terça-feira, 18 de março de 2008

Bezerra da Silva, o Porta-Voz do morro


Olha aí malandragem é o Vermute com Amendoim provando e comprovando sua versatilidade.

Bezerra da Silva tem algumas músicas bem conhecidas, principalmente aquelas de duplo sentido e com a temática de drogas. Justamente por conta dessas músicas (que nem são a maioria), Bezerra é visto como quem faz uma simples apologia às drogas, e aí que é cometida uma das maiores injustiças com o malandro e a sua obra. Erradíssimo!

A obra de Bezerra é de certa forma revolucionária, pois além de ir na contra-mão musicalmente do que acontecia nos anos 80 (época em que ele já havia se iniciado no ofício de cantar samba), em que o pessoal do Cacique de Ramos começava a ganhar espaço na mídia, ela ainda abdicava do lirismo da poesia para ir direto ao ponto, na ferida. Bezerra não tinha papas na língua para falar "a favela é um problema social".

Bezerra sempre foi a voz dos excluídos, cantava a realidade do morro e isso envolvia os problemas sociais, os episódios entre malandros e manés e é claro, as drogas. Por conta disso o estilo defendido pelo “malandro rife” (aquele malandro boa gente) foi chamado de “Sambandido”, nomenclatura que eu particularmente não gosto.

Bezerra foi único. Não há ninguém que siga a sua linha dentro do samba. Exemplo de versatilidade, Bezerra deixou sua marca até mesmo no rap, estilo que influenciou muito. Porém, a seriedade das letras declamadas do rap brasileiro não poderiam carregar a bandeira. Afinal, a contestação sisuda quase nunca dá espaço para o lado do bem humorado, tal qual fazia Bezerra. Certo malandragem? Certíssimo!


Saudação às Favelas (Pedro Butina / Sergio Fernandes) --- Bezerra da Silva


Meu Bom Juiz (Beto sem Braço / Serginho Meriti) --- Bezerra da Silva


Entenda as gírias:
Presunto- Defunto
171- Falsário
Mané- Otário
Kojak- Policial
Grampear- Prender
Antena- Chifre na cabeça dos outros
Chá de bule- Café
Bater para alguém- Avisar
157- Assalto à mão armada
Corujão- Curioso / Cagüete
Urubú de ferro- Avião
Caô- Mentira
Grupo- Armação
Dar dois- Fumar maconha
Dividida- Trocar tiro com a polícia
Gavião- Paquerador
Levar eco- Levar tiro
Malandro rife- Malandro boa gente
Matraca- Metralhadora
Tubarão- Ladrão de gravata
Pintou sujeira- Delator na área
Ripar- Surrar
Cabrito importado- Muamba
Dedo na seta- Delator
Vinte e um- Marido traído

sábado, 15 de março de 2008

Cristina Buarque e Terreiro Grande no RJ


O Rio de Janeiro terá mais uma oportunidade de ver e ouvir a preciosa batucada do Terreiro Grande. Acompanhados, é claro, pela Cristina Buarque o grupo realizará dois shows nos dias 28 e 29 de março na Sala Baden Powell, localizada no coração de Copacabana.


Além disso acontecerá no domingo (30) uma roda no tradicionalíssimo bairro da Lapa. Vale a pena conferir. Para quem interessou, os ingressos só serão vendidos na terça-feira da semana do show.


Sala Baden Powell
28 e 29 de março
Horário: 20 horas
Av. Nossa Senhora de Copacabana, Copacabana
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (estudante)


Roda de samba - Mal do Século
30 de março Horário: 17 horas
Rua do Resende, 26, LapaIngressos: R$15,00



Saiba mais sobre o novo Cd de Cristina Buarque
Saiba mais sobre o Terreiro Grande


sexta-feira, 14 de março de 2008

O Mercado Informal do Samba

Vender samba nunca foi novidade. Grandes nomes da música ajudaram a construir sua reputação gastando alguns trocados. A fórmula era simples: os nomes consagrados do rádio da década de 20 e 30 subiam nos morros para buscar "inspiração" dos compositores espontâneos e por uma soma barata podia se arrumar uma parceria.

