Há dois anos, Gisa Nogueira e Didu Nogueira, respectivamente irmã e sobrinho do grande João Nogueira, deram uma aula de samba no Clube Anhanguera, em São Paulo. Pois esta experiência vai se repetir nesta sexta-feira.
O homenageado não precisa nem dizer, né? Mesmo assim fica aí um videozinho que os irmãos Nogueira fizeram para o Fantástico
Local: Clube Anhangüera Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP Data: 28 de maio (sexta-feira) Horário: a partir de 22h Valor: R$ 15,00
Infelizmente não consegui achar a animação "Dominós" completa. No Youtube só tem um pedaço. Daniel Schorr é brasileiro e mora no Canadá, onde foi feito o filme. No blog Benzadeus peguei algumas aspas de Daniel sobre o trabalho:
A brasilidade também está presente em seu último trabalho, “Dominós” (2007). O chorinho embala os personagens, produzidos exclusivamente com recortes de papel. “No começo do trabalho percebi que a maioria dos diretores do estúdio estava interessada em produzir filmes em 3D. Ser do contra é típico do animador. Então resolvi contar uma história complexa com o mínimo de recursos, sem perspectiva ou gama de cores, para ressaltar o movimento, para mim a essência da animação. Também tive a intenção de resgatar a simplicidade das obras de Jodoin e McLaren, que é a herança do National Film Board, e fazer um filme com a cara dos que eu assistia com 15 anos”, relata Daniel. Segundo ele a diferença, tema do filme, está representada no sotaque do samba composto pelo canadense Norman Roge. O diretor diz que trabalha em regime de parceria com músicos e sonoplastas, que para ele são responsáveis por 50% da criação de um filme. Daniel, que costuma trabalhar ouvindo música brasileira, surpreendeu-se com seus dominós quando foi encaixada a trilha: eles se mexiam na cadência do samba.
É sempre bom descobrir um sambinha (ou maxixe, neste caso) em um disco daqueles em que não se imaginava tê-los. Foi o que aconteceu no álbum "Como é bom ser punk" (1985), do Língua de Trapo. Além de ter o genial "Samba-enredo da TFP", possui a "A Vingança do Hipocondríaco", a pedrada de hoje composta por Carlos Melo e Celso Mojola. Já começa num clima genial, com uma sátira ao Bahiano da Casa Edison, que narrava as gravações no começo do século XX. Saca só:
A Vingança do Hipocondríaco
Numa mudança de clima repentina fiquei constipado Peguei chuva no costado e consultei o doutor Salvador Mas fiquei preocupado É que ele me receitou Sulfato de neomicina mais xilometazolina Pra curar meu resfriado. O efeito colateral foi meu mal Ai que diarréia! (Preferia rinorréia) Mas me automediquei e passei a sentir cefaléia Outro doutor me aviou injeção de nembutal Aí meu quadro geral apresentou dispnéia E quando acordo num leito que de estreito Com um trilho se parece Vejo que além de operado fui logrado pelo INPS Meu problema era o pulmão me operaram do tendão Ai, meu deus! como pobre padece Fiquei imobilizado mas parado nos estudos, não Estudei mais do que platão E conclui supletivo intensivo na televisão E prestei vestibular pra área de medicina Entrei lá em teresina com medalha e até menção. O meu primeiro cliente inocente falou do pulmão Passei remédio pro tendão Seu tubo digestivo apreensivo sofreu depressão Eu resolvi receitar fenilciclohexilacético Que além de ser antisséptico não tem contra-indicação Como o doente era alérgico ao lisérgico sofreu cefalalgia Prescrevi pirazolona (butazona) curei sua nevralgia Numa mudança de clima passageira e repentina recaiu Morreu de pneumonia (foi minha vingança nesse dia)
Você! Você! E todos "você"! Se não assistir estes vídeos será condenado a escutar o diabo cantando bossa nova! Um inferno e um violão...
Rogada esta praga, que foi proferida pelo próprio Zé, deixo aqui os vídeos de quando Nelson Sargento foi entrevistado pelo mestre do terror, no programa "O Estranho Mundo de Zé do Caixão". Já alerto que no primeiro vídeo há uma matéria sobre uma banda de rock que mistura elementos de umbanda ao seu som. Quem não quiser ver, é só esperar carregar um bocado e se divertir com a entrevista.
