terça-feira, 26 de outubro de 2010

Disco da semana: Noel Rosa Pela Primeira Vez Vol.7

Veio atrasado, mas veio. Eis o último volume da coleção "Noel pela Primeira Vez", certamente o mais interessante para os noelófilos. Isso porque o disco 2 contém preciosas curiosidades compostas pelo Filósofo do Samba.

Pedacinhos de composições, estrofes não gravadas, raridades encontradas, paródias e por aí vai. Nele é que está a composição mais pornográfica de Noel, "Saí de tua alcova", ou "Vagolino de Cassino", ambas já postadas aqui no Vermute.


Disco 1
1. Espera mais um ano (Gravação comercial) - c/ Noel Rosa & Arthur Costa (Início) & Conjunto Coisas Nossas (Complemento)(Noel Rosa)
2. Estátua da paciência - c/ Conjunto Coisas Nossas (Jerônimo Cabral, Noel Rosa)
3. Araruta - c/ Conjunto Coisas Nossas (Noel Rosa, Orestes Barbosa)
4. Na Bahia - c/ Conjunto Coisas Nossas (Noel Rosa, José Maria de Abreu)
5. Com mulher não quero mais nada - c/ Conjunto Coisas Nossas(Silvio Pinto, Noel Rosa)
6. Choro - c/ Luis Otávio Braga, Henrique Cazes & Caola (Noel Rosa)
7. Feitio de oração (Vinheta) - c/ Caola & Zé Carlos (Vadico, Noel Rosa)
8. Até amanhã (Vinheta) - c/ Caola, Aluísio Didier, Zé Carlos, Oscar Bolão & Zênio
(Noel Rosa)
9. Fita amarela (Vinheta) - c/ Caola & Zênio (Noel Rosa)
10. Tudo pelo teu amor - c/ Caola (Arnold Glückmann, Noel Rosa)
11. Cansei de implorar - c/ Grande Othelo (Noel Rosa)
12. Boas tenções - c/ Caola (Arnold Glückmann, Noel Rosa)
13. Para o bem de todos nós - c/ Grande Othelo, Marília Pera & Caola (Arnold Glückmann, Noel Rosa)
14. O Joaquim é condutor - c/ Marília Pera & Grande Othelo (Arnold Glückmann, Noel Rosa)
15. Perdoa este pecador - c/ Caola (Arnold Glückmann, Noel Rosa)
16. Tipo zero - c/ Grande Othelo (Noel Rosa)
17. Tudo nos une - c/ Marília Pera, Grande Othelo, Caola & Oscar Bolão(Arnold Glückmann, Noel Rosa)
18. Finaleto - c/ Caola, Marília Pera, Grande Othelo & Oscar Bolão (Arnold Glückmann, Noel Rosa)
19. Saí da tua alcova - c/ Henrique Cazes & Cristina Buarque (Noel Rosa)
20. Faz três semanas... - c/ Henrique Cazes (Part.: Cristina Buarque)(Paródia de Noel Rosa)