Outros nem se davam o trabalho de gastar dinheiro. Baseados na máxima de Sinhô que dizia que “Samba é que nem passarinho, é de quem pegar”, alguns malandros usavam das mais sórdidas técnicas para sair com um sambinha nas mãos. Brancura, por exemplo, pedia a Benedito Lacerda para que ficasse atrás da parede escutando e copiando as músicas de sambistas ingênuos.


Mais honesto, Francisco Alves, o rei da voz, era um desses garimpeiros de samba. Não se sabe ao certo quantos sambas Chico Alves comprou, mesmo porque em muitos só entrava o nome do “contratante”, enquanto o verdadeiro compositor acabava caindo no esquecimento. Contemporâneo de Chico, Mário Reis efetuou a transação de uma importante transação, deixando depois o samba para o companheiro, por não conseguir cantá-lo adequadamente.


O samba era de Cartola, chamado de “Infeliz Sorte”. Em uma entrevista dada ao Diário de Notícias de 20 de julho de 1974, Cartola lembra como foi o processo da compra: “Em 1931 o Mário Reis veio no morro. Ele chegou com um rapaz chamado Clóvis, que era guarda municipal e tinha dito que era meu primo, coisa e tal. O Clóvis subiu pra falar comigo, mas o Mário ficou lá embaixo. Chegou dizendo que o Mário queria comprar um samba meu. Pensei que ele estava maluco. Como, vender samba? Clóvis disse que era pro Mário gravar, e tanto insistiu que eu acabei descendo e cantando um samba para ele, que, por sinal, ele já conhecia. Pergunta quanto eu queria. Fiquei sem resposta. Já ia pedir uns cinqüenta mil réis, mas o Clóvis cochichou e disse pra eu pedir quinhentos. Pedi trezentos e ele me deu”.

Vídeo retirado do Balaio do Carl Ole e O couro do cabrito

Comprositores



A grana era boa, visto que um maço de cigarros custava em torno de 500 réis. Mesmo assim não era suficiente e quem acabava lucrando mais, definitivamente, era o comprador que fazia sucesso.


A música estourou e Cartola passou a ser um comerciante de sambas. Somente para o Chico Alves vendeu “Não faz amor”, “Tenho um novo amor”, “Divina Dama” (que foi gravado em 1933, pela Odeon e também acabou se tornando um sucesso) e “Diz qual foi o mal que eu te fiz”. Todos pelo mesmo preço.


Cartola, porém, não deixava margem para pilantragem. Em todos os sambas que vendeu o acordo era que seu nome saísse no disco. A malandragem, porém não era dom de qualquer um. Babaú da Mangueira também vendeu um samba por mixaria e depois de arrependeu, mas isso é papo para uma próxima vez.

Saiba mais sobre o samba "A flor e o espinho", que Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito venderam

terça-feira, 11 de março de 2008

O samba informal de Mauro Duarte

Considerado por muitos especialistas no assunto como o melhor compositor do chamado Samba de Lamento, Mauro “Bolacha” Duarte (02/06/1930 – 26/08/1989) acaba de ganhar um registro que com certeza entrará na galeria dos melhores discos de samba. O disco é assinado por Cristina Buarque e o grupo Samba de Fato, que é formado por Pedro Amorim, Pedro Miranda, Alfredo Del-Penho e Paulino Dias.

Clássicos conhecidos do grande público como Lama, Canto das 3 Raças e Portela na Avenida ficaram de fora por opção dos artistas, já que essas obras receberam gravações irretocáveis de nomes como: Clara Nunes, Roberto Ribeiro e Alcione. O samba informal de Mauro Duarte – Samba de Fato e Cristina Buarque é composto por 2 CDS com 15 faixas cada, entre inéditas e raridades e fragmentos de música finalizadas postumamente com maestria por Paulo César Pinheiro, seu parceiro mais constante, especialmente para esse trabalho. Há ainda 2 sambas lembrados por Walter Alfaiate (Eu Não Quero Saber e Jeito do Cachimbo), 1 por Paulo César Pinheiro (Dúvida), 1 samba extraído das rodas de samba do bar Bip Bip, em Copacabana, de parceria de Mauro Duarte e Adélcio Carvalho (Carnaval), 2 sambas extraídos do acervo de Elton Medeiros (A Mulher do Pedro e Malandro Não Tem Medo) e a gravação da primeira parte de um samba nunca terminado que leva o nome de Não Sou de Implorar, cantado pelo próprio Bolacha.

