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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Espaço Urucum apresenta Toinho Melodia e Lello Di Sarno


Para inaugurar o projeto Laje Urucum, Toinho Melodia e Lello Di Sarno apresentam o show "o samba de ontem e de hoje pelo samba de amanhã" neste domingo, a partir das 16h. Vale lembrar que a casa abre a partir das 14h para quem quiser tomar a abrideira. O próprio nome da apresentação já traduz qual o seu objetivo: unir em prol de um amanhã melhor para nossa música, um nome com história no cenário do samba paulista àquele que surge.  

Para os amantes da boa música, o algo a mais fica por conta de conhecer e ouvir pessoalmente Toinho Melodia. Pernambucano, mudou-se para São Paulo com 11 anos de idade e construiu seu nome na Unidos de Vila Maria e Vai Vai. Hoje, é figura constante em sambas tradicionais da cidade como o Kolombolo Diá Piratininga, o Pagode da 27 e de um projeto de Sorocaba, conhecido como Panela do Samba. 

“São Paulo ainda tem samba de verdade sim, fico muito feliz em ver esses meninos levantando a bandeira da fonte que dá a água que bebi, tocando meus mestres Jangada, Toniquinho Batuqueiro e Talismã, por exemplo. Eu canto samba de São Paulo com muito orgulho. São Paulo tem muitos projetos que elevam a cultura do samba na sua mais pura essência, aquele samba que veio lá da minha mãe África e tenho grande e verdadeira admiração", desabafa o "paulibucano" Toinho Melodia - como ele mesmo se define.

Toinho e Lello se conheceram por ai, nas rodas de São Paulo. Firmaram a primeira parceria ao competir na 'Pérola Negra' com um samba enredo. Caíram durante as eliminatórias, mas a amizade ficou. Tempos depois, a ideia do show: "Não tenho palavras. Talvez seja esse o momento mais importante devido ao reconhecimento dele pelo meu trabalho. Poder cantar músicas minhas com pedradas dele será uma puta honra. É importante para dar o reconhecimento ao Toinho. Ele merece ter esse trabalho mais divulgado", diz Lello. 

Para mais informações do evento clique aqui. Aproveita e escuta ai uma das pedradas do Toinho Melodia...



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

João Nogueira, Paulo César Pinheiro e a ‘Parceria’

Entre tantas parcerias no meio da música que poderia ter escolhido para estrear e retomar os trabalhos do Vermute com Amendoim, nenhuma me marca mais que João Nogueira e Paulo César Pinheiro. Os amigos conhecem a ligação que tenho com a obra desses dois bambas e, por isso, não vão estranhar que o primeiro texto seja referente a eles.

João e Paulinho se conheceram por intermédio de Gisa Nogueira que, no início dos anos 70, era colega de trabalho da irmã de Baden Powell, primeiro grande parceiro de Paulinho - mas ai é outra história... Fato é que os dois se deram bem logo de cara durante um encontro no Clube do Méier e só um bom tempo depois firmaram a primeira parceria: Espelho.

Nome sagrado não só do samba , mas como da poesia, Paulo César Pinheiro em um de seus escritos cravou que “parceria é um casamento que não cansa; porque não há contrato e nem cobrança; ciúmes tem… mas isso é passageiro; quem é traído, muitas vezes reage; propondo aos dois fazer um ménage; no instrumento do próprio parceiro”.

Quase na metade dos anos 90, após anos de amizade, parcerias e histórias, João viu esse ciúme despertar e cobrou o parceiro. Era impossível que os dois ainda não tivessem subido ao palco juntos em um show para celebrar tal parceria e tantas obras.

Paulinho topou a ideia, o roteiro foi traçado e o show executado em São Paulo, no SESC Pompeia, no ano de 1994, com a produção de Eduardo Gudin.

No vídeo abaixo você vai ouvir uma história relacionada ao show contada por Paulo César Pinheiro em agosto de 2010 na Taberna da Glória a mim e aos meus dois parceiros Tuca Veiga e Guilherme Reis na empreitada que rendeu o livro João Nogueira: Ninguém faz samba só porque prefere.

Quer ouvir o álbum inteiro? Basta clicar aqui e fazer o download. Todas são pedradas. Um álbum escolhido com muito carinho para marcar a volta do nosso bom e velho Vermute com Amendoim.

Parceria: João Nogueira e Paulo César Pinheiro

1- Espelho / 2- Eu hein Rosa/ 3- E lá vou eu/ 4- Bafo de boca/ 5- Bares da cidade/ 6- As forças da natureza/ 7- Batendo à porta/ 8- Chorando pela natureza/ 9- Banho de Manjericão/ 10- Súplica/ 11- Poema Paulo César Pinheiro/ 12- Minha Missão/ 13- Um ser de luz/ 14- Chico Preto/ 15- Rio, samba, amor e Tradição/ 16- Primeira Mão/ 17- Além do espelho.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Sacramento, o coração na cabeça

Aí moçada. Diretamente do Rio de Janeiro, nosso colaborador ítalo-carioca Alberto Riva bate um papo exclusivo com Marcos Sacramento, uma das ótimas revelações dos últimos tempos.

Viajante entre o presente e a tradição da música popular brasileira, o carioca de Niterói Marcos Sacramento, de 49 anos e com sobrenome Rimoli (verdadeiramente italiano, de Gênova), é guiado pelas emoções. Desde o seu primeiro trabalho solo, "A modernidade da tradição" (1994), relançado recentemente pela Biscoito Fino, gravadora com a qual o cantor e compositor lançou todos os seus últimos trabalhos, Sacramento coleciona um repertorio vastíssimo. E variado, como mostrou no último cd "Na Cabeça", que Sacramento vai lançar no Sesc/Campinas (7/10), depois na Vila Mariana (Sesc, 8/10) e no Sesi Rio Claro (30/10) em um show espetacular acompanhado pelos violões de Luiz Flavio Alcofra, Zé Paulo Becker e Rogério Caetano, e com Netinho Albuquerque ao pandeiro. No dia 13/10, Sacramento toca com o pianista de jazz Stefano Bollani, no Sesc Ginástico.

Nessa conversa informal com o Vermute, o cantor se diz devoto de Noel Rosa, Elis Regina e Orlando Silva e também revela ter um disco de valsas pronto pra ser lançado.



"Na Cabeça" fecha a trilogia inaugurada com "Memorável Samba" e depois com "Sacramentos"?
De certa forma sim, embora não tenha pensado nunca em termos de trilogia. Mas acho que encerra um ciclo.