Disco 2
1. Último desejo - c/ Marília Baptista (Noel Rosa)
2. Fiquei rachando lenha (Trecho) - c/ Almirante (Noel Rosa, Hervê Cordovil)
3. Feitiço da Vila (Estrofe não gravada em disco) - c/ Aracy de Almeida (Vadico, Noel Rosa)
4. Deixa de ser convencida - c/ Roberto Paiva (Wilson Baptista, Noel Rosa)
5. Vou te ripar II - c/ Onéssimo Gomes (Noel Rosa)
6. Dono do meu nariz - c/ Onéssimo Gomes (Paródia de Noel Rosa)
7. Paga-me esta noite - c/ Déo (Paródia de Noel Rosa)
8. Canção do galo capão - c/ Jamelão (Paródia de Noel Rosa)
9. Roubou, mas não leva - c/ Roberto Paiva (Paródia de Noel Rosa)
10. Foi ele - c/ Maria do Carmo (Paródia de Noel Rosa)
11. A Genoveva não sabe o que diz - c/ Onéssimo Gomes (Paródia de Noel Rosa)
12. Mardade de cabocla - c/ José Souza Pinto ("Alegria") (Noel Rosa)
13. Chuva de vento - c/ Almirante (Noel Rosa)
14. Habeas-corpus - c/ Caola (Noel Rosa, Orestes Barbosa)
15. Seu Zé - c/ Caola (Paródia de Noel Rosa)
16. Vagolino de Cassino - c/ Caola (Paródia de Noel Rosa)
17. Faz de conta que eu morri - c/ Caola (Henrique Gonçales, Noel Rosa)
18. Amar com sinceridade - c/ Caola (Silvio Pinto, Noel Rosa)
19. Não morre tão cedo - c/ Vânia Bastos (Noel Rosa)
20. Marcha da prima... Vera - c/ Vânia Bastos (Noel Rosa)
21. Belo Horizonte - c/ Caola (Paródia de Noel Rosa)
22. Condeno o teu nervoso - c/ Caola (Paródia de Noel Rosa)
23. Envio essas mal traçadas linhas - c/ Ná Ozzetti (Paródia de Noel Rosa)
24. Precaução inútil - c/ Ná Ozzetti & Pedro Mourão (Paródia de Noel Rosa)
25. Homenagem: "Noel, rosa do samba" - c/ Johnny Alf (Paulo César Pinheiro, Johnny Alf)

Baixe no Um que Tenha

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Foi bolinha de papel

Eis que o candidato José Serra prestou grande serviço a nossa cultura. O fatídico episódio da bolinhagate deu samba. Ou melhor, deu partido-alto.

Deixa de ser enganador
Foi bolinha de papel
Não fere nem causa dor



Fica difícil dizer quem é o autor dos versos, mas ao que tudo indica ele brotaram mesmo na cabeça do grande Tantinho. E viva o povo brasileiro!

UPDATE em 28/10/10
Vi no blog do Nassif um vídeo com o partido gravado em estúdio. Se liga:

Zé da Velha e Silvério Pontes convidam amigos em Niterói

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Pra dois malandros olhou a sorrir

Quando vi esta animação, a primeira música que me veio à cabeça foi "Quando o samba acabou", de Noel Rosa. Para quem conhece a canção, nem precisava falar que trata-se de uma história de triângulo amoroso. Uma morena e dois malandros disputando na navalha o seu amor.



Para quem não conhece o samba, aí vai:

Quando o samba acabou


O autor da pérola é Cadux.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Caricaturas de Souto Maior

O carioca Alan Souto Maior já apareceu no Vermute com Amendoim em um post chamado Cartolatria, com diversas caricaturas de Cartola. Dono de um blog sempre atualizado com seus trabalhos, Souto Maior, artista plástico e ilustrador, é um caricaturista na sua melhor definição. Não à toa já faturou alguns prêmios em exposições Brasil afora. Vejam alguns de seus trabalhos:













segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O mundo mágico de Adoniran Barbosa

Peguei este belo texto no site Algo a Dizer. Vale a pena ler.

Por Aquiles Rique Reis

Adoniran nasceu João Rubinato em 6 de agosto de 1910. São Paulo, Rio de Janeiro e o Brasil têm no coração este paulistano de Valinhos. Seu centenário traz desejos de ouvi-lo, de reverenciá-lo.

Sua lembrança nos deixou marcas de espanto e admiração. Seus versos, que repetem o linguajar popular paulistano, causaram estranhamento. Suas letras, entretanto, valeram para melhor expressar o que ele sabia de sua gente, tudo o que ele tinha certeza de que atingiria, como num "Tiro ao Álvaro" poético: a mosca da alma do povo.