Enfim, não há sequer uma música ruim e os arranjos (que ficaram por conta de Cristina Buarque e Samba de Fato) são fiéis ao estilo de Mauro Duarte, fazendo com que o disco seja um verdadeiro presente aos apreciadores da obra do Bolacha e principalmente do bom samba.

Retirado do encarte do CD
Músicas:

CD 1

01- Lenha na Fogueira (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Conhecido nas rodas informais de samba, música perpetuada pela tradição oral que teve primeira gravação em disco por Walter Alfaiate, em 2005, com pequenas alterações na letra. Neste disco é cantada com a letra original.

02- Sublime Primavera* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

03- Carnaval (Mauro Duarte / Adélcio Carvalho)
Música em parceria com Adélcio de Carvalho, companheiro de bar e mecânico de Botafogo, colhida nas rodas de samba informais do bar Bip Bip, em Copacabana, onde é cantada constantemente por seus filhos.

04- Acerto de Contas* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

05- Mineiro Pau* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Provavelmente, última música composta por Mauro pouco antes do seu falecimento em 1989. Inicialmente, uma homenagem a seu pai nascido em Minas Gerais.

06- Eu Não Quero Saber (Mauro Duarte)
Melodia e letra do samba lembradas por Walter Alfaiate a partir do título da música no caderno de anotações de Mauro.

07- Desde Que Me Abandonou (vinheta) (Mauro Duarte)
Primeira música composta por Mauro, provavelmente em 1947, sem segunda parte, que deveria ser improvisada. Gravação de voz de Mauro em show do projeto Brahma Extra em 1988.

08- Falou Demais* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro / João Nogueira)
Parceria de Mauro e João Nogueira que não tinha sido completa, foi finalizada por Paulo César Pinheiro a partir de trechos cantados pelos autores em gravações distintas.

09- Samba de Botequim* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Letra de Paulo César Pinheiro que, a princípio, gerou polêmica pela concordância verbal nos primeiros versos e, depois, foi avalizada por parecer de estudiosos da língua portuguesa. Leia o parecer completo no site do disco.

10- Compaixão* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

11- Sofro Tanto (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro / Maurício Tapajós)
Samba originalmente gravado por Cláudia Savaget em 1979.

12- A Mulher do Pedro (Mauro Duarte / Elton Medeiros)
Música encontrada no acervo de Elton Medeiros com gravação de voz e batucada dos compositores que foi aproveitada neste disco como vinheta de apresentação no ínicio da faixa.

13- A Água Rolou (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Samba com única gravação no LP do cantor Portella de 1992.

14- Engano* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

15- Não Sei (Mauro Duarte / Noca da Portela)
Parceria com Noca gravada originalmente em LP raro da cantora Sônia Santos de 1975.

CD 2

01- O Samba Que Eu lhe Fiz* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

02- Dúvida (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Samba inédito lembrado a partir da letra datilografada encontrada por Paulo César Pinheiro em seu acervo pessoal.

03- Jeito do Cachimbo (Mauro Duarte)
Samba lembrado por Walter Alfaiate a partir do caderno de músicas pessoal de Mauro Duarte.

04- Mais Consideração (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro / Maurício Tapajós)
Gravado em 1987 por Mart'nália. Apesar de tomar conhecimento à época, Mauro não chegou a conhecer a gravação original e não se lembrava da música, composta na casa de Maurício Tapajós em tarde regada a cerveja.

05- Malandro Não Tem Medo (vinheta) (Mauro Duarte / Elton Medeiros)
Gravação informal da música ainda não terminada, extraída do acervo de Elton Medeiros é cantada e batucada pelos autores.

06- Começo Errado* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

07- Lamento Negro* (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

08- Sonho de Criança (Estado de Coisas) (Mauro Duarte / Noca da Portela)
Samba gravado por Noca da Portela em 1980 e por Paula de Madureira em 1985.

