sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Anhangüera dá samba hoje

Alô alô pessoal. Preparem-se porque hoje tem mais uma edição do projeto Anhagüera dá Samba. E o convidado da vez é Délcio Carvalho, grande compositor e excelente intérprete.



Clube Anhangüera: Rua dos Italianos, nº 1.261 - Bom Retiro. Telefone: 3361-1799. A partir das 23h00. Ingressos: R$ 10,00.

Obs.: Em virtude do ensaio-geral da GRES Gaviões da Fiel, cuja quadra se localiza ao lado do Clube Anhangüera, é recomendável, para quem vai de carro, a chegada antes das 22h00.

Mais informações aqui.

"Brasil, Brasil" - Parte 1

Ontem não apareceu nada por aqui, mas hoje volto com uma série de vídeos mais do que interessantes. Trata-se do documentário "Brasil, Brasil", produzido pelo canal inglês BBC. Dividido em três capítulos, "Brasil, Brasil" traça um panorama, durante seus 60 minutos de duração, da música brasileira.

Partindo do samba, passando pela bossa nova, tropicália e, enfim, chegando às manifestações mais modernas como o funk, "Brasil, Brasil" foi lançado em 2007 no Reino Unido e até agora não chegou no Brasil em DVD (ou pelo menos eu não encontrei).

Por isso, aí vão as inúmeras telinhas para que a primeira parte do filme seja assistido na íntegra. Nem todas estão legendadas, mas ainda assim vale a pena:

Capítulo 1 - Samba to Bossa












Ainda que não tenha muito a ver com samba daqui pra frente, na semana que vem coloco a segunda parte do longa.

Para quem curtiu, vale uma visita no página mantida pelo respeitado Bob Fernandes, que ainda em 2007 fez uma entrevista com o diretor.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Uma voz para preencher o espaço

Sabe aquelas pessoas que você ouve e fica pensando por que ainda não havia escutado essa música antes? Essa foi a sensação que eu tive quando ouvi Marilia Duarte cantar.


Isso porque ela ultrapassa a característica de ter uma bela voz. Afinal de contas, não adianta nada ter uma voz bonita quando não se sabe usá-la. E Marilia sabe bem. É ela começar a cantar para que o espaço seja completamente preenchido. Mas chega de papo. Dá uma escutada nesse som para você ver que eu não estou falando bobagem:

Malabarista


Outra característica notável quando se ouve duas ou três músicas dela é sua habilidade de composição. Ouça mais duas pérolas dela:

Mandinga


Carrossel no Breu


A novidade boa é que em fevereiro Marilia irá lançar seu primeiro trabalho e nós estamos ansiosos pelo que virá. Por enquanto, que tal uma visita no myspace da moça?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Parabéns São Paulo

Com atraso, o Vermute com Amendoim presta a sua homenagem a nossa querida cidade de São Paulo. Aproveito também para congratular o meu São Paulo pelo título da copinha, que tem dado mais gosto de ver que o time principal. Mas chega de lero-lero. Deixo com vocês este belo samba de Elzo Augusto em homenagem à Pauliceia.




São Paulo, Mãe-Madrinha (Elzo Augusto)
São Paulo super mãe, madrinha
De um progresso que caminha
Geração a geração
Cidade que é tua, que é minha
E que cabe inteirinha
Dentro do meu coração
A força desse teu calor humano
Está no cotidiano
E na miscigenação...

...São Paulo, tenho mais de mil motivos
Tantos pontos positivos
para te amar de paixão...

Orra meu "qui" tem Palmeiras
Coringão e Tricolor,
Que saudade Ayrton Senna...
Um exemplo de valor;
Têm metrô, Memorial,
Municipal, Rita Lee..

...Nos três dias de folia
Carnaval no Anhembi

Tem Museu do Ipiranga,
Parque do Ibirapuera,
Interlagos, Fittipaldi
Emoção que acelera,
Tem Demônios da Garoa,
Samba tipo Adoniran...

...Trem das Onze coisa boa,
foi legal pro Jaçanã

Tem Bixiga, Penha, Lapa,Pacaembu, Morumbi
Tem Santana, Liberdade,Peruche e Tucuruvi
Vila Matilde e Prudente
Barra Funda, Butantã...

...Esqueci de tanta gente
Mas eu me lembro amanhã...
Amanhã de manhã.

Disco da semana: Chiquinha em Revista - Vários


Chiquinha Gonzaga foi mulher à frente do seu tempo, na música e na vida. Quebrou preconceitos e tabus. Não há toa foi uma das pioneiras da música brasileira. Frequentemente associada ao choro, Chiquinha também compôs polcas, maxixes, músicas para revistas etc. O disco da semana é justamente desta grande personalidade e acaba de sair do forno pelo Selo SESC SP.

Privilegiando músicas menos conhecidas do repertório da musicista, trata-se de um disco leve e de fácil audição, talvez seja porque alterne músicas instrumentais com cantadas. O time responsável por essa revisitação à obra de Chiquinha é composto por Gilberto Assis e Ana Fridman, produtores e arranjadores do disco.

Na parte vocal temos: Rita Maria, Vange Milliet, Suzana Salles, Carlos Careqa e Ná Ozzetti. Entre os músicos o pessoal do Quintal Brasileiro, Ítalo Perón, Guello, Gabriela Machado, Ronen Altman, Bel Latorre, Vitor Lopes, Sérgio Reze, Gilberto Assis e Ana Fridman.