O repertório é variado, como já foi "Sacramentos", só que desta vez é mais "autoral". Está sentindo mais a exigência de ser mais pessoal, de falar mais de si?
Gosto mais de ser cantor/intérprete do que de ser compositor. Às vezes até acho que tenho mais a dizer interpretando músicas alheias do que as minhas próprias, mas também tenho necessidade de compor. Então é natural que, de tempos em tempos essa necessidade fique mais aguçada. Isso está acontecendo agora, digo, nessa fase da minha vida, mas nada é definitivo. Pode ser que faça um próximo trabalho com a força do intérprete, pode ser que venha forte o compositor. Tenho sido muito cobrado para lançar em disco o show que fiz na Sala Cecília Meireles cantando as valsas, o “Valserestas”. Esse show foi gravado e está lindo. Um trabalho de intérprete forte pra caramba.

Como intérprete de samba, com quem sente mais afinidade e por que: Noel Rosa, Assis Valente, Geraldo Pereira ou Ari Barroso?
Você pegou pesado né? Todos esses são campeões. Tenho estado muito devotado a Noel. Gravei em todos os discos. Então...

Marcos, brincando um pouco, você é a reencarnação de Carmen, Dalva ou Elis?
(Risos) Você me perguntasse quem eu gostaria de ser, eu diria Elis!!!!!! Ou, Orlando Silva!

Você gosta mais de ouvir o samba pelos intérpretes (penso em Aracy, por exemplo) ou pelos compositores (tipo: Nelson Cavaquinho)?
Isso é relativo. Nelson Cavaquinho é um ótimo intérprete de suas próprias músicas, mas os intérpretes pra valer fazem a diferença. Quando você ouve um verdadeiro intérprete você percebe coisas da obra que às vezes o próprio autor pode não ter percebido. Digo isso porque já aconteceu comigo como compositor e como intérprete.

Qual é o melhor deles, pra você, cantando os próprios sambas? Quem te da mais emoção?
Cartola tinha uma sensibilidade comovente quando cantava.

Tem um compositor brasileiro que na sua opiniao deveria ser mais cantado, lembrado, conhecido pelo público?
Um monte! Custódio Mesquita, Herivelto Martins, Fátima Guedes, Ataulfo Alves e todos os bons compositores contemporâneos que estão por aí. Luís Capucho, Antonio Saraiva, Sérgio Natureza, Carlos Fuchs, Paulo Padilha, Paulo Baiano...

E você, Marcos, quando vai mostrar ao público o seu lado "voz e violao"? Ou, no mínimo, seu lado mais compositor?
Não sei. Não há previsão. Trabalho com a emoção que estou sentindo, não faço assim, um planejamento racional. Vou muito pela intuição.

Talvez no quarto capitulo da trilogia (desculpe o paradoxo)?
Quem sabe?


Se você quiser saber mais de Marcos Sacramento, visite o site.
Se quiser falar com o Alberto, basta escrever para: alberto.reporter@gmail.com

sábado, 22 de agosto de 2009

Fala aí, Fulano!

O assunto da semana foi a retirada do ar de um dos blogs mais famosos e mais completos em termos de música brasileira. Cerca de 4.500 discos disponíveis foram para o espaço. Foram mesmo? O Vermute entrevistou Fulano Sicrano, o autor do UQT, e ele garante que o blog apenas "está de férias".

1. Você pretende voltar com o Um que Tenha?
Sim. Foi feito um back-up de todo o conteúdo do blog e será novamente disponibilizado em breve. Ainda há algumas questões técnicas e de segurança a serem superadas antes de definir o novo endereço. Acredito que no início de setembro o site estará no ar, faço questão de avisar ao Vermute Com Amendoim quando isso ocorrer.

2. Como ficarão os órfãos do UQT?
Não haverá órfãos porque o blog não morreu, imaginemos que, depois de três anos e meio, ele está de férias. Enquanto isso, de vez em quando, será usado o Twitter (www.twitter.com/fulanosicrano) para que os fãs do blog se abasteçam de música brasileira. Quando o UQT for restabelecido, todo o material já publicado estará disponível novamente, inclusive com os álbuns que lançaremos no twitter

3. Qual o tamanho do acervo que tinha o blog?
O blog tinha cerca de 4.500 álbuns publicados. O que mais me chateou foi ter interrompido a série A Música Brasileira Deste Século Por Seus Autores e Intérpretes, uma coletânea lançada pelo SESC-SP com 100 CDs que é uma verdadeira jóia, que levei mais de um ano para recolher.

4. Quantas visitas o blog recebia por dia?
Antes da interrupção, o blog tinha quase 20 mil page-views diárias.

5. Você acredita que música baixada de graça, ajuda ou atrapalha a divulgação?
O interesse na música brasileira é maior atualmente porque uma série de artistas nacionais não tinha como divulgar seus trabalhos, uma vez que esse custo é bastante alto. A internet, enquanto instrumento de promoção, é um meio barato de divulgação (no caso do UQT é gratuito) e essa "democratização" acabou por criar espaço para o aparecimento de novos artistas e o ressurgimento de outros que viviam à margem da mídia. Álbuns e artistas praticamente desaparecidos e esquecidos estão ressurgindo. Há um público ansioso e carente e que vê no UQT apenas um meio de acesso à música brasileira e que parte pra outra rapidamente, caso surja um mecanismo mais rápido e garantido de atendê-lo. O que ele busca é satisfação, não quer prejudicar nem artista, nem gravadora. Por incrível que possa parecer, muitos só compram o cd depois de ouvi-lo. Sentem-se atraídos pelo apelo táctil do cd, por seu projeto gráfico, acesso à ficha técnica, às letras, etc. Não é muito diferente do livro ou do jornal. Pode-se ler de tudo na internet, mas gostoso mesmo é folhear as suas páginas de um jornal, de uma revista ou as folhas de um livro.

6. Algum artista já reclamou ou elogiou o seu trabalho? Como era o retorno deles?
A maioria dos artistas apóia a iniciativa. O blog adquiriu notoriedade entre artistas e produtores e, atualmente, uma parte do que é publicado é fornecido por eles próprios, em busca de divulgação. Existe a preocupação de manter em sigilo toda e qualquer fonte também por esse motivo. Embora deseje que seu trabalho tenha o máximo de divulgação possível, o artista teme a indisposição com a gravadora e é imprescindível esse sigilo. Por outro lado, há alguns que se sentem mais à vontade enviando somente o material fora de catálogo, não reeditado pelas gravadoras. A minoria se descabela e xinga o Fulano disso e daquilo e ameaça e exige a retirada dos álbuns, julgando estar sendo furtado. Dois casos apenas em três anos. Outros, uns cinco até agora, apesar de serem contra, são corteses, entendem o espírito, mas pedem a retirada do CD. Eu atendo a todos sem questionar.