09- Reza, Meu Bem (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Samba inédito encontrado no acervo de Paulo César Pinheiro.

10- Sonho e Realidade (Mauro Duarte / Edil Pacheco)
Música inédita, é a única parceria de Mauro com o baiano Edil Pacheco.

11- À Procura da Felicidade (Mauro Duarte /Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro)
Música gravada por Ataulfo Alves Jr. em 1974.

12- Samba do Eleitor (Mauro Duarte / Adélcio Carvalho)
Morro (Mauro Duarte / D. Yvonne Lara)
Samba do Eleitor: Samba de tema político, ainda inédito, encontrado em fita K7 com gravação informal dos autores / Morro: Também de temática social, é a única parceria de Mauro com Dona Ivone Lara. Gravado por Elza Soares em 1979.

13- Não Sou de Implorar (vinheta) (Mauro Duarte)
Muitas vezes, ao chegar em casa com uma idéia nova de samba, Mauro registrava em fita o mote para ser terminado depois, às vezes em parceria. Alguns desses sambas eram esquecidos ou ficavam somente com a primeira parte. Essa vinheta é um exemplo dessas gravações de Mauro, que não tocava instrumento harmônico, batucando e cantando o samba para ser terminado posteriormente.

14- Tempo de Amigo (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Inédito até a morte de Mauro, foi mostrado por Paulo César Pinheiro a Ataulfo Alves Jr. que o gravou em 1997.

15- Caprichosos de Pilares (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)
Depois de grande sucesso obtido por Clara Nunes com a gravação de "Portela na Avenida", Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro decidiram fazer uma série de músicas exaltando as escolas de samba do Rio de Janeiro. Dos 10 sambas-exaltação, Caprichosos de Pilares era o único que permanecia inédito.

(*) Músicas finalizadas postumamente por Paulo César Pinheiro em 2006, a partir de trechos encontrados em fitas do acervo pessoal de Mauro Duarte.

Ficha Técnica
Produção: Alfredo Del-Penho
Direção Artística: João Augusto


Compre aqui o disco: O samba informal de Mauro Duarte – Samba de Fato e Cristina Buarque

domingo, 9 de março de 2008

São Pixinguinha (4 de 4)

Os versos de Carinhoso são um dos mais conhecidos de toda a obra de Pixinguinha. Mas este gênio da música brasileira tem muito mais do que uma canção letrada. É sobre esse tema que o quarto e último programa que voltou seus olhos para a obra de Pixinga, as letras que moldaram canções.

Entre as composições que serão apresentadas, a pequena notável aparece como parceira. Também Donga, Almirante, João da Baiana aparecem em "Patrão prenda seu gado". A belíssima música "Fala Baixinho", e a valsa "Rosa" de 1917 que foi letrada em 1937, também aparecem na seleção de Jubran.

Para quem perdeu os programas, o Vermute com Amendoim já colocou à disposição os dois primeiros episódios. Confira o
primeiro episódio em que Jubran fala das composições sem parceria. No segundo, o tema foram os arranjos orquestrados e no terceiro a parceria com Benedito Lacerda.

O programa Olhar Brasileiro é apresentado por Omar Jubran, todos os domingos, às 9 horas. Vale acompanhar agora o especial que está indo ao ar sobre Paulinho da Viola.

Confira os blocos deste episódio:

Bloco 1 (duração de 21 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Bloco 2 (duração de 24 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Bloco 3 (duração de 15 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Saiba mais sobre Pixinguinha

sábado, 8 de março de 2008

O sambista que ficou esquecido

Há tempos o samba deixou de ser um estilo musical marginal e entrou pela porta da frente das casas que antes o rechaçavam. Entretanto, o sambista não desceu o morro. Ainda que alguns sambistas tenham se criado em um meio menos turbulento, o samba mantém algumas de suas raízes cravadas no ambiente seco em que nasceu.

Prova disso é o caso do sambista Benedito Oliveira. Conhecido na Baixada do Glicério, no centro de São Paulo, como Benê do Pagode, este sambista ao modo antigo tocava nos bares, pela noite paulistana, retratando o duro cotidiano da Paulicéia.

