)
05 - Que pena, que pena
(Gracia do Salgueiro - Martinho da Vila)
• Deixa serenar
(Sidney da Conceição - Castelo)
• Nem a lua
(Martinho da Vila - Noca - Charlote)
• O pior é saber
(Valter Rosa)
• Se eu errei
(Tolito)
06 - Deixa a Maria sambar
(Paulo Brazão)

Baixe esse disco no Samberéba.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fim de semana explosivo em SP

Fim de semana cheio de opções para quem está em São Paulo. Para todos os gostos e bolsos.

Sexta

Carmen Queiroz no Ó do Borogodó
Rua Horácio Lane, 21 - Pinheiros
22h30
R$ 20,00
3814-4087

Sábado

Moacyr Luz no Bar Samba
Rua Fidalga, 308 - Vila Madalena
22h
R$ 15,00
3819-4619

Terreiro Grande no Bar do Alemão
Rua Jarinú, 591 - Tatuapé - Próximo à Pça Sílvio Romero
16h

Projeto Nosso Samba de Osasco no Ação Educativa
Além da roda, acontecerá também a exibição do documentário "Samba no Terreiro, Dez anos de história", que conta a história do Projeto Nosso Samba.
Rua General Jardim,660 - Vila Buarque
16h
8546-8492

Sábado e domingo


Paulo Vanzolini relança "Tempos de Cabo" no FECAP
O evento trará a cantora Ana Bernardo cantando as músicas de Vanzolini e o próprio recitando trechos do livro.
Avenida Liberdade, 532 - Liberdade - Próximo ao Metrô Liberdade
Sábado - 21h
Domingo - 19h
R$ 20,00
2626-0929

Domingo


Gafieira na Casa e Barão do Pandeiro no Miscelânea Cultural
Rua Álvaro Nunes, 91 - Pinheiros
20h
R$ 10,00

Projeto Samba de Terreiro de Mauá - Última roda do ano!
Rua San Juan, 121 - Parque das Américas - Mauá - Próximo à Estação Guapituba da CPTM
15h

Curtam sem moderação!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Pet, o ídolo do Mais Querido

Recente fiz uma matéria para o novo formato da Revista Invicto falando da relação entre música (principalmente samba) e a paixão pelo futebol.

E não foi que hoje, no blog Ancelmo.com, do O Globo, ouvi um samba feito para o ídolo do Mengão, Pet!

Feito por Alvaro Gribel, o som exalta o caminho de glórias trilhado pelo atual camisa 43. O samba, que já foi ouvido por mais de 25 mil pessoas, não é um primor. É bom e associado a paixão dos rubro-negros certamente é mais emocionante.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão não, Blecaute!

O assunto no país inteiro é o mesmo: o apagão que deixou inúmeros brasileiros às escuras na noite de ontem. E aqui não poderia ser diferente. Falemos de Black-out, ou melhor do Blecaute!


Nasceu na cidade paulista de Espirito Santo do Pinhal em 1919, chamado Otávio Henrique de Oliveira. Em 1941, começou sua vida artística na Rádio Difusora e mudou-se para o Rio no ano seguinte. Ficou famoso por gravar algumas marchinhas de grande sucesso, como "O pedreiro Valdemar", de Wilson Batista e Roberto Martins. Gravada em outubro de 1948 com acompanhamento de Severino Araújo e Orquestra Tabajara, a música estourou no carnaval do ano seguinte.

Considerada desde logo uma música de forte conotação social, lembra bastante uma música que também estouraria 30 anos depois. "Cidadão", de Zé Geraldo, é um dos ícones musicais da Teologia da Libertação e tem os seguintes versos:

"Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?"

Já a música cantada por Blecaute é bem mais simples, mas no final das contas tem o mesmo significado:
"O Valdemar, que é mestre no ofício,
Constrói um edifício e depois não pode entrar"

Pedreiro Valdemar


Com um carisma irretocável, Blecaute foi uma figura conhecidíssima entre os anos 1960 e 1980. Chegou a incorporar a figura de "General da Banda", fantasia que ele impunhava e com a qual percorria desfiles e bailes de carnaval.

General da Banda


Blecaute morreu em 1983.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quando a Turma caiu no samba


Não sei se para vocês foi assim, mas a Turma da Mônica fez grande parte da minha infância. Quando chegavam os gibis novos em casa, não sossegávamos enquanto todos não fossem devorados. Pois bem, em 1978, o pessoal do bairro do Limoeiro levou para o teatro uma adaptação de "Romeu & Julieta", de Shakespeare. "Mônica e Cebolinha – No Mundo de Romeu e Julieta" também ganhou uma adaptação em quadrinhos e um LP. O grande sucesso ainda fez com que a peça ganhasse uma versão em filme, rodada na cidade de Ouro Preto. Entre as músicas da peça, havia dois sambas bacanas. Um com uma levada de enredo que abria a peça.

Sambão de Romeu e Julieta (Marcio A. Sousa / Yara Maura)


O outro é um samba com uma levada mais devagar. Faz menção ao fato das famílias dos amantes serem inimigas e também à gula de Magali. A melodia é bem feita e melhor do que muita coisa que a gente ouve por aí hoje em dia.