7. Você conhece algum outro lugar fértil pros fãs de música grátis?
Freqüento vários blogs, porém destaco o Abracadabra LPs do Brasil, o Loronix, o The Bossa Blog, o Som Barato e o Poeira e Cantos quando o tema é música brasileira.

8. Por fim, você sempre escondeu sua identidade. Não pretende revelá-la?
Nunca. Atuo numa área que nada tem a ver com o que faço. Na medida em que me exponho, acabo expondo as pessoas que dependem de mim, que gostam de mim, me apóiam. Foi uma condição que me impus desde o início. Pouquíssimas são as pessoas que sabem quem é a figura por trás (ou à frente) do Fulano. Além disso, acredito que o foco é a música e os artistas que a criam e interpretam, eles é que precisam estar em evidência.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vermute entrevista: João Macacão

A promoção para ganhar um CD de João Macacão se encerra hoje, mas ainda dá tempo de mandar a frase. Para quem ainda não se sente inspirado, o Vermute fez uma rápida entrevista com este grande artista. Confira:

1. É seu primeiro cd solo em quase 30 anos de carreira, o que você sente?
É, eu sempre toquei choro e sambas, né? Eu trabalhava com o Silvio Caldas. Acompanhei ele 22 anos, mas eu cantava um pouco. Aí depois o pessoal do Pôr do Som me viu cantando e falou: "Pô, você não queria gravar um CD?". "Ah, posso gravar!", eu disse. Mas eu não tinha a intenção de ser cantor não, sabe? Aí acabou dando certo, né? E eu estou me sentindo muito bem, muito feliz de estar no palco como um astro, porque até aí eu era só um acompanhante, agora eu sou linha de frente. (risos)

2. A sua primeira participação como intérprete foi na coletânea Acerto de Contas (2002), do Vanzolini, não é isso?
Isso, eu gravei duas músicas naquela coletânea do Vanzolini. Gravei uma música que chama "Maria que ninguém queria" (Paulo Vanzolini) e a outra chama "Falso Boêmio" (Paulo Vanzolini)

3. Como você começou a cantar? Você já cantava?
Eu cantava sim! Eu cantava de vez em quando, mas eu não tinha um repertório muito grande, formado. Aí depois eu comecei a cantar um pouquinho mais. Foi quando eu trabalhei no Bar do Cidão uns oito anos. E lá era só eu de violão, um pandeiro e um cavaquinho. Eu fazia um pouquinho de chorinho, mas eram mais músicas cantadas. Aí o pessoal da Pôr do Som me viu, me convidou para gravar e eu gravei. Então daqui pra frente, eu sou cantor! (risos)

4. Porque no disco você optou por não tocar o violão de 7?
É porque... Eu acho que eu preferi deixar esses meus companheiros aí, que são bem melhores do que eu. Aí foi o Arnaldinho [Arnaldo Galdino], o Marco Bertaglia, o Zé Barbeiro e o [Alessandro] Pennezi, que são todos monstros sagrados da nossa música popular. Ficou melhor com eles tocando. Mas talvez num próximo, se eu fizer, talvez até grave umas tocando também.

5. O Silvio Caldas é o seu cantor preferido?
Era um deles, né?

6. Mas um que você se inspire? Seria ele?
É eu aprendi muitas coisas com ele. Mas antes de trabalhar com o Silvio Caldas eu gostava muito do Nelson Gonçalves, do Orlando Silva... E na minha cabeça nunca passava que eu fosse um dia acompanhar o Silvio Caldas. Eu aprendi a tocar violão pelo prazer de tocar, mas aí o destino acabou me encaixando para acompanhá-lo. E foram 22 anos.

7. Para finalizar, o que você prefere tocar: choro ou samba-canção?
Olha, eu gosto dos dois. Eu gosto de tocar choros e sambas, samba-canção, bolero, valsa, maxixe, fox - aquele fox americano -. Por exemplo, a gente toca "Tenderly" (Walter Lloyd Gross / Jack Lawrence), "Blue Moon" ( Richard Rodgers / Lorenz Hart), enfim: músicas boas. Música de qualidade eu gosto de todas. Algumas do Roberto Carlos, Djavan, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque... é tudo música que está no nosso repertório. Sendo bom, vale! (risos)

João Macacão se apresenta todas as quintas, a partir das 22h, no Bar do Cidão. E aos sábados no Salve Jorge, integrando o Conjunto Paulistano, a partir das 13h.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fala, Turcheto!

A promoção da vez no Vermute é do artista Dani Turcheto. Para quem ainda não se convenceu, segue uma pequena entrevista, na qual Dani fala do começo, das influências, do albúm de estreia e do projeto "Quanto vale", que tem como proposta de você só pagar o show depois que assiste, e quanto achar justo. Confira:

Quais as suas atividades antes do envolvimento com a música?
Olha, eu sempre toquei, música sempre esteve na minha vida, desde bem criança. Toquei em banda de rock quando era moleque, mas profissionalmente sempre fiz outras coisas. Sou meio empreendedor. Já tive casa noturna, tive restaurante e tem a empresa da minha família que eu trabalhei por quinze anos como diretor comercial. Há quatro ou cinco anos eu saí , a gente profissionalizou e eu coloquei um cara no meu lugar. Aí eu caí de cabeça na música.

No seu MySpace você diz que sua influência é o samba dos anos 70. Quais, especficamente, são suas influências?
Principal para mim é aquele quarteto que acompanhava a Elis e o César Camargo Mariano nos anos 70. Era o César Camargo Mariano, Paulinho Braga na bateria, Luizão Maia no baixo. Djavan dos anos 70 e João Bosco.

Como foi a escolha do repertório pro disco?
São todas músicas minhas, eu compus todas. Eu tenho mais de cinquenta sambas, aí selecionei dez de acordo com o que eu mais gostava e também com dinâmica para formar um álbum.

