Sou um evolucionista. E, por preconceituoso que possa parecer, temo em dizer que acredito que todo pagodeiro possa um dia virar sambista. Mas é nisso mesmo que tenho fé. Que os encaminhamentos melódicos infantis e as letras que rimam ‘amor’ com ‘dor’, só agradam a pessoas que não deram devida atenção aos cânones do verdadeiro samba. Coletei uma prova cabal no último final de semana, quando apresentei a um pagodeiro de primeira o disco da Cristina Buarque e Terreiro Grande. Mesmo sem conhecer a grande maioria das músicas, ele foi só elogios. Isso me motivou a fazer este post:10 Discos essenciais para aprender a ouvir samba (Anos 70)
1 – Cartola (1974)O primeiro disco que Cartola gravou é talvez o melhor dele. Com 66 anos, depois de passar por duras penas, Angenor de Oliveira consegue espaço na gravadora de Marcus Pereira. A emoção com que canta seus sambas é impressionante. Todas as músicas são excepcionais.
2 – Cartola (1976)Quem ouviu o primeiro, é obrigado a partir para o segundo. Com clássicos como “O Mundo é um Moinho” e “As Rosas Não Falam”, Cartola deixou o público da época abismado com sua imensa capacidade. Um compositor do morro apresentava seus versos simples, sem deixar de ser profundos.
3 – Candeia - Axé! Gente Amiga do Samba (1978)O último disco de um dos grandes mestres portelenses é considerado por muitos o melhor dele. Com participação de Dona Ivone Lara e Clementina de Jesus, o disco tem apenas sete músicas, mas todas são de altíssimo nível. Destaque para pout-porri dos partidos-alto Gamação – Peixeiro Granfino – Ouço uma voz – Vem.
4 – Paulinho da Viola – Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida (1970)A suave voz de Paulinho cantando um dos seus maiores clássicos é impagável. A música que dá nome ao disco se tornou um hino portelense, mas não é o único destaque do disco. Valem ser citados “Jurar com Lágrimas” e “Sinal Fechado”, um samba com novo conceito, que alfinetava os ditadores.
5 – Clementina de Jesus – Marinheiro Só (1973)Um resumo da negritude. É essa a maneira mais simples de descrever Clementina de Jesus, uma partideira de mais alto nível. O destaque do disco, sem dúvida, vai para “Na linha do Mar” do mestre Paulinho da Viola.
6 – Candeia, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito – Os Quatro Grandes do Samba (1977)Um encontro desse porte não podia ter ficado pra trás. É uma boa oportunidade de conhecer ao mesmo tempo, Candeia, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e seu principal parceiro, Guilherme de Brito. Destaque para “A Flor e o Espinho” e “Quando eu me chamar saudade”.
7 – Martinho da Vila – Memórias de um Sargento de Milícias (1971)A grande maioria das pessoas não conhece muito mais do Martinho do que “É devagar, é devagar...”. Mas o mestre da marcha lenta tem coisa muito boa por aí. Este disco é a prova cabal. O alto nível se nota já na primeira música.

8 –
Cristina Buarque – Cristina (1974)Com apenas 24 anos Cristina Buarque gravaria seu primeiro disco e um dos seus maiores sucessos. O samba “Quantas lágrimas”, de Manacéa até hoje é cantado em rodas de samba por aí. Também merece destaque “Tatuagem”, a bela música do seu irmão que já era peixe grande na época.
9 – Velha Guarda da Portela – Passado de Glória (1970)A versão original de “Quantas Lágrimas” já seria motivo suficiente para este disco estar na lista. Mas há mais. Um deles, a presença de um dos maiores violonistas do samba: César Faria. Além disso, é uma oportunidade e tanto para entrar em contato com uma Velha Guarda que o tempo está desintegrando.
10 – Adoniran Barbosa – Adoniran (1974)É o primeiro disco deste ítalo-caipira. Com um repertório cheio de sucessos, não dá para escutar essa obra-prima sem sair plenamente satisfeito. O destaque vai, sem sombra de dúvidas, para a música “As Mariposas”.
A intenção não é fazer uma mera lista dos 10 melhores, mas sim discos bons e de fácil audição. Sei que há muitos outros discos de igual qualidade que poderiam ser colocados aqui. Por isso aguardamos sugestões para a sequência, que será sobre a década de 60.*Fonte de Pesquisa de datas: Discos do Brasil