Samba do fruto proibido (Marcio A. Sousa / Yara Maura)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Preconceito ou ignorância?

E quando a arte acaba esbarrando na falta de conhecimento ou no puro preconceito? Belas obras se tornam clichês burros e grandes nomes se afundam na própria ignorância.

Foi isso o que aconteceu com o ótimo animador Alex Budovsky. Em 2004, usando a música "Aquarela do Brasil", do mestre Ary Barroso, este russo demonstrou que tem muita capacidade com os softwares, mas lhe sobra etnocentrismo. Posso estar variando, mas ao colocar um macaquinho de shorts e chapéu palhinha cantando esta obra prima do nosso cancioneiro, Alex cometeu uma imensa falha.



Para quem quiser falar com o fulano, o twitter dele é: http://twitter.com/budovskiy

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ney entre os gigantes

Já faz um tempo que ouvi o mais novo álbum de Ney Matogrosso, chamado "Beijo Bandido". E mais uma vez ele mostrou por que é um dos maiores intérpretes vivos do Brasil.



Assim como em "Inclassificáveis" (2008), o repertório deste disco é impecável e a potência com que Ney interpreta cada uma das 14 faixas é impressionante. Destas, quero destacar três músicas: "Segredo", composta por Herivelto Martins à época da sua famosa briga com Dalva de Oliveira, "Doce de Coco" choro de Jacob do Bandolim letrado pelo poeta Hermínio Bello de Carvalho, e "Fascinação", de Dante Marchetti e Maurice de Feraudy, que foi imortalizada na voz da Pimentinha Elis Regina. Bom, vamos à elas:

Segredo


Doce de Coco


Fascinação


Para minha felicidade, conversei com este mestre há algum tempo e coloquei a entrevista no Blog da Sexy.

Seu Libório

Samba muito apreciado pelo pessoal do Vermute com Amendoim. Trata-se de uma divertida história de Seu Libório e suas vizinhas, em primorosa interpretação de Vassourinha.

A primeira interpretação que eu e o Fel tivemos foi que Seu Libório era um gay feliz que andava para lá e para cá com as moçoilas. Porém, em conversa com o grande amigo Alexandre Agabiti, surgiu a versão que muito provavelmente é a chave da questão: Seu Libório é um aliciador de moças. É ele que controla a Manon, Margot e Fru-fru. E aí, qual vocês acham melhor?



Seu Libório (Alberto Ribeiro e João de Barro)
Seu Libório tem três vizinhas
Manon, Margot e Fru-fru
Saem todas as tardinhas
Carregando o seu Lulu
Ninguém sabe o que elas fazem
Porém todo mundo diz
Que Seu Líbório é quem manda
Ah!,Como o Libório é feliz

A Manon é mais lourinha
Que boneca de Paris
A Margot é queimadinha
Pelo sol do meu país
A Fru-fru tem um sinalzinho
Na pontinha do nariz
O Seu Libório é quem manda
Ai, Como o Libório é feliz

Seu Libório tem três vizinhas
Manon, Margot e Fru-fru
Saem todas as tardinhas
Carregando o seu Lulu
Ninguém sabe o que elas fazem
Porém todo mundo diz
Que Seu Líbório é quem manda
Ai, Como o Libório é feliz

Usam todas um V-8
Que lhes deu um coronel
Têm vestidos de altos preços
E perfumes a granel
Vivem assim felizes contentes
Com o que o destino lhes deu
O Seu íbório é quem manda
Ai, o Seu Libório sou eu

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Foi ele o presidente mais popular

Em época de estreia de "Lula, o filho do Brasil", vale lembrar algumas músicas feitas para um presidente que ao mesmo tempo em que ganhou fiéis seguidores, conquistou eternos desafetos. Para uns, o Pai dos Pobres. Para outros, Ditador. Populista, Getúlio foi certamente um dos presidentes que mais rendeu músicas.

Em 1956, a Mangueira desfilou com um belo samba de Padeirinho, chamado "O Grande Presidente". Nem mesmo o pouco tempo transcorrido anos após o suicídio de Getúlio foi suficiente para dar o título à Mangueira, que ficou em terceiro lugar.

O Grande Presidente


Também Noel Rosa de Oliveira, em 1952, compôs para a Unidos do Salgueiro o samba-enredo "Homenagem a Getúlio Vargas".A verdade é que existem mais algumas gravações sobre Getúlio Vargas. Entre elas a marcha-rancho Gegê, feita em 1931 por Getúlio Marinho e Eduardo Souto.

Na década de 1930, também foi feita "A menina presidência", por Cristóvão de Alencar e Nássara, que cantava a possível permanência de seu Gegê em 1937, época em que foi decretado o Estado Novo. A música começa citando a cantiga de roda "Terezinha de Jesus". Para ouvi-la, basta clicar aqui.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Samba na Barra Funda. É hoje!

Para embalar a galera

Ontem acabei me perdendo no tempo do feriado e por isso não postei nenhuma novidade aqui no Vermute. Mas hoje venho para me redimir, e em grande estilo.