Você afirma que desde pequeno que você acompanha rodas de samba que acontecem na sua casa. Porque há somente uma música com roupagem de "roda da samba", de fato?
Na hora em que você vai produzir um disco, você tem que fazer escolhas da roupagem. Apesar de ter uma com uma com roda de samba... Na verdade tem duas. Tem "O Tempo Nos Ensina a Jardinar" ali, que é uma roda um pouco mais louca, mas é uma roda. Na verdade, é isso, é que eu gosto muito de samba-jazz, eu gosto desses arranjos um pouco mais sofisticados. Tem muito metal, "metaleira". Talvez o motivo seja porque, quando eu componho eu ouço muito os metais, eu ouço a linha de metais. Tanto que uma parte dos metais do disco são minhas mesmo. Tem um arranjador de metal, mas acho que ele fez metade, metade fui eu que fiz, porque saiu junto com a composição. Então, acho que é por isso que no arranjo eu precisei cair para isso mesmo, porque roda de samba não ia dar pra por metal, não ia dar para por nada.

Qual o saldo do projeto "Quanto vale"?
Na verdade são dois projetos. Uma coisa é meu disco, e outra coisa é o projeto "Quanto vale". O projeto é meu também. Na verdade é de um coletivo meu, que chama "Navegantes". A ideia é minha, que eu levei para dentro do coletivo. Eu resolvi juntar os projetos. Então eu pensei: "Já que eu vou lançar o disco, eu preciso legitimar isso. Pois não adianta ficar falando isso, e não por na sua vida". Então eu resolvi jogar esse projeto dentro da minha carreira artística, até para legitimar tudo que eu estou falando. Então nos meus shows, a entrada é livre. O cara entra, assiste ao meu show e saída ele paga o quanto ele acha que vale.

Mas você considera que o saldo tem sido positivo?
Ah, a bilheteria média tem sido de R$ 10,00. Eu acho que é bom para um artista desconhecido, como eu, acho que está legal.

Saiba como ganhar o CD de Dani Turcheto.
foto: Daniela Toviansky

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Lançamento de livro sobre o samba paulista no SESC Pompéia


Olha aí rapaziada, de hoje até domingo (de 07 a 10 maio), no SESC Pompéia, acontecerá o lançamento do livro “Batuqueiros da Paulicéia”, de André Domingues junto com o sambista Osvaldinho da Cuíca.

O livro que demorou sete anos para sair do forno, e começou com as primeiras entrevistas sendo feitas no hospital, como contou André ao Vermute:

O que motivou o livro?
O que motivou foi a doença do Osvaldinho. Em 2003 ele teve um câncer e todo mundo dizia que não tinha solução. Aí eu encontrei com ele em um evento sobre o samba paulista. Ele estava magrinho, supermal e eu perguntei: "Seu Osvaldo, o senhor não quer contar a história do samba de São Paulo?" E Ele me disse: "Quero, mas não tem ninguém para escrever". Aí começamos a gravas as fitas, ainda no hospital. No começo foi tudo muito na pressa, mas depois quando ele ficou bem mexemos muito no livro.

O que dá para você adiantar do livro?
O que eu acho legal é que no livro a gente conta muita coisa dos grandes nomes do samba de São Paulo, como o Adoniran, o Germano, mas também lembra os anônimos. Uma coisa que eu gostei muito de conhecer melhor foi a roda dos engraxates, que acontecia em algumas praças. Apesar de ser uma coisa para a diversão também havia um olho na indústria fonográfica e quem fazia essa ponte era o Toniquinho Batuqueiro. Ele era como um olheiro, mas também jogava. Foi ele que levou o Germano Mathias, por exemplo.
 
De quebra, cada dia do lançamento tem um show com algum convidado especial. Veja aí as informações:

SERVIÇO:

Show e lançamento do livro “Batuqueiros da Paulicéia”, de Osvaldinho da Cuíca e André Domingues

Local: Chopperia do Sesc-Pompéia

Data: de 7 a 10 de maio
Horários: quinta, sexta e sábado, às 21h, domingo, 18h30.

Preços:
R$ 16,00 (inteira)
R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante)
R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)

PROGRAMAÇÃO E CONVIDADOS ESPECIAIS:

Dia 07/05
Celso Viáfora
Quinteto em Branco e Preto
Apresentação: Wandi Doratiotto.

Dia 08/05
Bebeto
Amigos do Vai-Vai (Thobias da Vai-Vai, Paquera e Chapinha)
Apresentação: Fabiana Cozza.

Dia 09/05
Germano Mathias
Samba de Roda de Pirapora
Apresentação: Wandi Doratiotto.

Dia 10/05
Seu Carlão do Peruche
Clube do Balanço
Apresentação: Fabiana Cozza.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Vermute entrevista Nicolas Krassik

Nicolas Krassik tinha tudo para jamais conhecer a música brasileira. Ou pelo menos não se empolgar com ela. Nasceu em Paris. Estudou por quase 15 anos no Conservatoire National de Region d´Aubervilliers-la Courneuve, onde se formou em violino clássico. Aos 20 anos passou mais um ano no Centre de Formation Musicale de Paris, estudando jazz. Sua vontade era tocar mesmo rock e funk no violino.

Mas ele ouviu os acordes do choro e samba e se apaixonou. Aos 31 anos de idade se mudou para o Brasil para resolver seu “problema” com a música brasileira. Ia passar seis meses, mas já mora no Rio de Janeiro há sete anos. A música brasileira não foi adotada apenas no violino. Seu sotaque já abandonou os “erres” duros do francês para falar tranquilamente os “esses” do carioquês.

Recentemente gravou seu terceiro disco, o Cordestinos, que reúne jazz e música nordestina. A seleção de músicas, com arranjos do próprio Nicolas, é um primor. Fui ao show de lançamento do disco e fiquei extasiado. Decidi que queria fazer uma entrevista para o Vermute e, por esse motivo, Nicolas me atendeu por telefone pouco antes de fazer um show:

De tanto morar no Brasil, você já atende por Nicolas (e não Nicolá como seria a pronúncia francesa do seu nome)?
Ah sim, atendo sim. Olha, até geralmente me apresentam como Nicolas e eu me apresento como Nicolas, porque se eu falar Nicolá, as pessoas não entendem. Aliás, eu já falo como carioca Nicolas [fala escorregando no “s”].

O violino foi seu primeiro instrumento?
Foi. Eu tinha cinco anos e meio. Minha mãe tocava piano e meu pai violão. Minha irmã, que é mais velha do que eu, já tinha ido para o conservatório e eu tinha que ir também. Minha mãe não perguntou nem se eu queria tocar, mas perguntou o que eu iria tocar. Escolhi o violino e entrei com cinco anos e meio. Terminei com 19 anos. A França tem essa cultura de música de violino muito forte.