Aprendeu tocar cavaquinho na Igreja, já dormiu dentro de um carro emprestado já visitou o Rio de Janeiro, com seu cavaquinho e a idéia de viver de música. Não deu certo e vivia ao relento desde que gravou um Cd com Vanessa Jackson, vencedora de um reality show musical, e recebeu menos de 10 reais. Ultimamente vendia seu Cd, chamado “Benê Brilho” e tirava seis reais por cópia vendida.

Foi protagonista de dois documentários, feitos por Pedro Dantas e Cristian Cancino. No último documentário em que apareceu, “Lamento Paulista”, teve que pegar o cavaquinho de volta, uma vez que o tinha empenhado para conseguir um marmitex. Não passava por bons bocados. Um exagerado das ruas, Benedito nunca negou seu relacionamento com o crack e já teve que passar poucas e boas por conta disso.

No aniversário dos 454 anos da cidade de São Paulo, Benetido descompassou. Entrou na Catedral da Sé com o cavaquinho em uma mão e um facão na outra, gritando: “São Paulo vai me matar! Eu quero morrer de fome!”. Acabou ferindo três pessoas. Nesta segunda-feira, Benedito será julgado no Fórum da Barra Funda e pode pegar até 18 anos de pena.

A história de Benê não é única. Até o gênio Cartola passou por péssimos dias em sua vida, lavando carros de madrugada, com pouco dinheiro no bolso. Tomava sua cachaça, mas deixava como válvula de escape o violão. Benê não suportou a pressão e mostrou, da pior forma que, quando o samba entrou pelos salões da sociedade, se esqueceram de chamar os sambistas.


Informações retiradas do site da Revista Época

Seleção Vermute: Mulher, oh Mulher

Florisbela não agüentou a dor de ver o marido ao lado de outra e botou fogo nas coisas do malandro antes de partir. Emília também partiu, mas só depois de um bom tempo servindo o homem ao seu lado. Rosa Maria foi chorar na beira da praia por conta de uma desilusão causada por um falso amor. Luzia simplesmente tomou umas cangibrinas a mais e riscou o palito de fósforo para incendiar o morro.

Sebastiana, Olga, Mimi, Marta, Maria, Florisbela, Dorinha, a inesquecível Amélia... A mulher sempre foi uma das principais inspirações do sambista. A independente, a arruaceira, a resignada, a formosa e a nem tanto, a morena, a loira e a ruiva. Não há tipo de mulher que não possa encontrar nas batidas de um tamborim um samba que lhe caiba.

E em dia em que é de praxe distribuir rosas para as damas, o Vermute com Amendoim resolveu homenageá-las de outra maneira: com poesias escritas por gloriosos poetas populares. São 15 faixas escolhidas por Murilo Mendes para homenagear todos os tipos de mulher e, para dizer: Feliz dia das Mulheres!

Seleção Vermute: Mulher, oh Mulher*

01 - Rosa Maria (Eden Silva / Aníbal da Silva) Canta: Acadêmicos do Salgueiro
02 - Maria Boa (Assis Valente) Canta: Maria Alcina
03 - Marta (Batatinha) Canta: Batatinha
04 - Sebastiana (Élton Medeiros / Ciro de Souza) Canta: Élton Medeiros
05 - Onde Está Florisbela (Ari Monteiro / Geraldo Pereira) Canta: Batista de Souza
06 - Emília (Haroldo Lobo / Wilson Batista) Canta: Vassourinha
07 - Volta Pra Casa, Emília (Antônio Almeida / Wilson Batista) Canta: Roberto Silva
08 - Neuma (Tantinho da Mangueira) Canta: Tantinho da Mangueira
09 - Nega Luzia (Jorge de Castro / Wilson Batista) Canta: Cyro Monteiro
10 - Ai! Que Saudades da Amélia (Ataulfo Alves / Mário Lago) Canta: Ataulfo Alves
11 - Linda Mimi (João de Barro) Canta: Mário Reis
12 - Cadê Mimi (Alberto Ribeiro / João de Barro) Canta Mário Reis
13 - Olga (Alberto Ribeiro - Satyro de Mello) Canta: Vassourinha
14 - Dorinha, Meu Amor (Freitinhas) Canta: Mário Reis
15 - Formosa(Baden Powell - Vinicius de Moraes)
•Sacode Carola (Hélio Nascimento-Alfredo Marques)
• Madame Fulano de Tal (Cyro Monteiro-Cândido Dias da Cruz)
• Divina dama (Cartola)
• Sofrer é da vida (Ismael Silva-Francisco Alves-Nilton Bastos)
• Risoleta (Raul Marques-Moacyr Bernardino) Canta: Cyro Monteiro