Meu coração juvenil custou a entender. Mas a criatividade era tanta que meu coração musical se convenceu. Meu esforçado coração ampliou horizontes, rompeu barreiras. Inquieto, invadiu fronteiras, desfez preconceitos e ajuntou opostos. E meu coração inexperiente ligou Bexiga e Vila Isabel, bairros geograficamente distantes.

Foi aí que meu coração amoroso sorriu e pela primeira vez sentiu que Adoniran Barbosa e Noel Rosa eram como um só. Ali ficara claro para mim que uma nova linguagem, que vocalizava o falar da gente das ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro, tinha dois responsáveis: Adoniran e Noel, cronistas e intérpretes de sonhos e anseios populares através do humor, da delicadeza e da ternura.

Adoniran era como um Quixote de Cervantes errando por São Paulo. A cada rua percorrida, era como se entrevisse moinhos a serem destruídos por sua lança (cuja ponta tratava de acarear a imaginação com a realidade) com golpes certeiros desfechados por versos corrosivos ou engraçados, plenos de contemporaneidade, dignos de um fecundo trovador urbano.

Feito Sancho Pança, os Demônios da Garoa se fizeram imprescindíveis. Tornaram-se de Adoniran o eco, multiplicando-o com suas cinco gargantas. Juntos, os seis são sinônimos de um samba que nasceu em São Paulo e ganhou o Rio de Janeiro - e logo o Brasil lhes fazia coro.

Juntos, criaram a identidade que sintetiza a personalidade de um estado que abriga pensamentos e doutrinas díspares, raças e gente imigrante diversas, culturas e crenças distantes, todos integrados pela pluralidade que os acolhe e propicia direitos, deveres e oportunidades iguais.

Meu coração aflito me trouxe para São Paulo, Adoniran. Aqui, meu coração vagabundo sentou praça num "lindo lote, dez de frente e dez de fundos". Meu coração, quando angustiado, se apoia em sua música para levantar, véio. Assim que nem você, que pergunta "por onde andará Joca e Matogrosso/ Aqueles dois amigos/ Que não quis me acompanhá?", tenho vontade de indagar por onde anda você, espelho no qual tento me ver refletido quando de minhas andanças na noite paulistana.

Adoniran, aqui e agora o meu coração confidencia: para merecer o que a nossa São Paulo me deu (depois de aqui ter desembarcado há uns bons dezesseis anos), eu tento vê-la com os seus olhos, com a sua ironia, com seu humor e afeto. Nunca conseguirei tal proeza, mas, com suas músicas, continuarei tentando.

Obrigado, Adoniran!

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

contato@algoadizer.com.br

Disco da semana: Noel Rosa Pela Primeira Vez Vol.6

Três das músicas que mais gosto de Noel Rosa estão no sexto volume da coleção "Noel Pela Primeira Vez": Último Desejo (1937), Pra Que Mentir (1937) e Pela Décima Vez (1935). Curiosamente, as três formam um combo imbatível de desilusão de amor.

Último Desejo


"Pra que Mentir"


"Pela Décima Vez"



Disco 1
1. O maior castigo que eu te dou - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
2. Último desejo - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
3. O século do progresso - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
4. Pastorinhas - c/ Sílvio Caldas (João de Barro, Noel Rosa)
5. Rapaz folgado - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
6. Pra que mentir? - c/ Sílvio Caldas (Vadico, Noel Rosa)
7. De qualquer maneira - c/ Déo (Ary Barroso, Noel Rosa)
8. Silêncio de um minuto (Versão mais curta) - c/ Marília Baptista (Noel Rosa)
9. Pela décima vez - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
10. Silêncio de um minuto (Versão completa) - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
11. Três apitos - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
12. Três apitos (Gravação particular) - c/ Orlando Silva (Noel Rosa)
13. Mais um samba popular - c/ Ana Cristina (Vadico, Noel Rosa)
14. Remorso - c/ Marília Baptista (Noel Rosa)
15. Tipo zero - c/ Marília Baptista (Noel Rosa)

