Republico aqui um texto originalmente publicado no Jornal Tribuna Impressa e portal Araraquara.com, em dia 31/03/2011
O novo samba, um renovado senhor, brasil
O horário é nobre, nem atrapalha noveleiros e noveleiras de plantão, e caso o sono bata antes das dez da noite, se tem a chance da reprise nas manhãs dominicais, após a missa ou o culto das nove.
A emissora que detém, na TV aberta, uma das pouquíssimas opções de entretenimento, no que tange à cultura popular, é a paulista TV Cultura. Em sua grade encontramos dois insubstituíveis – programas e seus respectivos apresentadores, duas atrações maiorais e importantíssimas para o cancioneiro brasileiro.
Uma dessas atrações é, sem dúvida alguma, o Viola, Minha Viola, sustentáculo da música sertaneja de raiz, cujo sinônimo – e vice-versa – é a sua apresentadora Inezita Barroso, que, há não muito tempo atrás, se recusou a gravar um novo disco de modas de viola pois no estúdio de gravação se encontravam guitarra/contrabaixo/bateria para instrumentá-lo.
A outra atração é o Senhor Brasil, que vai ao ar todas as quintas-feiras às 22 horas, com reprise às 10 horas das manhãs de domingo. Esse programa é apresentado pelo impagável Rolando Boldrin, exímio contador de “causos”, ator, cantor, compositor mas, principalmente, um grande batalhador da MPB. Entre baladas rancheiras, calangos, chorinhos e sambas gravita o repertório magnífico de suas edições.
Para aqueles e aquelas que chegam ao final do dia sem pique para degustar um bom livro e, assim, se entregam ao aconchego dos sofás das salas de televisão, o único esforço que deverá ser exercido é o de se imunizar às luzes – pálidas – da programação global padrão. De repente, poderão repentinamente perder o sono embalado pelo tradicional plimplim e, de repente, acordarem os sentidos todos para prestar atenção num bandolim, numa flauta, numa cadência cativante de um bom samba de Noel, de Cartola, de Petróleo…Petróleo???Pois sim, esse é o nome de um sambista da nova geração paulistana, cria do subúrbio zona sul proletário de Santo Amaro.
Muitos amigos e amigas, ao nos encontrar, nos perguntam o que está havendo com a música popular brasileira, a qual aparenta não estar revelando mais ninguém nesse cenário. E o que tenho respondido a eles, e repercuto aqui, é que eles estão buscando essas revelações em fontes erradas, em fontes da cultura de massa, não da cultura popular. Há muita, mas muita gente boa, jovens e outros nem tanto, segurando a barra. Procurem em blogs como “Vermute com amendoim”, criado pelo Murilo, paulistano de 25 anos, amigo recente, e lá encontrarão várias novas atrações do samba. Se não tiver o hábito cibernético adquirido, é só ligar no Senhor Brasil, sempre surgirá um senhor samba novo, um Senhor Brasil novo…
Encontrei a pérola no blog do Teroca
sexta-feira, 15 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Blog para os cuiqueiros
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Dona Ivone Lara: 90 anos de samba
Hoje Dona Ivone Lara completa 90 anos de idade. O Vermute com Amendoim presta sua homenagem com o programa "Mosaicos", produzido em 2009, em uma época que a TV Cultura estava quase deixando de ser a TV Cultura:
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Portela 88 vezes
Prestamos homenagem aos 88 anos de fundação, completados hoje da grande Portela. É como diz o locutor Paulo Stein: "É um samba!"
Portela querida (Picolino da Portela - Colombo - Noca da Portela)
Minha Portela querida
És razão da minha própria vida
Se algum dia eu me separar de ti
Muito vou sentir
Portela, tudo em ti é glória
Na derrota ou mesmo na vitória
Tem o seu nome gravado
Em ouro nos anais
Através dos carnavais
Vi no O Couro do Cabrito.
Portela querida (Picolino da Portela - Colombo - Noca da Portela)
Minha Portela querida
És razão da minha própria vida
Se algum dia eu me separar de ti
Muito vou sentir
Portela, tudo em ti é glória
Na derrota ou mesmo na vitória
Tem o seu nome gravado
Em ouro nos anais
Através dos carnavais
Vi no O Couro do Cabrito.