*Seleção das músicas: Murilo Mendes

Veja a outra seleção que o Vermute com Amendoim elaborou

sexta-feira, 7 de março de 2008

Nas ondas de 1936, o samba atravessa o Atlântico

Muito antes de Duquesa de Kent visitar o Brasil, na década de 50, e esbanjar os ouvidos com os acordes portelenses, o samba atravessou o Atlântico para chegar aos ouvidos de uma nação acostumada a uma tonalidade musical completamente diferente da do couro do pandeiro.

Em 29 de janeiro de 1936, a Hora do Brasil irradiou para a Alemanha um programa de uma hora sobre a Mangueira. Narrado por Rudolph Kleinoscheq, as fortes consoantes se misturavam a sambas de Cartola, Maciste Carioca, Gradim.

Na época em que o presidente Getúlio Vargas flertava com os ideais nazistas, e no mesmo ano em que Adolf Hitler assinaria um pacto com Benito Mussolini, canções feitas e tocadas por negros invadiam as residências germânicas. O programa teve patrocínio do Departamento Nacional de Propaganda e passou pelas mãos de Ilka Labarthe, diretora de publicidade do DNP.

Às 18h45 a transmissão foi iniciada com a leitura da crônica “Reportagem de Carnaval”, de Henrique Pongetti, seguida do samba “Liberdade”, composto por Cartola e Arlindo dos Santos. A primeira parta terminou com o samba “Pérolas para teu colar”, de Cartola e Maciste.

A segunda parte contou com a leitura da crônica de Rubem Gill, intitulada “Musa no terreiro”, seguida de “Dama Abandonada”, de Cartola, “O destino não quis”, de Carlos Cachaça e Cartola, e “Me deixa chorar”, samba de Lauro Santos.

Não Quero Mais Amar a Ninguém (Cartola / Carlos Cachaça / Zé da Zilda) --- Carlos Cachaça


Embora o fato tenha sido histórico, não se pode medir o resultado final. É o que contou o jornalista e pesquisador Sérgio Cabral: “Não sabemos como os sambas da Estação Primeira foram recebidos entre os alemães, porém, é certo que os mangueirenses devem ter aumentado sua auto-estima com o evento que projetava internacionalmente a sua imagem, tanto que daquele episódio retiraram o enredo para 1937”. O enredo foi intitulado de "Cinco Continentes", de Gradim e conquistou o carnaval daquele ano

No Brasil, a repercussão acabou tomando tons de política. Em fevereiro de 1936 o comunista Carlos Lacerda escreveu um artigo na Tribuna Popular, relacionando do samba com a disputa marxista de classes.

Confira o texto na íntegra:

“Arte não é invenção. É criação a que se atinge depois de um processo emotivo e sensorial. Essa emoção, essa sensação só se encontram onde está a vida. E a vida só existe onde os homens lutam, sofrem, amam, gozam e vivem. Eis por que a música nasce do povo, nas suas manifestações mais diretas, como que iniciais. A dança nasce do trabalho. A origem das danças está nas cerimônias propiciatórias, da fermentação da terra e da perpetuação da espécie. A música não é enfeite da vida. É necessidade, quase conseqüência da vida.

O samba nasce do povo e deve ficar com ele. O samba elegante das festanças oficiais é deformado: sofre as deformações na passagem de música dos pobres para divertimento dos ricos. O samba tem de ser admirado onde ele nasce, e não depois de roubado aos seus criadores e transformado em salada musical para dar lucros aos industriais da música popular.