Disco 2
1. Cor de cinza - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
2. Voltaste (Pro subúrbio) - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
3. A melhor do planeta - c/ Aracy de Almeida (Almirante, Noel Rosa)
4. Queimei teu retrato - c/ Linda Rodrigues (Henrique Britto, Noel Rosa)
5. Você é um colosso - c/ Rosinha de Valença (Noel Rosa)
6. No baile da flor-de-lis - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa)
7. Suspiro - c/ Aracy de Almeida (Noel Rosa, Orestes Barbosa)
8. Balão apagado - c/ Elizeth Cardoso (Marília Baptista, Noel Rosa)
9. Morena sereia - c/ Marília Baptista (Noel Rosa, José Maria de Abreu)
10. João teimoso - c/ Marília Baptista (Marília Baptista, Noel Rosa)
11. Verdade duvidosa - c/ Marília Baptista (Noel Rosa)
12. Para atender a pedido - c/ Marília Baptista (Noel Rosa)
13. Vai para casa depressa - c/ Marília Baptista (Noel Rosa)
14. Atchim! - c/ Aldacir Louro (Hamilton Sbarra, Noel Rosa)
15. Cabrocha do Rocha - c/ Sílvio Caldas (Sílvio Caldas, Noel Rosa)
16. Ao meu amigo Edgar (Carta de Noel) - c/ João Nogueira (João Nogueira, Noel Rosa)
17. Disse-me disse - c/ Conjunto Coisas Nossas (Noel Rosa)

Aliás, este é o penúltimo CD da coleção. Semana que vem encerramos com as músicas e excertos do grande Noel.

Baixe no Um que Tenha

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A fala da flauta

Muito bom o documentário "A fala da flauta" sobre o gênio Altamiro Carrilho. Abaixo um trecho que dá para ter uma ideia. Assiste aí:

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Versão gringa

"Versão é a coisa mais ingrata que existe", escreveu Tom Jobim em uma das suas cartas a Vinicius de Moares. Mas qual a fórmula para que uma versão de música brasileira fique boa também em outra língua? É preciso que a cultura do país que recepcionará a versão esteja igualmente bem representada como no original.

Foi o Jobim percebeu isso ao fazer a tradução do hit "Águas de Março" para "Waters of March": "Um dia, eu estava meditando em cima do verso 'é um espinho na mão, é um corte no pé' e percebi tudo. Como é que um americano iria cortar o pé se ele nunca anda descalço?"

É exatamente sobre isso que fala uma ótima matéria na Revista Bravo assinada por Barbara Heckler. Ela mostra como a versão feita cantada jazzista norte-americana Stacey Kent para "Águas de Março", transformando-a em "Les Eaux de Mars", de autoria do intérprete egípcio Georges Moustaki.

Les Eaux de Mars


Traduzindo, a letra fica assim:

Les Eaux de Mars
Uma pedra, um bastão, é Joseph e é Jacques,
Uma serpente que ataca, um corte no calcanhar,
Um passo, uma pedra, um caminho que avança,
Um toco de raiz, é um pouco sozinho

É o inverno que acaba, é o fim de uma estação,
É a neve que derrete, são as águas de março,
A promessa de vida, o mistério profundo,
São as águas de março dentro do seu coração

A matéria ainda fala de mais das versões de "Garota de Ipanema", "Aquarela do Brasil" e "Madureira Chorou", de Carvalinho e Júlio Montero, que virou "Si Tu Vas à Rio"

Madureira Chorou


Si Tu Vas à Rio


Traduzindo a letra, fica assim:

Si Tu Vas à Rio
Se você for ao Rio
Não se esqueça de subir
A uma pequena vila
Escondida entre as flores selvagens
Na encosta do morro
É em Madureira
Que você verá os cariocas
Saindo de suas casinhas
Para irem à festa
À festa do samba

Para ouvir outras versões, clique aqui
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