Como começou sua relação com a música brasileira?
Minha relação com a música brasileira começou antes, de várias maneiras. Meu pai, como tocava violão, tinha alguns discos do Baden [Powell], do Villa Lobos. Então eu ouvia sem saber. Mais tarde, quando eu comecei a tocar jazz, toquei com um guitarrista que era fã do João Bosco e de Dominguinhos. Eu me lembro que até aprendi a tocar um pouco de violão para tocar umas músicas de MPB que acabei conhecendo. Mas o que me tornou um viciado em música brasileira foi uma festa em um bar que tinha músicos que tocavam música brasileira. Lá comecei a aprender a dançar, conheci alguns capoeiristas que freqüentavam, entrei em uma academia de capoeira e joguei capoeira por cinco anos. Minha vida se dividia entre o jazz e a música brasileira. Todo final de semana ia para este bar e outros que tocavam.

E a primeira música brasileira que você fez um arranjo era do Pixinguinha...
Um ano antes de vir para o Brasil, fui convidado para um festival de jazz na Alemanha. Era um festival de free jazz, que era todo dedicado ao Pixinguinha. Me lembro que a gente ensaiou por três dias. A idéia era fazer o show e gravá-lo. Cada músico tinha que preparar duas músicas do Pixinguinha, fazer uma leitura como quisesse. E cada um chegou com uma coisa maluca. Tinham algumas interpretações mais tradicionais, de gente que já o conhecia, e tinham coisas totalmente malucas. Pro show eu acho que acabei nem fazendo duas músicas, fiz o “Vou Vivendo” dele. Depois do show eu fiquei com umas partituras dele. Também me lembro que alguém me emprestou um bandolim para eu aprender a tocar. Como é a mesma afinação do violino e tal. Eu já estava ensaiando para vir para o Brasil e me animou um disco que eu tinha escutado do Raphael Rabello e do Armandinho. Quando cheguei já sabia tocar uma ou duas músicas do Pixinguinha no bandolim. E de certa forma eu dei um pouco de sorte porque quando cheguei aqui o choro estava voltando à moda. Eu, como músico de jazz, me identifiquei muito. Achei tudo muito divertido, os músicos maravilhosos. Aí comecei a pesquisar um pouco e depois comecei a dar minhas canjas. Eu já sabia falar um pouco de português e entendia um pouco também. No geral consegui me comunicar bem.

Como veio a decisão de morar no Brasil?
Foi depois de umas férias que passei, durante o carnaval. Eu voltei com a sensação que não tinha conhecido o Brasil na melhor época do ano. Fiquei com uma lembrança muito boa e comecei a pensar nisso e falar com meus amigos músicos que sabiam que eu estava totalmente envolvido. E alguns amigos me disseram: “Por que você não vai prá lá, passar um tempo?” Pra mim parecia impossível, mas aos poucos comecei a pensar e essa idéia começou a me obcecar. Decidi passar uns seis meses pra resolver esse assunto. Então, fiquei uns cinco meses em Paris me organizando. Vendi minha casa, meu carro, meu som. Preparei a mala, comprei um laptop e fui. Tudo isso sem saber o que eu iria encontrar. Eu só tinha um contato de um amigo de um amigo meu para me receber.

E deu certo, né?
E deu muito certo. Foi a primeira vez que eu fiz isso. Nunca tinha tirado férias e viajado sozinho. De repente me vi no aeroporto, com minha mala e meu violino. Eu tinha uma lista enorme de endereços para procurar. Acabei fazendo amizade muito rápida com os músicos. Ainda mais que no Brasil o povo é muito receptivo. Quando vi já estava aqui há seis meses e não dava pra voltar mais. Até teve uma época que minha mãe estava um pouco doente. Fiquei sem saber o que fazer. Me deu vontade de voltar para ficar com ela, mas eu sabia que ela mesmo não queria que eu fizesse isso. Eu ia ter que deixar muita coisa para trás. Fiquei balançado, mas não voltei. Ela faleceu. Atualmente meu pai não está muito bem, mas minha vida está aqui. Construí uma família aqui e não consigo imaginar minha vida em Paris outra vez. Quando eu vou lá de férias é só para curtir com a minha família e com meus amigos, porque eu nem gosto muito mais de lá. Hoje, para eu voltar de vez, só se acontecesse alguma coisa muito séria, como uma guerra. Aí, seu eu precisasse fugir, eu usaria meu passaporte francês.



Como surgiu a idéia de mesclar jazz, música erudita e ritmos nordestinos?
A música erudita não existe mais na minha vida. Eu não toco mais. O violino lembra a musica erudita, mas o trabalho é sempre popular. Já o jazz sempre fez parte da minha bagagem. O conservatório sempre foi musica clássica, é verdade, mas depois estudei violino com jazz. Toquei com Michel Petrucciani (foto abaixo) e Didier Lockwood. Na verdade, eu comecei a estudar jazz porque queria tocar rock e funk e me disseram que se eu estudasse jazz teria elementos para tocar qualquer tipo de música. Então isso faz parte da minha bagagem e improvisar é meu maior prazer. Adoro improvisar. Agora meu jeito de improvisar mudou com música brasileira. Isso acaba criando um estilo muito pessoal.


E esse seu estilo acabou conquistando um espaço aqui...
O que faz a gente traçar uma carreira e ter um público é a união de muitos fatores. Sou muito perfeccionista, mas você pode ser um grande músico e não dar certo. Eu sou francês, toco violino (que não é popular na música brasileira), dei sorte de conseguir agradar. Claro que não é só sorte, é muito trabalho também. É vontade de querer agradar. Mas a minha maior vitória não é vender disco ou fazer shows lotados, mas a aceitação do meio musical. Tenho a sensação que eles me aceitaram. Já me sinto fazendo parte deles. Não sou mais um francês que chegou aqui para tocar violino. Não sinto qualquer rejeição. Sou muito bem tratado e respeitado. Também porque eu respeito muito.

Na faixa sete (Chamego Bom), do novo disco, eu me lembrei muito do estilo do Piazzolla de fazer música? Você gosta do Piazzolla?
Adoro Piazzolla, acho maravilhoso. Eu toco no LiberTango. A gente sempre está junto e eu sempre faço participação com eles. No primeiro disco deles eu tocava em quase em todas a músicas. Meu contato com Piazzolla começou na França: eu tocava com um bandoeonista em um quarteto de cordas. Mas a musica do Zé Paulo [Becker] não tem muita diferença do que eu fiz pra o que ele fez. È que o violino é muito forte no Piazzolla e por isso pode dar essa impressão.