O samba é música de classe. O lirismo da raça negra vive nele. Uma estupenda poesia surge dele. A força criadora da classe que vai transformar o mundo brota nele aos borbotões na improvisação, na cadência, no ritmo. É preciso defender o samba contra as concepções de seus deformadores, que preferem mostrá-lo como curiosidade exótica. O samba não é exótico. É humano. É uma expressão de arte viva. Defenda-se o samba. Defenda-se o sambista. Quando os oprimidos vencerem os opressores, o samba terá o lugar que merece”.

*Não me altere o samba tanto assim

A música "O Destino Não Quis", com o tempo, foi modificada na letra e no título. Uma segunda parte feita por Zé da Zilda apareceu e se consagrou na voz de Aracy de Almeida. O novo título "Não Quero Mais" saiu sem o nome de Cartola e com o nome de Carlos Cachaça escrito errado.

Mais uma mudança na década de 70. Com o título de "Não Quero Mais Amar a Ninguém", Paulinho da Viola cantou o samba, dessa vez com o crédito a Cartola.

Saiba mais sobre o samba fora do Brasil

terça-feira, 4 de março de 2008

Vermute conta o samba: Falsa Baiana

Em uma noite no Café Nice (um botequim famoso na década de 50 que ficava situado na Avenida Rio Branco 174, esquina com Rua Bittencourt Silva, e freqüentado por toda classe musical popular do Rio de Janeiro), mais precisamente numa segunda-feira de carnaval do ano de 1944 estavam, entre outros, Roberto Martins conversando com Geraldo Pereira quando entrou, fantasiada de baiana, a esposa de Roberto que atendia pelo nome de Isaura Martins.

Roberto notou a falta de animação de sua senhora que contrastava com a amimação dos presentes e como ela não era muito de carnaval comentou com Geraldo:
- Olha aí, Geraldo a Falsa Baiana

E foi daí que surgiu a inspiração para o samba Falsa Baiana, que diz:
Baiana que entra no samba e só fica parada
Não samba, não dança, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca
Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
Deixando a moçada com água na boca

A falsa baiana quando entra no samba
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma
Ninguém abre a roda, ninguém grita ôba
Salve a bahia, senhor

Mas a gente gosta quando uma baiana
Samba direitinho, de cima embaixo
Revira os olhinhos dizendo
Eu sou filha de são salvador


Falsa Baiana (Geraldo Pereira) --- Nadinho da Ilha

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Saiba mais sobre as histórias dos sambas:

Vagolino de Cassino, composto por Noel na década de 30

A Flor e o Espinho, composto por Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho na década de 50

domingo, 2 de março de 2008

São Pixinguinha (3 de 4)

Benedito Lacerda ostenta sua flauta ao lado de Pixinguinha, Zilda e Zé da Zilda

Mais um domingo e chega o dia de seguir com a divulgação da série elaborada pela Rádio USP sobre o maestro Pixinguinha. Timoneado por Omar Jubran, o programa Olhar Brasileiro levou ao ar quatro episódios sobre Pixinga entre o dia 3 e 24 de fevereiro.

Para quem perdeu os programas, o Vermute com Amendoim já colocou à disposição os dois primeiros episódios. Confira o
primeiro episódio em que Jubran fala das composições sem parceria. No segundo episódio, o tema foram os arranjos orquestrados.

Desta vez, no programa que foi ao ar no dia 17 de fevereiro, Benedito Lacerda vem à cena. Parceiro de Pixinga por cinco produtivos anos, entre 1946 e 1951, Benetido tem um pouco de sua mão na famosíssima “Segura Ele”, que Jubran põe para tocar.

A fase também ficou marcada pelo afastamento de Pixinguinha da flauta. Quando tocando com Benedito, o maestro adotava o sax alto, deixando a flauta para seu companheiro. Os arranjos finais, com dois grandes nomes da música, são primorosos.

Vale a pena conferir:

Bloco 1 (duração de 18 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Bloco 2 (duração de 19 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Bloco 3 (duração de 20 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Saiba mais sobre Pixinguinha

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