Vira e mexe, discutindo sobre o universo do samba, surge a questão: quem está fazendo o samba hoje como deve ser feito? A primeira pessoa que vem à minha cabeça, invariavelmente, é Moyséis Marques. Tudo bem que tem um monte de gente aí, acertando em quase tudo que grava mas é que Moyséis compõe e canta muito bem.
Este mineiro gente fina, já tentou a vida no forró, no começo dos anos 1990, mas acabou se encontrando no samba. Tem dois discos, um de 2007 e outro de 2009. Este segundo, chama-se "Fases do Coração" e ocupa nesta semana o destaque no VCA. Com 13 faixas, a maioria de sua autoria, "Fases do Coração" foi lançado no final de 2009. Alguns arriscaram a dizer que era o disco do ano. Talvez. Mas o fato é que já faz parte da discografia obrigatória dos amantes do samba. Dá uma sacada na segunda faixa, "Panos e planos":
Panos e planos
Moyséis até teve um samba seu incluído na trilha sonora da novela "Caminho das Índias". Era bom, mas não o melhor do disco, título que na minha opinião fica com "Fases do Coração"
Fases do Coração
1. Entre os Girassóis 2. Panos e planos 3. Oitava Cor 4. Pretinha, Jóia Rara 5. Fases do Coração 6. Subúrbio 7. Cartas do Metrô 8. Mágoa 9. Agradeça 10. Da Maneira que Ficou 11. Sonho e Saudade 12. Tem Hora 13. Lá se foi meu Verão
A única parceria de Moreira da Silva e Jards Macalé, "Tira os óculos e recolhe o homem", surgiu de um caso verídico ocorrido em 1978, durante um show dos dois em Vitória. Como o Brasil estava em plena ditadura militar, a censura, que estava de olho em tudo o que era artista, andava afiada.
Mesmo assim, Jards resolveu provocar: saiu do roteiro e cantou a marcha "Casca de ovo", que debochava de um dos candidatos à presidência, Magalhães Pinto. A música dizia: "Será que esse pinto sobe / será que esse pinto desce / será que esse pinto murcha / será que esse pinto cresce". Pronto. No dia seguinte após o show, o quarto do hotel de Jards estava cheio de milicos espadaúdos.
No site da Funarte, tem um depoimento do Jards sobre o caso: "Às 6 h da manhã fui acordado em meu quarto por três homens fortes, pareciam armários de 10 de frente por 29 de fundos. Um deles me cutucou e disse: ‘Polícia Federal. O doutor delegado quer falar com o senhor’. Respondi: ‘Tudo bem. Mas não saio sem falar com Moreira da Silva’. Ele disse: ‘Sou fã dele, pode falar’. Logo depois virou para os dois outros policiais e ordenou: ‘Enquanto isso, vamos dar uma geral no quarto’. Pensei: ‘Ai, meu Deus!’. Telefonei para o Moreira, que estava dois andares abaixo do meu: ‘Moreira, os hôme tão no meu quarto’. Moreira abriu um bocejo e respondeu firme: ‘Nos encontramos no saguão’. Quando desci escoltado pelos policiais, Moreira da Silva já estava nos esperando no saguão do hotel, vestindo seu impecável terno branco, sapato bicolor e chapéu panamá. E disse: ‘Meus filhos, o que está havendo com meu menino?’. O policial: ‘Moreira, sou seu fã. O delegado mandou buscá-lo’. ‘Posso ir com vocês?’, sorriu Moreira. ‘É uma honra’, respondeu o policial. Entramos num pick-up chapa fria e partimos para a Polícia Federal. O policial sabia todo o repertório do Moreira. ‘Você conhece essa?’, perguntou Moreira. E começou a cantar: ‘Pra se topar uma encrenca / basta andar distraído / que ela um dia aparece / não adianta fazer prece / eu vinha de ontem lá da gafieira / com minha nega Cecília / quando gritaram…diz aí!’ E o policial feliz, deu o breque: Olha o Padilha. Não acreditei que estava vivendo aquilo”.
Quando chegaram na delega, a coisa ficou pior: "Entramos na sala do delegado e ele perguntou sem nos olhar: ‘Qual de vocês dois é o tal do Macalé?’ Moreira tentou tergiversar: ‘Mas doutor delegado…’ O delegado rosnou: ‘Cala a boca!’ e voltou a perguntar: ‘Qual de vocês dois é o tal do Macalé?’ Moreira, botando o chapéu sobre o peito, olhou pra mim e murmurou baixinho: ‘Acho que desta vez você se fodeu’. O delegado olhou pra mim e disse: ‘Tira o óculos, recolhe o homem e incomunicabilidade com ele. Ficha, tira o retratinho e bota o número em baixo’”.