Disco da semana: O Samba em Pessoa - Aracy de Almeida - 1961
Apesar de ser lançado em 1961, a música mais nova deste disco foi gravada originalmente em 1942. E é uma excessão, já que a grande maioria eram gravações em 78 rotações da década de 30.
O álbum "O Samba em pessoa" é uma compilação de gravações de Aracy de Almeida, que foram devidamente remasterizadas. As faixas incluem a data original em que foram lançadasO século do progresso
01 - [1937] Tenha Pena de Mim (Cyro de Souza / Babahu)
02 - [1938] O Que Foi Que Eu Fiz (Cyro de Souza)
03 - [1937] Século do Progresso (Noel Rosa)
04 - [1940] Com Razão Ou Sem Razão (David Nasser / Ary de Almeida)
05 - [1939] Camisa Amarela (Ary Barroso)
06 - [1938] Rapaz Folgado (Noel Rosa)
07 - [1937] Último Desejo (Noel Rosa)
08 - [1938] Quem Mandou Coração (Roberto Martins / Jorge Faraj)
09 - [1937] O Maior Castigo Que Eu Te Dou (Noel Rosa)
10 - [1937] Eu Sei Sofrer (Noel Rosa)
11 - [1942] Fez Bobagem (Assis Valente)
12 - [1937] Qual o Quê (Antonio Almeida)
Baixe este disco aqui
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Salgueiro, torrão amado
O samba Torrão Amado (Buguinho e Iraci Mendes dos Reis) foi escolhido como o hino do Salgueiro após a união das escolas "Azul e Branco" e "Depois Eu Digo". Pancada!
Torrão Amado - hino do Salgueiro (Buguinho / Iraci Mendes dos Reis)
Salgueiro
Meu torrão amado
Onde eu nasci
E fui criado
Quando eu morrer
Levarei comigo
Dentro do meu coração
Salgueiro querido
Salgueiro
Berço do samba e do amor
Salgueiro
Tua beleza me inspirou
Salgueiro no samba
É uma tradição
Salgueiro
Mora no meu coração
Torrão Amado - hino do Salgueiro (Buguinho / Iraci Mendes dos Reis)
Salgueiro
Meu torrão amado
Onde eu nasci
E fui criado
Quando eu morrer
Levarei comigo
Dentro do meu coração
Salgueiro querido
Salgueiro
Berço do samba e do amor
Salgueiro
Tua beleza me inspirou
Salgueiro no samba
É uma tradição
Salgueiro
Mora no meu coração
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Conservatória - A Capital Mundial das Serestas e das Serenatas
Para quem vive nas grandes cidades é difícil imaginar um lugar que aos fins de semana a atração principal seja a seresta e a serenata. Mas assim é Conservatória. Localizada na serra fluminense, a 370 quilômetros de São Paulo, 142 quilômetros do Rio de Janeiro e 28 quilômetros de Barra do Piraí, possui aproximadamente 4.000 habitantes, e vem se destacando por ser um pólo de preservação de tudo que envolve o universo das serestas. A própria cidade se define assim:
Se visitada de segunda à quinta-feira, Conservatória não despertará tanto a sua atenção. Ela cochila esperando o entardecer da sexta-feira, fazendo-se confundir com um vilarejo comum, desses tantos que existem perdidos no interior. Porém, quando chega a sexta-feira, as coisas se modificam porque Conservatória recebe centenas de visitantes, de todas as partes do país, que saem dali extasiados com tanta arte, poesia, dedicação e amor.
Abaixo, dois vídeos para entender um pouco melhor o que acontece em Conservatória.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Disco da semana: Bienal do Samba - Vários - 1968
Em 1968, a TV Record promoveu a Bienal do Samba, um festival destinado exclusivamente ao mais brasileiro dos estilos musicais. Entre os participantes, Ismael Silva, Pixinguinha, Walfrido Silva, Wilson Batista, Cartola, Pedro Caetano, Claudionor Cruz, Germano Mathias, Jorge Veiga, Isaura Garcia, Nora Ney, Jorge Goulart, Demônios da Garoa, Adoniran Barbosa, Helena de Lima, Miltinho, Ciro Monteiro, Ataulfo Alves, Elton Medeiros e Paulinho da Viola.
