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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Tem russo no samba!

É sempre bom ver gente de fora do país fazendo a música brasileira ecoar. O pianista russo Simon Nabatov é um ótimo exemplo disso. Aluno da badalada escola Juilliard, Nabatov foi considerado pela Keyboard Magazine o melhor pianista de 1984. E não perdeu sua qualidades nestes últimos 15 anos.

Em 2006 ele lançou o álbum "Piano Works V: Around Brazil", com um repertório pra lá de maneiro. Entre as músicas, "Na Baixa do Sapateiro", que você pode ouvir abaixo:

Na Baixa do Sapateiro


Vê só a interpretação dele para Nenê, de Ernesto Nazareth:



Quer saber mais? Visite a página de Nabatov

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O duro que deu Simonal

Na crista da onda: Wilson Simonal. Considerado um dos maiores intérpretes da música brasileira, Simonal caiu na lista dos malditos em plena ditadura militar. O motivo? Uma suposta ligação sua com o regime repressor. Simonal acabou ficando marcado como dedo-duro e sua carreira, que ia de vento em popa, acabou afundando.

A história voltou à cena por conta de três nomes: Cláudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer. Os três dirigiram o documentário sobre Simonal, que estreia nesta sexta-feira nos cinemas. O Fantástico do último domingo também lembrou a história. Confira.



Outro vídeo bastante curioso é o de Simonal cantando ao lado da fera do jazz, Sarah Vaughan, em 1970. Vê só:



Para saber mais, acesse o blog do filme.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Pandeiro assuecado

Vou abrir uma exceção à epígrafe deste blog, pelo menos em parte. Isso porque o protagonista deste post nasceu em Västerås, uma cidade nada brasileira na Suécia! Com vocês Magnus Lindgren!

Aí você me pergunta. Tá, o cara é sueco e aparentemente toca sax. Mas por qual razão ele apareceu neste blog? Para responder basta escutar o novo projeto de Magnus, intitulado "Batucada Jazz". Gravado entre o Rio de Janeiro e Estocolmo, o disco terá as músicas com uma levada bem carnavalesca. Uma verdadeira batucada.

No site oficial do músico é possível ouvir um esboço do que será o novo disco, mas o Vermute selecionou alguns aperetivos:





sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Várias Manhãs de Carnaval

A idéia deste post veio quando eu ouvia a versão em inglês desta música em um velho LP do Sinatra.

Em 1957, Luis Bonfá e Antônio Maria compuseram a lindíssima Manhã de Carnaval. Todo mundo gravou: Maysa, Clara Nunes, Nara Leão e até a quase famosinha Astrud Gilberto. Foi parar no filme Orfeu Negro, de 1959.

Dez anos depois, A day in a life of a fool foi feita por Carl Sigman e Mr. Blue Eyes gravou com sua aveludada voz, inclusive cortando a última estrofe por inteiro. Em inglês o mesmo fenômeno, todo mundo quis gravar: Jack Jones, Ginny Arnell. Quer ouvir o que eles fizeram?

Eu até encontrei uma versão em hip-hop feita pelo negão Notorious BIG que é bacaninha. Mas na minha opinião, a versão do Sinatra acaba com qualquer uma, inclusive a em português.

Veja Maysa cantando Manhã de Carnaval em uma TV Japonesa, com um arranjo bem oriental:


Ouça Frank Sinatra derramando sua voz na belíssima versão em inglês




terça-feira, 16 de setembro de 2008

O camarada Laurindo que existiu

Uma técnica impecável. Típica de uma formação clássica que, aliás, foi o que direcionou seu trabalho durante toda sua carreira. Dedilhou seu violão em cassinos e em cruzeiros. Agradou aos ouvidos brasileiros, mas seguramente fez mais sucesso fora daqui. Laurindo Almeida foi um raro violonista. Classicamente popular.

Nasceu em São Paulo, no dia 2 de setembro de 1917. Tinha um nome de botar respeito: Laurindo José de Araújo Almeida Nóbrega Neto. Não é pra qualquer um. Também não era para qualquer um ser amigo de Garoto, trabalhar com Carmem Miranda, Pixinguinha, Villa Lobos, Radamés Gnatalli...

No seu currículo também estão diversas premiações importantíssimas, como os dois Oscar que ganhou fazendo trilha sonora, um deles o The Magic Pear Tree, de 1968. Aliás, trilha sonora era com ele mesmo. Foram mais de 800!




Laurindo morreu em julho de 1995 e desde então pouco se fala nele. Uma pena. Ao contrário dos sambas que falam de um Laurindo herói que jamais existiu, este fez história. Mas para a grande maioria dos brasileiros (nem todos!), ficou no passado.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Aprendendo com o mestre

Há pouco tempo foi criada a seção "Samba e Jazz" e já vou dar outra contribuição:

Trata-se de um vídeo do saxofonista Gerry Mulligan aprendendo o Samba de uma nota só, de Tom Jobim e com o próprio Tom. O vídeo foi feito na década de 1950, no apartamento de Mulligan. Curiosamente ele não está empunhando seu tradicional sax barítono, mas sim um clarinete.

Outro fato curioso é que mesmo sendo um músico de primeira, Mulligan tem dificuldade de acertar o tempo da música. Ele confessa isso durante a gravação, quando fala da última frase: "É uma frase muito difícil". Tom concorda e consola o companheiro dizendo que, para ele, tocar jazz também é muito difícil.

É então que entra a explicação sobre o que tanto se fala da criação de João Gilberto: a nova batida. Ou como eles dizem: "The rhythm section". São notas atrasadas ou que entram no tempo fraco, deixando o andamento diferente do que os ouvidos do jazz estavam acostumados.