Macalé moveu seus pauzinhos. Falou com o governador da época, Elcio Álvares, que não obteve sucesso. Falou com o ministro Ney Braga, que enfim conseguiu soltar Jards.
Claro que deu samba, né? E Jards gravou em 2001, num disco em homenagem ao seu novo amigo, Kid Morengueira.
Achei umas telas bem legais de samba no blog Art3. Peguei algumas da artista Tereza Mazzoli, baiana radicada em São Paulo. A técnica é a de óleo sobre tela e as pinturas são bem coloridas e iluminadas.
Amanhã é dia! A nossa seleção entrará em campo pela primeira vez nesta Copa. E se você é daqueles manés que torcerão contra por um motivo idiota qualquer, convido a parar de ler este post.
Para dar sorte ao Escrete Canarinho, coloco um samba de Moreira da Silva e Lourival Ramos. Composto após o tricampeonato de 1970, a música cita todos os jogadores daquele time histórico, em especial Tostão. Que tinha por apelido, justamente, o título da música. Confere aí:
Fera de Ouro (Moreira da Silva e Lourival Ramos)
Zagalo chegou ao México Com suas feras embaladas Levou Félix, Carlos Alberto Brito, Fontana e Wilson Piaza Everaldo e Clodoaldo São as vigas mestras Da nossa retranca E os brasões da retaguarda Que pesaram na balança
Na frente foram os bailarinos Prá fazer exibição Jair entrega prá Gerson Gerson à Pelé, Pelé à Tostão Rivelino entra na tabelinha Dá na bandeja o mineiro sagaz Quem chuta violentamente "O que é que é isso minha gente Lindo, lindo, lindo, lindo Gol do Brasil, Tostão A fera de Ouro de Ouro de Minas Gerais"
Antes de decidir qual disco elegeria para passar a semana toda em destaque no Vermute com Amendoim pensei dezenas de vezes. Estava entre um tradicional do samba e outro que nem de samba é. Pois escolhi pelo segundo. Os tradicionalistas podem até vir falar que está fora da proposta do blog, mas ainda assim seria um pecado não dar espaço ao novo disco de Luiz Tatit.
Lançado em 2010, "Sem Destino" é repleto de letras inspiradas de Tatit com melodias simples, mas sem serem simplórias. Entre as 14 músicas tem algumas capazes de deixar o concretismo chato de Arnaldo Antunes no chinelo. Apenas com seu violão Tatit consegue brincar com as palavras sem ser óbvio e está aí a grande sacada do poeta que também faz música. Por isso, não espere que todas as músicas sejam fáceis de ouvir, mas a complexidade da letra é também encantadora.
Por que nós
O disco inteiro é nessa pegada. Mas outras duas músicas valem o destaque:
Almas Gêmeas Já foi gravado por Ana Costa, mas com a voz suave de Tati fica ainda melhor. Uma declaração de amor e tanto.
Sem Destino Dá o nome ao disco. Conta a vida de um pobre homem sem destino. Tem toda a beleza que só a tristeza é capaz de mostrar.
Agora, depois de ouvir estas três pérolas, quem há de reclamar que o disco não é de samba? Pois baixe este disco no Um que Tenha
O amendoim, um aperitivo que estimula o apetite, aquece o paladar, abrindo as papilas para o sabor.
O vermute, uma bebida espirituosa, que lembra o vinho e, se misturado com uma boa cachaça resulta no traçado.
A mistura é motivo de papo de bar e deu samba em 1935. Foi composto em parceria de Noel Rosa com Heitor dos Prazeres. Aqui também é motivo de bom papo.
Murilo Mendes
Conheci o samba no início de 2005 e de lá pra cá minha admiração só cresceu. Não tenho a pretensão de ser um estudioso no assunto, prefiro ser apenas um amante do samba.
Não nasci ouvindo samba. Não toco cavaco ou cuíca. As batidas do tamborim entraram à tarde nos meus ouvidos, mas era tempo de samba. Ao final da noite, mais um sambista caía na roda. Sem ter medo da quarta-feira.