Até mesmo artistas que não eram exatamente sambistas foram atraídos pela oportunidade de deixar sua composição imortalizada, como: Chico Buarque, Elis Regina, Jair Rodrigues, MPB 4, Márcia, Maríla Medalha, Milton Nascimento, Edu Lobo, Baden Powell, Marcus e Paulo Sérgio Valle e Sidney Miller.
Pouco tempo após o término, com Elis Regina comemorando por ter ganhado com Lapinha, uma a composição de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, foi lançado um álbum com as músicas campeãs. Eis o álbum:

Pressentimento
1) Lapinha (Baden Powell/Paulo César Pinheiro) - Elis Regina
2) Quem dera (Sidney Miller) - MPB 4
3) Luandaluar (Sérgio Ricardo) - Marília Medalha
4) Marina (Sinval Silva) - Paulo Márquez
5) Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola) - Jair Rodrigues
6) Protesto, meu amor (Pixinguinha/Hermínio Bello de Carvalho) - Arlete Maria
7) Canto chorado (Billy Blanco) - Jair Rodrigues
8) Bom tempo (Chico Buarque de Holanda) - Claudete Soares
9) Tive sim (Cartola) - Paulo Márquez
10) Pressentimento (Elton Medeiros/Hermínio Bello de Carvalho) - Marília Medalha
11) Quando a polícia chegar (João da Baiana) - Jose Ventura
12) Rainha porta bandeira (Edu Lobo/Ruy Guerra) - Márcia e Edu Lobo
Baixe no Toque Musical
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Abre alas minha gente que a Noruega chegou
Quem me mostrou e me enviou esta pérola do nosso cancioneiro foi o Barão do Pandeiro. Um dos melhores pandeiristas e intérpretes que eu já vi.
O site trem de doido apresenta uma breve história sobre a música:
" 'Noruega, Gelo e Alegria', na estrutura, é um samba-enredo. Mas na verdade foi uma brincadeira do Luis Carlos Sá. Não sei se a versão que ouvi da história está correta, mas parece que um diplomata gaiato, que percebeu a brincadeira, comentou ao cônsul/embaixador da Noruega. Este, ao tomar conhecimento da "homenagem", teria procurado o "Doutor Pereira" para agradecer em nome do povo de seu país. O "Bom Doutor", ao se ver nessa sinuca, teve de fazer as maiores contorções para explicar o espírito da música. Por sorte era dotado de senso de humor o norueguês, tendo entendido direitinho, e contraído uma bela amizade com o "Bom Doutor". Diz a lenda que esse encontro gerou boas gargalhadas e acarretou no consumo de boas doses da melhor vodca....finlandesa. Se não foi bem assim que aconteceu, publique-se a versão."
Quem canta são "As Gatas".
Noruega, Gêlo e Alegria (Luiz Carlos Sá / Paulinho Machado)
A escola de samba Unidos de Oslo saúda a imprensa e o público em geral, e pede passagem!
Noruega, teus campos brancos de neve
Nos traz a mais feliz recordação
Dos momentos gloriosos
Inesquecíveis, heróicos
Da pesca do bacalhau, ô ô
Quem já viu o sol da meia-noite nascer
Pode nos dizer com mais razão, ô ô
Noruega, Noruega querida
Para sempre morarás no meu coração, Noruega
Baluarte da Europa Setentrional
Banhada pelo Oceano Glacial, ô ô
Teve em sua história grandes vultos
Reis, crianças e adultos
Que fizeram sua honra e tradição
As ardósias dos fiordes majestosos
As papoulas das falésias tão gentis
Ôo, ôo, ôo, ôo
Abre alas minha gente que a Noruega chegou
(diz, Noruega!)
Das planícies geladas e silenciosas
Partiram os temidos vikings
Navegando rumo oeste, mar afora
Descobriram a América antes da hora
Na bandeira o vermelho da coragem
O branco da pureza e o azul do imenso céu
Terra abençoada onde reside o bom velhinho
conhecido pela alcunha de Papai Noel, Noruega
Ôô, ôô, ôô
Abre alas minha gente
Que a Noruega chegou (bis)
(Noruega ou não é?)
Aqui para baixar.
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