Qual compositor brasileiro você mais admira?
Sou fã do Jacob do Bandolim. Foi ouvindo ele que me deu vontade de tocar choro, até porque o bandolim tem a mesma afinação do violino. Acho que o Jacob tem uma linguagem moderna. que continua sendo moderno hoje. Eu adoro choro, mas as pessoas acham que só por que eu toco música instrumental só tenho referências de música instrumental. Mas eu sempre preferi escutar musica cantada. Quando estou com vontade de escutar música, para relaxar, eu vou colocar um disco do Paulinho [da Viola], do Chico [Buarque], da Marisa Monte. Não sei por que. Eu gosto das letras. Também sou fã do Dominguinhos. Em cada CD meu estou gravando músicas dele. Meu sonho é poder trocar algumas notas com ele.

Como você faz a escolha do seu repertório? Você não compõe?
Ah, isso é uma dor de cabeça. Eu não sou compositor, fiz quatro musicas na minha vida. Uma não gravei. Tem tanta coisa que estou a fim de tocar, que não me dá tanta vontade de criar outras. Eu gosto de fazer arranjos que são a princípio simples, mas em um ritmo diferente. Para não ser só mais uma interpretação da música, sabe? Mas compor é meu...eu nunca gosto do que eu faço. No CD anterior, compus uma música para minha mãe, que havia falecido. Então aí foi fácil e eu gostei do resultado. A música saiu em uma noite. Quando eu vi eu gostei, quis compor outra, como se fosse um exercício de estilo. Aí resolvi compor um maxixe e fiz um maxixe. Depois, então, quis compor um baião. E com essa formação do novo disco, fica difícil fazer uma música mais melodiosa, mais romântica. Mas eu cheguei no estúdio, sem ninguém saber dessa musica e apresentei: “Olha só, eu tenho essa música, mas acho que não estou gostando”. Eles gostaram e decidimos gravar [é a música Cordestinos, faixa 4 do disco]. Foi gravando que comecei a gostar. Mas, sinceramente, eu nem penso em fazer alguma coisa só autoral por enquanto.

Sempre entra um sambinha?
É, até agora sim. Eu adoro samba, choro e tudo isso. Sou apaixonado por tudo isso. O forró foi, digamos, minha última aquisição. Tenho uma identificação um pouco maior porque o ritmo me é mais familiar. Sinto uma atração muito forte pelo ritmo, sinto vontade de dançar. E essa coisa de gostar de música cantada: Noel, Nelson Cavaquinho, são coisas que gosto. No primeiro disco fiz “Tudo se Transformou” do Paulinho da Viola e não coloquei uma nota de improviso.

Dos seus discos, qual seu preferido?
Acho que eu mais do último porque foi um projeto que fiz do início ao fim. Pensei na formação do grupo, no repertório, nos arranjos, fiz produção, pós-produção, mixagem... fiz tudo. Ele é realmente um filho. Mas pelo primeiro [Na Lapa] eu tenho um carinho especial por ser meu primeiro disco.

E a música preferida de Cordestinos?
Hum...não sei, é difícil. Deixa eu ver a musicas aqui... talvez “O amor daqui de casa”, do gil, que é trilha do filme “Eu, Tu, Eles”. Quando voltei do Brasil para a França comprei esse disco. Essa foi minha trilha por cinco meses. Essa música faz parte desse momento da minha vida. E eu tenho um carinho especial por ela. E qualquer uma do Dominginhos, mas eu não sei mesmo.

No disco anterior tinha rabeca também?
Tem sim, o Luis Paixão, um grande rabequeiro que conheci em Olinda. Era tão bom que decidi que ia gravar a rabeca dele. Aluguei um estúdio em recife, gravei uma zabumba de referência, e gravei a rabeca dele. Quando cheguei no Rio, fiz os arranjos e ficaram sendo as últimas músicas do disco [Bem Temperado e Arrumadinho].

Mas você nunca tinha gravado você tocando a rabeca?
Mas no disco novo toquei rabeca pela primeira vez. O Marcos [Moletta] que fazia. Meu jeito de tocar é diferente. Até a forma de empunhar é diferente. A rabeca você põe no braço, que é uma coisa de tradição, mas limita mais pra algumas coisas. Eu tentei tocar assim, mas comecei a sentir dor no braço, na mão. Eu não vou tocar pior só pelo lado visual

Há quanto tempo o grupo deste disco toca junto?
Faz um ano e meio da primeira apresentação que chamei eles e a gente fez um show no Rio. Aí gravamos um CD demo, fizemos protótipo de show e soou pra mim como um CD...

Você é um cara que gosta de estudar música brasileira?
Vou muito assim, cada dia é um dia. Eu não estudo muito tempo. Não gosto muito de estudar. Já estudei demais. Estudo quando tenho que tirar alguma música e estudo um pouco de percussão. Estou estudando zabumba há dois anos e meio. Tenho minha zabumba e já dei canja de zabumba. Agora estudar um gênero... Talvez fiz isso no início, mas hoje em dia vou aos poucos, dependendo do que quero.

Você está saindo do Brasil para fazer shows agora?
Eu e o Yamandu [Costa] vamos para a Finlândia, Córsega e Alemanha. Mês que vem, iremos para o Canadá e há uma previsão de ir tocar no Japão. Mas com o “Cordestinos” estamos começando. Fizemos um lançamento em São Paulo e um grande lançamento no Rio. Agora estamos mandando CD´s para organizadores de festival. Meu sonho é tocar isso no nordeste. Sei que no nordeste tem aquele forró que não me agrada muito, esse forro mais eletrônico... Não sei como os forrozeiros de lá vão receber essa rabecada moderna. Mas tem tudo a ver, né?

domingo, 30 de março de 2008

Vermute Entrevista: Caio Bassitt

Ele vive em uma fina linha criada entre o samba e o blues. Desde pequeno ouve nomes como Stevie Ray Vaughan e Buddy Guy. Na adolescência caiu em suas mãos uma coletânea de discos do Noel Rosa, feita pelo seu professor de biologia, o especialista Omar Jubran. O resultado dessa equação é Caio Bassitt, que divide seu tempo entra a guitarra da banda Australopitecus, o violão e as aulas do curso de letras na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP).

Seu maior ídolo na música não é sambista, mas foram os versos do samba que o ampararam depois de uma desilusão amorosa. Para ele, o elo entre as músicas que cria está no lamento e nas raízes africanas.

Em 2005 lançou um disco com composições próprias (algumas delas feitas nos idos dos seus 16 anos e a primeira faixa composta quando Caio ainda nem ouvia samba) e parcerias. Com uma variedade musical ampla, o disco intriga quem escuta com cuidado. Entretanto ainda guarda um Caio um pouco verde, buscando o amadurecimento nas letras e melodias.

