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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

João Nogueira, Paulo César Pinheiro e a ‘Parceria’

Entre tantas parcerias no meio da música que poderia ter escolhido para estrear e retomar os trabalhos do Vermute com Amendoim, nenhuma me marca mais que João Nogueira e Paulo César Pinheiro. Os amigos conhecem a ligação que tenho com a obra desses dois bambas e, por isso, não vão estranhar que o primeiro texto seja referente a eles.

João e Paulinho se conheceram por intermédio de Gisa Nogueira que, no início dos anos 70, era colega de trabalho da irmã de Baden Powell, primeiro grande parceiro de Paulinho - mas ai é outra história... Fato é que os dois se deram bem logo de cara durante um encontro no Clube do Méier e só um bom tempo depois firmaram a primeira parceria: Espelho.

Nome sagrado não só do samba , mas como da poesia, Paulo César Pinheiro em um de seus escritos cravou que “parceria é um casamento que não cansa; porque não há contrato e nem cobrança; ciúmes tem… mas isso é passageiro; quem é traído, muitas vezes reage; propondo aos dois fazer um ménage; no instrumento do próprio parceiro”.

Quase na metade dos anos 90, após anos de amizade, parcerias e histórias, João viu esse ciúme despertar e cobrou o parceiro. Era impossível que os dois ainda não tivessem subido ao palco juntos em um show para celebrar tal parceria e tantas obras.

Paulinho topou a ideia, o roteiro foi traçado e o show executado em São Paulo, no SESC Pompeia, no ano de 1994, com a produção de Eduardo Gudin.

No vídeo abaixo você vai ouvir uma história relacionada ao show contada por Paulo César Pinheiro em agosto de 2010 na Taberna da Glória a mim e aos meus dois parceiros Tuca Veiga e Guilherme Reis na empreitada que rendeu o livro João Nogueira: Ninguém faz samba só porque prefere.

Quer ouvir o álbum inteiro? Basta clicar aqui e fazer o download. Todas são pedradas. Um álbum escolhido com muito carinho para marcar a volta do nosso bom e velho Vermute com Amendoim.

Parceria: João Nogueira e Paulo César Pinheiro

1- Espelho / 2- Eu hein Rosa/ 3- E lá vou eu/ 4- Bafo de boca/ 5- Bares da cidade/ 6- As forças da natureza/ 7- Batendo à porta/ 8- Chorando pela natureza/ 9- Banho de Manjericão/ 10- Súplica/ 11- Poema Paulo César Pinheiro/ 12- Minha Missão/ 13- Um ser de luz/ 14- Chico Preto/ 15- Rio, samba, amor e Tradição/ 16- Primeira Mão/ 17- Além do espelho.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

10 Discos para aprender a ouvir samba (Anos 70)

Sou um evolucionista. E, por preconceituoso que possa parecer, temo em dizer que acredito que todo pagodeiro possa um dia virar sambista. Mas é nisso mesmo que tenho fé. Que os encaminhamentos melódicos infantis e as letras que rimam ‘amor’ com ‘dor’, só agradam a pessoas que não deram devida atenção aos cânones do verdadeiro samba. Coletei uma prova cabal no último final de semana, quando apresentei a um pagodeiro de primeira o disco da Cristina Buarque e Terreiro Grande. Mesmo sem conhecer a grande maioria das músicas, ele foi só elogios. Isso me motivou a fazer este post:

10 Discos essenciais para aprender a ouvir samba (Anos 70)

1 – Cartola (1974)
O primeiro disco que Cartola gravou é talvez o melhor dele. Com 66 anos, depois de passar por duras penas, Angenor de Oliveira consegue espaço na gravadora de Marcus Pereira. A emoção com que canta seus sambas é impressionante. Todas as músicas são excepcionais.

2 – Cartola (1976)
Quem ouviu o primeiro, é obrigado a partir para o segundo. Com clássicos como “O Mundo é um Moinho” e “As Rosas Não Falam”, Cartola deixou o público da época abismado com sua imensa capacidade. Um compositor do morro apresentava seus versos simples, sem deixar de ser profundos.

3 – Candeia - Axé! Gente Amiga do Samba (1978)
O último disco de um dos grandes mestres portelenses é considerado por muitos o melhor dele. Com participação de Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus, o disco tem apenas sete músicas, mas todas são de altíssimo nível. Destaque para pout-porri dos partidos-alto Gamação – Peixeiro Granfino – Ouço uma voz – Vem.

4 – Paulinho da Viola – Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida (1970)
A suave voz de Paulinho cantando um dos seus maiores clássicos é impagável. A música que dá nome ao disco se tornou um hino portelense, mas não é o único destaque do disco. Valem ser citados “Jurar com Lágrimas” e “Sinal Fechado”, um samba com novo conceito, que alfinetava os ditadores.

5 – Clementina de Jesus – Marinheiro Só (1973)
Um resumo da negritude. É essa a maneira mais simples de descrever Clementina de Jesus, uma partideira de mais alto nível. O destaque do disco, sem dúvida, vai para “Na linha do Mar” do mestre Paulinho da Viola.

6 Candeia, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito – Os Quatro Grandes do Samba (1977)
Um encontro desse porte não podia ter ficado pra trás. É uma boa oportunidade de conhecer ao mesmo tempo, Candeia, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e seu principal parceiro, Guilherme de Brito. Destaque para “A Flor e o Espinho” e “Quando eu me chamar saudade”.

7 – Martinho da Vila – Memórias de um Sargento de Milícias (1971)
A grande maioria das pessoas não conhece muito mais do Martinho do que “É devagar, é devagar...”. Mas o mestre da marcha lenta tem coisa muito boa por aí. Este disco é a prova cabal. O alto nível se nota já na primeira música.

8 – Cristina Buarque – Cristina (1974)
Com apenas 24 anos Cristina Buarque gravaria seu primeiro disco e um dos seus maiores sucessos. O samba “Quantas lágrimas”, de Manacéa até hoje é cantado em rodas de samba por aí. Também merece destaque “Tatuagem”, a bela música do seu irmão que já era peixe grande na época.

9 – Velha Guarda da Portela – Passado de Glória (1970)
A versão original de “Quantas Lágrimas” já seria motivo suficiente para este disco estar na lista. Mas há mais. Um deles, a presença de um dos maiores violonistas do samba: César Faria. Além disso, é uma oportunidade e tanto para entrar em contato com uma Velha Guarda que o tempo está desintegrando.

10 – Adoniran Barbosa – Adoniran (1974)
É o primeiro disco deste ítalo-caipira. Com um repertório cheio de sucessos, não dá para escutar essa obra-prima sem sair plenamente satisfeito. O destaque vai, sem sombra de dúvidas, para a música “As Mariposas”.

A intenção não é fazer uma mera lista dos 10 melhores, mas sim discos bons e de fácil audição. Sei que há muitos outros discos de igual qualidade que poderiam ser colocados aqui. Por isso aguardamos sugestões para a sequência, que será sobre a década de 60.

*Fonte de Pesquisa de datas: Discos do Brasil
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