O post de hoje é sobre o bar Jogral. Quem o assina é João Barbosa, que trabalhou no bar nos áureos tempos.
Eu, menino de 18 anos, fui trabalhar numa Casa de música chamada, simplesmente " O Jogral ", que tinha sido comprada, por um cara chamado Marcus Pereira, publicitário e que bebia com muita intensidade. Isso lá por 1975,quando a Casa já tinha mudado da Rua Avanhadava para um travessa da Consolação, perto do Cemitério, Rua Maceió, prá ser mais exato. Prá ser Sincero a conexão da minha Osasco de Antonio Agú até ali, só Deus sabe. Uma negra linda, chamada Vera, meio irmã encontrada e adotada pela gente, no meio da vida, era babá dos filhos do Marcus Pereira . E me deu de presente, pois sabia que eu gostava, uma coleção de discos desse publicitário, que era louco pela cultura brasileira. Muito amigo do Martinho da Vila, dividiu a sociedade do Jogral, com Martinho e Aluisio Falcão, pernambucano doido por cultura. E o resultado só podia dar naquilo. Dessa incursão nasceu a Coleção do mapeamento musical brasileiro. Uma das pesquisas musicais mais sérias, que se tem notícias e esse material era distribuído como " souvenir " da Agência de Propaganda, que é donde ele vivia...
Isso gerou um acervo riquíssimo, que só Deus sabe onde está...
Numa noite de terça-feira, tomo meu ônibus no terminal das Vila Yara e desço na Paulista, conduzido pelo meu frequente 715-F - Lgo da Pólvora- V.S. Francisco. O Peito batendo mais forte que surdo de marcação. Quando entro, na Rua Maceió, 94, alguma coisa mudou de imediato. Aquilo era sonho. As lições que eu recebia na Casa da Dona Maria, uma comadre da minha mãe,ela havia feito o vestido de noiva de minha mãe, que os filhos eram entendidos demais em música, agora era fichinha.( O marido da Dona Maria, compadre da minha mãe,seu Mané, era um alfaiate de alta competencia, criou um monte de filhos e formou-os todos; tinha uma pequena queda pela bebida, motivo de brigas com Dona Maria, que era uma pessoa altiva e controladora.Seu Mané tinha um hábito, que me encantava.Ele lia o jornalão do domingo,inteiro.E eu acho, que aprendi a ler jornal com ele, que era nosso vizinho.E sem tirar o cigarro da boca, por vezes cochilava,mas era certo: o cigarro queimava inteiro e a cinza não caía.Eu ficava por horas observando-o em sua cadeira de balanço.) Eu tava vendo muitos dos personagens da minha vitrola. Aquilo era sacanagem. Sentei na mesma mesa, que Martinho, Pelão, Aluisio, Marcus e um primo meu. Tomamos um porre fenomenal e batizado, já fui convidado a trabalhar, lá.
Coroa Boa...