O Vermute com Amendoim entrevistou este paulista e descobriu mais algumas histórias de Caio, contadas aqui:

Vermute com Amendoim: Uma das coisas que me fascina é sua passagem do blues para o samba. Como foi essa história?
Caio Bassitt: Eu sempre toquei guitarra desde os oito anos. Tinha uma banda de blues e de rock na adolescência e sempre considerei, por puro desconhecimento, o samba esse pagode que a gente ouve nas rádios. E quando eu namorava, a família da minha namorada sempre ouvia Vinícius [de Moraes], Chico Buarque, mas eu não dava muita atenção. Curtia um Rock! Aí, quando o namoro terminou... Primeira desilusão...Você sabe como é!(risos). Fui viajar com um amigo e vi uma roda de samba com um pessoal mais velho tocando um samba. Noel, Nelson Cavaquinho, Ataulfo Alves, Cartola... Eu comecei a prestar atenção nas letras e identifiquei muito com o momento que estava passando. A partir daí, comecei a pesquisar o samba e a freqüentar rodas em São Paulo, e entendi sua beleza, importância e sua origem de lamento. Acabei comprando o Box do Noel rosa e deixei a guitarra de lado. Passei uns seis anos sem tocar guitarra, e comecei a estudar violão.

VCA: A guitarra ficou definitivamente de lado?
CB:
Depois de um tempo, uns amigos me convidaram para fazer um blues. Nós formamos uma banda, ensaiamos e tocamos em alguns eventos e bares.

Como chama a banda?
CB:
Australopitecus.

VCA: Que tipo de som vocês tocam?
CB:
A gente toca muito Stevie Ray Vaughan... Buddy Guy ,Jimi Hendrix, Chuck Berry, Beatles...

VCA: E como é viver no limite entre o samba e o blues?
CB:
É engraçado, porque o samba e o blues têm uma raiz parecida. Os dois têm essa questão do lamento, essa raiz africana. Estou embasado nas duas. O blues eu ouço e toco desde moleque e o samba veio mais tarde, mas no fim e eles se complementam... Mesmo os trabalhos sendo diferentes.

VCA: A Teresa Cristina foi no show do Iron Maiden, você também?
CB:
Não. Gosto de algumas músicas do Iron Maiden. Acho que são grandes músicos e artistas. Admiro a presença de palco deles. Eu prefiro o Rock mais Clássico...Elvis, Chuck Berry...

VCA: Quando seu disco foi lançado? Como foi a seleção das músicas?
CB:
O disco começou em 2005 e terminou em 2006. Foi, na verdade, uma homenagem aos meus amigos, que me acompanhavam pelos bares da cidade tocando e cantando. Porque o samba existe nesse ambiente. No ambiente de instabilidade, da madrugada, da desarmonia, da angústia, do “Desconcerto do mundo”...E, queira ou não, vivemos essa oscilação todos os dias.

VCA: Ficou muita coisa de fora?
CB:
Ficaram algumas músicas.

VCA: E você já pensa em lançar outro?
CB:
Por enquanto não. Vou esperar amadurecer esse. Estou com algumas músicas mais recentese algumas que ficaram fora da seleção do cd, mas ainda não é o momento de gravá-las.

VCA: Alguma música neste disco tem uma história curiosa?
CB:
Quando eu fiz a 1ª música do CD (“Pra Você”), eu tinha uns 16/17 anos. Não ouvia samba na época. Foi uma coisa engraçada. O samba saiu...Com uma mistura de blues, mas saiu. Tem uma história pra “Você que levou meu violão” (também do CD) que foi um fato real. Eu estava tocando em um sarau com bastante gente conhecida. Ai, me chamaram pra cantar... E como havia um violão na roda já sendo usado, deixei meu violão num canto. Quando eu voltei o violão não estava mais lá. Gostava muito daquele violão. Fiquei namorando ele um tempão, e quando eu estava com ele alguém leva embora assim... Aí fiz esta música como vingança...Pra evitar assassinato (risos).

VCA: E a “Vinho de Dionísio”?
CB:
Essa eu compus a partir de uma conversa profundamente calorosa com dois amigos sobre namoro, casamento... E uma amiga falou pra gente que gostaria de casar virgem. Aí começou uma discussão sobre isso... Sobre ela querer viver como uma freira...Até que ponto seria uma hipocrisia de pensamento moldado pela sociedade para preservar uma imagem ou um desejo realmente puro e transparente...Enfim... “Vinho de Dionísio” é uma reflexão sobre o sexo santificado e o amor profano.

VCA: Um ídolo na música?
CB:
Stevie Ray Vaughan... Noel Rosa.

VCA: Qual disco de samba você considera indispensável no acervo?
CB:
Tem vários...O Box do Noel Rosa e todos do Stevie Ray.

Veja a entrevista que o Vermute com Amendoim fez com o diretor do filme Noel, o Poeta da Vila.

Saiba mais sobre Stevie Ray Vaughan

Ouça as músicas de Caio Bassitt

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Vermute entrevista Ricardo Van Steen

Ricardo Van Steen não é cineasta de formação, mas já dirigiu dois filmes sobre Noel Rosa. O primeiro deles, em 1996 é um curta de 18 minutos sobre Noel de Medeiros Rosa, chamado “Com que roupa?”. Mas sua segunda obra sobre o compositor carioca é que está agradando mais o público, o longa “Noel, o Poeta da Vila”, agora exibido no circuito comercial de cinema.

Sem ter certeza de que a obra é perfeita, Ricardo não vê problemas em aceitar críticas, como o fato de que o próprio Noel, interpretado por Rafael Raposo, pouco canta suas músicas. Mesmo assim Van Steen colocou a cara ao tapa e tem se saído muito bem na sua primeira experiência com longa-metragem.

O diretor recebeu a equipe do Vermute com Amendoim em uma entrevista exclusiva e esclareceu mais do filme para quem já viu e para quem ainda pretende ver. Confira:


Vermute com Amendoim: A idéia de fazer o filme sobre Noel veio da biografia feita pelo João Máximo. O que mais te interessou na vida de Noel Rosa?
Ricardo Van Steen: Achei que foi mais do que tudo a vida de sambista, o ambiente do samba, o tipo de conversa, tipo de ritmo que a vida tem, sem muito batente, sem muito bater cartão. Ao mesmo tempo é trabalho como qualquer outro deste que o cara rala pra cacete também.