E minhas desculpas vêm com uma indicação de disco que precisa ser escutada por qualquer pessoa que pretenda embalar a galera em uma festinha. Trata-se do disco "Lord Astor e seu conjunto - É dança!", lançado em 1961.




Agora é cinza


Nas músicas, grandes sucessos como "Agora é Cinza"(que você ouve acima), "Copacabana", "Fita Amarela", "Feitiço da Vila" e "Eu sei que vou te amar". Isso sem falar nos clássicos gringos, como o sucesso de Paul Anka, "Oh Carol".

Fita Amarela


Para baixar esta beleza, visite o Loronix

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Disco da semana: Flauta Maravilhosa - Altamiro Carrilho


Este é, sem dúvida, um dos grandes discos de choro. Em 1997, ganhou o Prêmio Sharp como melhor disco instrumental. Talvez, este seja o melhor registro de choro lançado nos últimos dez anos. Nele, o virtuoso Altamiro Carrilho mostra que nem só de samba e choro é feita a sua música. Prova disso são as músicas “Frevinho Carioca”, que como o próprio nome diz, vem carregada de elementos típicos do ritmo pernambucano. Um pouco menos evidente é a presença do forró na música “Forró n°1”.

Mas Altamiro não busca inspirações somente em ritmos populares. Com ele até grandes nomes da música clássica caem no choro. É mais ou menos o que acontece com a música “O Eterno Jovem Bach”, cuja história bastante curiosa eu peguei do site Brasileirinho: "Num bar da Alemanha, Altamiro Carrilho e Johann Sebastian Bach estão sentados a uma mesa, cada um com seu canecão de cerveja, conversando animadamente. Certa hora, o flautista brasileiro resolve falar ao mestre alemão sobre o choro, que, em suas palavras, deu origem aos demais “42 ritmos genuinamente brasileiros registrados pelo maestro Guerra Peixe, fora os 25 que os baianos inventam todo dia”. Bach mostrou-se vivamente impressionado com tudo isso, e quando Altamiro lhe revelou sua intenção de aproveitar fragmentos de músicas de Bach em uma composição, o mestre não se fez de rogado:

- Está tuto muito bem, pode usar meus músicas no seu chorrô!

É assim que Altamiro explica o nascimento de sua composição “O Eterno Jovem Bach”, a partir dessa autorização obtida em sonho."

O Eterno Jovem Bach


Músicas:
Agarradinho (Altamiro Carrilho)
01- O Eterno Jovem Bach (Altamiro Carrilho)
02- Prelúdio Pro Voltaire (Altamiro Carrilho)
03- Chorinho do Rodrigo (Altamiro Carrilho)
04- As Andorinhas de Campinas (Altamiro Carrilho)
05- Contatos Imediatos (Altamiro Carrilho)
06- João Teimoso (Altamiro Carrilho)
07- Bem-Te-Vi Tristonho (Altamiro Carrilho)
08- Frevinho Carioca (Altamiro Carrilho)
09- Forró N°1 (Altamiro Carrilho)
10- Batuque N°1 (Altamiro Carrilho)
11- Momento Musical N°1 (Altamiro Carrilho)
12- Flauta Chorona (Altamiro Carrilho)
13- Momento Musical N°2 (Altamiro Carrilho)

Baixe esse disco no Cajibrina.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

De como o Bip-Bip entrou na rota do samba

Em 2004, foi lançado o curta metragem "Samba em Copacabana", de Sérgio Santeiro. O filme é sobre o surgimento da roda de samba no bar Bip-Bip. Com depoimentos de Cristina Buarque, Walter Alfaiate, Elton Medeiros, Teresa Cristina e Alfredinho. Participam também, no acompanhamento, os músicos: Afonso Machado, Paulão 7 Cordas, Jayme Vignolli e Esguleba. Confira:

Parte 1


Parte 2

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Samba sobre nada

Elton Medeiros nasceu em 1930, no Rio de Janeiro. A cidade fervia musicalmente e aos oito anos o menino já vivia batucando pelos cantos. Até que um dia, seu irmão Achilles chegou para Elton e disse. – “Você fica aí batucando, porque não faz um samba?”.

Ele resolveu arriscar. O resultado foi uma colcha de retalhos, um monte de frases reunidas sob uma interessante linha harmoniosa. O sambinha era mais ou menos assim:
O Brasil vai ser campeão,
Se minha nega não me abandonar
Agora eu vou à praia pra nadar,
Se ela aparecer eu vou pro futebol.
Eu tenho esperança que ela vai voltar

Achilles não aprovou o produto final. “Elton, você é burro! Não sabe que um samba tem que contar uma historinha? Inventa, conta história e vai contando...”, disse. Mesmo assim, Achilles não deu tempo para o irmão se redimir e burilou a letra, aproveitando a melodia.

Anos depois, na metade da década de 1960, Elton Medeiros gravou um samba que não fala de nada. É isso mesmo. Um samba sem assunto nenhum, que ficou com o nome de "Samba Original". A música que está no disco "Samba na Madrugada", pode ser ouvida abaixo:

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