Quando a aula termina, Mulligan já consegue tocar perfeitamente. Uma prova de que um aluno brilhante e um professor espetacular dão resultado!



Em outro post, a mesma música foi explorada. Era a rainha do Scat Singing, Ella Fitzgerald .

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Scat de samba

Scat Singing é a habilidade de improvisar musicalmente com sílabas e palavras sem sentido. É como se a voz se tornasse um instrumento de ritmo e melodia, sem que nenhuma frase seja definitivamente cantada.

Nisso, a cantora norte-americana de jazz Ella Fitzgerald era muito boa. Considerada a rainha do scat, Ella deu impressionantes demonstrações ao longo dos seus 79 anos de vida. Uma delas cantando "Samba de uma nota só", de Tom Jobim, e passando por "Desafinado", de João Gilberto. O vídeo abaixo é justamente esse.

A música que tem talvez a mais perfeita conexão entre melodia e letra é também considerada uma das canções emblemáticas da Bossa Nova - o assunto da crista da onda. Mas para não ficar falando de bossa, vamos ao vídeo.

Gravado no dia 22 de junho de 1969, Ella Fitzgerald é acompanhada por Ed Thigpen na bateria, Frank de la Rosa no baixo e Tommy Flanagan no piano. Acompanhada em termos. Note que muitas vezes a banda simplesmente não tem o que fazer:


sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A reimpressão do retrato de Tom

De músicos brasilianistas a música brasileira está cheia. Os exemplos vão desde o francês Nicolas Krassic até Stan Getz, passando, é claro, pelo Mr. Blue Eyes, Frank Sinatra.

Entre as centenas destes romances com estrangeiros, um que resultou um belíssimo filho foi o de Chet Baker com Tom Jobim. Ou mais precisamente do trompete de Baker com a música “Retrato em Branco e Preto” feita em 1968 por Jobim.

O disco “Sings And Plays From the Film Let's Get Lost" veio em 1987 com as músicas do documentário “Let´s Get Lost”(1988), que conta toda a trajetória do trompetista, seus problemas com a heroína e sua decadência.

Apenas um ano antes de sua morte, o álbum tem uma neblina triste. A primeira faixa dá o tom. Com uma voz já cansada, Chet canta “Moon and Sand” e é impossível não se emocionar, ainda que não se saiba de todos os problemas da vida do músico.

Na oitava canção é que Chet presta mais uma homenagem a Tom Jobim e à música verde-e-amarela. “Retrato em branco e preto” é lindamente interpretada entre belos solos de trompete, piano e violão.

Ouça a versão de Tom Jobim e Elis Regina para Retrato em Branco e Preto

Este, porém, não foi o único flerte de Chat Baker com a música brasileira. Em 1977, o trompetista gravou o disco “The Girl From Ipanema”. O álbum, além de contar com o clássico que o intitula, tem uma boa seleção de bossa nova. A última faixa é um medley com a marchinha “Mamãe Eu Quero” e “Chica Chica Boom Chica”. Chat podia ser um maluco, mas não se arriscou a cantar em português, deixando a missão para Astrud Gilberto.

Depois disso, em 1980, outro disco trouxe Baker aos ritmos brasileiros. O disco Chet Baker & The Boto Brazilian Quartet tem outra pegada do de 77, com um trompete muito mais agressivo e atingindo notas mais altas do que as de costume (Chat não tocava muito rápido, nem notas muito altas por conta de um dente perdido que o impossibilitava de ter a embocadura perfeita. Em certo momento, desabafoi em uma entrevista para a revista Down Beat, em 1953: "Tento extrair do instrumento algo que tenha qualidade e que seja único. Parece que as pessoas só ficam impressionadas por três coisas: se você toca rápido, se toca agudo ou pelo próprio som do instrumento, não pelas notas que você toca."

Em maio de 1988, Chet Baker protagonizou uma misteriosa morte, daquelas que recheiam a história da música. Caiu do terceiro andar de um hotel em Amsterdã. Até hoje não se sabe se foi suicídio ou mero acidente. Na rua do hotel ainda hoje há uma placa lembrando o local em que Chet caiu.

Baixe o disco Sings And Plays From the Film Let's Get Lost

Formação:
Chet Baker – Trompete e Vocal
Frank Strazzeri - Piano
John Leftwich – Contrabaixo
Ralph Penlan - Bateria
Nicola Stilo – Violão e Flauta

Músicas
1. Moon and Sand - 5:30
2. Imagination - 4:52
3. You're My Thrill - 4:59
4. For Heaven's Sake - 4:51
5. Every Time We Say Goodbye - 4:48
6. I Don't Stand A Ghost Of A Chance With You - 5:03
7. Daydream - 5:00
8. Zingaro (Portrait In Black and White) - 7:33
9. Blame It On My Youth - 6:18
10. My One and Only Love - 5:30
11. Everything Happens To Me - 5:19
12. Almost Blue - 3:13

Veja a discografia de Chet Baker

Entre Sonetos e Tamancos
Em certa ocasião pergutaram ao maestro Jobim por qual razão ele tinha escolhido o termo “branco e preto”, quando o mais usual na língua portuguesa seria “preto e branco”. Tom, esbanjando bom-humor, soltou: “porque senão, eu teria que colecionar tamancos”.

Outra Versão
O músico Stan Getz também elaborou uma versão para a música de Tom. Vale a pena conhecer:

Ouça a versão de Stan Getz e João Gilberto para Retrato em Branco e Preto

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