VA: Em 1996 você filmou um curta, chamado “Com que roupa?”. O que mudou de um filme para o outro?
RVS: Ah, mudaram dez anos de vida e dez anos de reflexão, dez anos de aprendizado, de Noel e de cinema. O mundo mudou completamente nesses dez anos. No cinema em que a gente ia quando eu comecei a fazer o “Com que roupa?”... Nem sei se você viu os filmes que eu já vi... “Touro Indomável”. Mudou demais o cinema nesses dez anos.

VA: No seu primeiro longa você teve que sintetizar 26 anos de Noel em uma hora e meia. Quais as principais dificuldades? (Foram 10 anos de gravações, com problemas de dinheiro)
RVS: A gente ficou com os sete anos finais, mesmo assim... A dificuldade é aprender fazendo, eu acho que essa é a dificuldade. Então você não sabe nada e tem que aprender errando, erra e aí acerta, erra e acerta, erra então demora. E você tem que aprender tudo, pois é uma indústria que tem 500 mil particularidades desde a hora de arrumar dinheiro até a hora de se apresentar, a hora de exibir as suas idéias, a hora de desenvolver o trabalho, prestar contas, é um aprendizado todo dia. E aí vou falar, é claro, da dramaturgia, contar uma história. Tem tanta coisa pra decidir a todo momento, é uma superescola. Então se eu tivesse feito faculdade eu teria aprendido um monte de coisas que teriam me facilitado nas decisões, mas dificilmente eu teria tanta experiência técnica como eu tive fazendo o outro caminho. Então acaba que é apenas o rio que faz as suas margens. É isso aí, cada um é um, e o tempo é o tempo que precisa pra ficar pronto.

VA: Como foi o treinamento do Rafael para entrar na personagem? Quais quesitos vc exigiu dele?
RVS: Ele fez mais de uma dúzia de cursos, desde a questão postural, da boca né...

VA: Ele usou uma prótese, né?
RVS: A boca que tem uma prótese. Chegou um dia antes da filmagem sem treinamento sem nada, pra desandar tudo o que ele aprendeu em dois meses. Ele perdeu de novo a dicção, perdeu a afinação...A hora em que botaram aquele plástico dentro da boca dele, travou geral. Mas foi bom pro filme. Ele ficou meio doidão, meio desestruturado e foi interessante.

VA: Apesar de o Rafael estar muito bem na pele de Noel, são poucas as vezes que se vê ele cantando. Em seu lugar, Aracy de Almeida ou Francisco Alves é que interpretam mais. Por quê?
RVS: Eu me filiei à história, o Noel interpretava quase que só pra rádio mesmo, quer dizer, só quando não dava para ter um cantor. Daí ele ia lá e cantava. É claro que, como ele tinha um posição de líder na rádio, na medida que ele organizava a vida de todo mundo, preparava as gravações, os programas, ele ajudava a todos...Todo mundo queria ele cantando. Era o Noel, era o jeito dele e tal, mas ele não era um cara que queria cantar tanto assim. Ele era um compositor, um ótimo instrumentista. Apesar de que para os superexigentes, parece que o irmão era melhor.


VA: A síncope da música de Noel, que revolucionou o caminho do samba, não se esconde quando Francisco Alves aparece mais?
RVS: É, é engraçado que eu li isso na sua matéria... Por que você não faz essa pergunta para o Filipe [Luis Filipe de Lima – Diretor Musical]? Acho que essa é boa pra ele, porque eu sou um reles diretor. Eu não chego aí. Hoje, depois de pronto e na tela eu sei do que você está falando. Mas eu cheguei a entender de tanto ficar dentro do estúdio, ouvindo e entendendo um pouco do que você está falando. Pra falar em síncope o cara precisa ser músico. Mas eu te entendo, acho que o filme tem um andar na linha em excesso, sem passear no ritmo. Isso mostra que tem que ter um equilíbrio da história emocional dele com a história musical. Espero que no próximo filme eu consiga ir tão adiante em todos os aspectos, até nessa questão. Porque isso é uma arapuca do destino, porque na medida em que você vai enxugando, enxugando os personagens pra caber em uma história menor, você acaba optando por aquele que mais cantou Noel, mas que não necessariamente reverberou o que o Noel trazia de novo em termos de síncope. Mas se tinha alguém que cantava Noel nessa época era esse cara. Ele deu vazão à metade da produção do Baixinho.

VA: No filme, você optou por algumas cenas diferente do que se vê no cinema brasileiro, como uma em que o teto é filmado, ou quando o personagem não fica totalmente enquadrado. O que o levou a escolher isso?
RVS: Acho que essas imagens representam as dúvidas, as incertezas, os questionamentos dele. Cada vez que aparece uma desta, você pode ter certezaa que ele está em um momento de indecisão ou indefinição. Ou ele está totalmente indefinido na suas idéias do que fazer ou ele tem que decidir naquele momento. Aquela parede pra ele quer dizer ou ele decide, toma um rumo ou ele não vai chegar lá.

VA: Durante as filmagens, algum fato engraçado aconteceu? Algo que você não esperava?
RVS: Tem pouco disso, viu? É porque a nossa pobreza não permite. Você já está tão estrangulado no tempo para conseguir fazer tudo o que você já tinha pensado que não tem como aceitar o improviso ou o inesperado. É muito raro. Mas tem: aquela cena dele no banheiro passando mal, que ele vai pra festa vomita e...Aquilo não existia no roteiro. A gente foi filmar em uma locação na delegacia e de repente eu visitando o banheiro e tinha aquele banheiro incrível dos anos 30. Aí a gente falou: ‘Que roupa que o Noel tá? Ah, é a mesma da festa. Então vomita aí’ E ficou muito bom, mas foi a única coisa que se improvisou, praticamente.

VA: Você acredita que o filme possa de certa forma catequizar os ouvidos do público, já acostumados com o pagode?
RVS: O que eu queria é que soubessem alguma coisa sobre o Noel, porém que ainda venha outros filmes pra falar de síncope, de malandragem, mas de outra forma, com mais isso e menos aquilo...Porque é um cara que merece 10 filmes. É que nem Macbeth, merece ser refilmado a vida toda.

VA: Pretende filmar alguma outra história do samba? Tem outros projetos?
RVS: Já, você já ouviu falar no Vassourinha? Então estamos investigando essa seara...

VA:Você tem alguma canção preferida de Noel?
RVS: Olha, dentro das que eu tenho ouvido na trilha é “Mais um samba popular”. Não sei se você teve chance de prestar atenção nela, porque é a primeira música dos letreiros e normalmente as pessoas estão batendo palma nessa hora. É a que eu estou curtindo.
Créditos das fotos do filme: Alexandre Ermel
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