Apesar de se tratar de um disco "lado B" da pianista, destaco o famoso maxixe Corta Jaca (Chiquinha Gonzaga / Machado Careca)




Músicas:

1. Passos no Choro
2. Fogo Foguinho
3. Sultana
4. Sou Morena
5. Cananéia
6. A Chinelinha do meu amor
7. Falena
8. Tava assim de Português
9. Itararé
10. Sertaneja
11. Cubanita
12. Corta-jaca
13. Suspiro

Compre esse disco aqui.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Everybody macacada!

Sexta-feira é dia de levar as coisas mais na flauta. Por isso, um videozinho aí para galera curtir antes de aproveitar o que a noite tem de melhor.

Com vocês, Paulinho Soares em "O Patrão Mandou"

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Adoniran só poderia ter sido paulista

Muito tem se falado do mestre Adoniran Barbosa. Ele que faria 100 aniversários este ano receberá inúmeras homenagens. Uma delas, este texto escrito por Romulo Fróes que a Folha de S. Paulo publicou no dia 13/01



"Dentre suas inúmeras faces, podemos separar o samba em dois sentidos dominantes: o lugar do prazer, da celebração, do ócio e aquele onde a vida é suspensa, o lugar dos sambas tristes, para trás. É comum associar Adoniran Barbosa ao primeiro sentido aqui descrito, mas o vejo como um ponto cego entre esses dois lugares.

Lembrado mais por letras bem-humoradas, suas canções carregam uma melancolia disfarçada. Comicidade e tragédia se misturam em uma mesma canção. Faz graça para fugir do ressentimento de ter sido posto de lado com o surgimento da Jovem Guarda, "(...) e eu que já fui uma brasa, se assoprarem posso acender de novo". Faz soar engraçadas histórias trágicas ditas com seu linguajar "errado", aprendido nas ruas do Brás e do Bexiga, onde, como ele mesmo dizia, "o crioulo e o italiano falam igualzinho".

E alertava, "para falar errado, precisa falar certo". Vem daí o sorriso no rosto de quem canta uma história triste como a que narra "Saudosa Maloca".

Percorria toda a cidade com sua música. Era um andarilho, como Nelson Cavaquinho. Mas diferente deste, tinha autonomia sobre seu percurso. Conhecia suas ruas, vilas, favelas, bares, seus personagens e suas histórias. Tudo que via, ouvia, transformava em canções. O "Trem das Onze", o "Viaduto Santa Ifigênia", o "Torresmo à Milanesa", a "Saudosa Maloca". Comportava-se como um documentarista. Como Noel Rosa, de quem tomou emprestado "Filosofia", samba com o qual foi premiado em um concurso de intérpretes e que finalmente lhe abriu as portas do rádio.
Adoniran se tornou dentro do samba uma de suas figuras mais singulares. Muitos motivos devem ter contribuído para a construção de seu gênio, mas acho determinante o fato de ter nascido em São Paulo. A cidade, de extrema importância para a música brasileira no que se refere ao seu adensamento, onde desde sempre os movimentos tomam forma e se propagam para o resto do país, tem em Adoniran um dos raros casos de artistas que poderiam representar uma espécie de escola paulista. O fato de até hoje não termos criado uma clara tradição em música popular pode tê-lo liberado das normas tão rígidas do gênero. Sem ter a quem dar satisfação, sentiu-se livre para suas invenções.

Se o samba é carioca e baiano, São Paulo, acusada tantas vezes por sua falta de ginga, gerou um dos mais originais compositores da música popular brasileira. Adoniran era paulista. E só podia ter sido. No fim de sua vida, reclamava que não encontrava mais São Paulo. "O Brás, cadê o Brás? E o Bexiga, cadê? Mandaram-me procurar a Sé. Não achei. Só vejo carros e cimento armado". Teria reencontrado se tivesse procurado em suas próprias canções".

Em tempo, alguns links com informações sobre Adoniran Barbosa:
Folha de S. Paulo, com agenda de shows comemorativos
Site da Vejinha, falando sobre algumas de suas músicas

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quando Cartola passou o bastão

"Fiz por você o que pude" é, na minha opinião, um dos mais bonitos sambas do Cartola. Dizem que o Mestre não gostava muito de cantá-lo por conta de um suposto erro de português no verso "Eis que Jesus me premeia". Os estudiosos da língua portuguesa no entanto, atestaram que o verso está mais do certo.

O samba foi feito para sambista Nelson Sargento, o qual Cartola ensinara os primeiros acordes no violão. Cartola passou o bastão em grande estilo com os seguintes versos:

Fiz por você o que pude (Cartola)



Todo o tempo que eu viver
Só me fascina você, Mangueira
Guerreei na juventude
Fiz por você o que pude, Mangueira
Continuam nossas lutas
Podam-se os galhos, colhem-se as frutas
E outra vez se semeia
E no fim desse labor
Surge outro compositor
Com o mesmo sangue na veia

Sonhava desde menino
Tinha o desejo felino
De contar toda a tua história
Este sonho realizei
Um dia a lira empunhei
E cantei todas tuas glórias
Perdoa-me a comparação
Mas fiz uma transfusão
Eis que Jesus me 'premeia'
Surge outro compositor
Jovem de grande valor
Com o mesmo sangue na veia.

A história me chegou via o blog Por trás da Letra.
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