Esse título tava batendo o tempo todo na minha cabeça, letra de um samba, me lembrei de Babaú da Mangueira, que veio aos mais de 70 anos morar em São Paulo e trabalhar no Jogral. Seo Babaú era uma figura... Todo cheio de atividade, quem o acompanhava era o grupo do Osvaldinho da Cuíca. Seu Babaú virou meu amigo, vira e mexe, eu o convidava para alguma festa, gente finíssima. Uma vez, eu o levei para um samba na Vila Formosa, na casa de uma tia postiça, que nós arrumamos, Tia Geni, hoje morando em Rondônia, por conta de uma desilusão. Esse samba era um caso à parte, começava na sexta à noite, e só terminava no domingo . Uma das negras, dona da casa, era cozinheira de um embaixador. Imagina as guloseimas. Tia Luzia era uma baita de uma negrona, coisa assim de quase um metro e noventa e uns cento e tantos quilos, aos sessentão, solteira, viajava o mundo inteiro acompanhando os bacanas, morava na casa dos patrões. Gostava de uma cangibrina, pura. Quando tava bem brasil, a rapaziada cantava " Nega Luzia " e ela girava no salão, feito a Iansã, que era. Quando juntava a pretaiada era uma loucura, coisa de senzala. O batuque era magistral. E no outro dia de manhã era uma ressaca geral, com todo mundo dormindo onde dava. E rolava umas sopas, as melhores comidas. Cheguei com seu Babaú e ele já cresceu o olho nas minhas tias, e o samba rolou, as negas sambando, o homi ficou louco. E ele tinha composto um samba no hotel, cujo refrão era esse mesmo " ô Coroa boa, vai lá prá casa, que tem vaga de patroa " e na hora da canja, todo mundo esperando seu maior sucesso " O Jarro de Barro ", gravado por Carmen Costa,mas ele, ligeiro, tirou esse da manga. Foi uma graça. Ele o tempo todo lançando olhares concupiscentes. Foi demais, prá eu levá-lo embora, deu upa!
Seu Babaú, figuraça! Hoje pintou uma saudade. À benção babaú da Mangueira.
Ô COROA BOA (...) PARTE II
Deixa eu fazer justiça... Na verdade o fundador do Jogral, foi o Carlos Paraná, que era um cara da noite, compositor e cheio de amigos músicos. (Vanzolini alega que teria sido ele o inventor do Jogral, e que deu a idéia a Carlos Paraná.) Dentre eles, o mais constante era Adauto Santos, um negro mineiro que cantava demais. Carlos Paraná, foi o compositor de " Maria, Carnaval e Cinzas " que o " Rei " Roberto Carlos defendeu num festival da TV RECORD.
Eu vi performances maravilhosas do Adauto Santos e sua turma, geralmente composta, por ele Adauto, Viola e Violão, não lembro o contrabaixo,mas tinha o Papete ( um maranhense desencanado, que inventou a percussão ), Théo da Cuíca, percussão e Cuíca, nossa ! E faziam um som lindo, lindo! Tinha na casa ainda, Alaíde Costa, acompanhada do Miguel Trio, em que o baterista, Boi, era um barato ! engraçadissímo.Evandro do Bandolim, um alagoano, afilhado do irmão de Pixinguinha, que durante o dia trabalhava na Del Vechio da Rua Aurora,96. Seu time era inesquecível: Evandro no bandolin, Benedito Costa,no Cavaco, depois Dom Lúcio França, Pinheiro no 7 Cordas, de início, manézinho da flauta, depois Carlos Poyares, Zequinha do Pandeiro, às vezes um surdo, tocado por Silvio Modesto. ( Evandro avocava prá si, um bordão de Chico Anísio, que ele alegava ter passado pro humorista " Vou bater prá tú/prá tu bater/prá tua batota ") Esse grupo abria a casa, depois acompanhavam uma cantora, muito interessante, Ana Maria Brandão. A circulação da casa era gigante, um monte de garçons, entre eles os que eu mais lembro são Expedito, o barman, Jovino, o Mâitre, Jaime, um português, que me dava carona e batemos de carro uma vez de madrugada e quase morremos ambos ( Bati na Trave!) , e Agostinho, um garçon que cantava imitando o Nelson Gonçalves. O sonoplasta era um caso à parte, Chiquinho da Mocidade Alegre, de dia estafeta do Tribunal de Justiça, à noite sonoplasta da Casa, aos fins de semana, diretor de harmonia da Mocidade Alegre.Viajou com Tereza Santos prá Europa. Osvaldinho da Cuíca, o Sargento, que se apresentava com um grupo, e tinha sido eleito Cidadão Samba de São Paulo. Também no cast tinha Bob di Melo, um pernambucano muito bom, mas doido até...
A música se sentia completamente , à vontade naquele espaço. E as visitas? Só gente boa.
Uma vez uma mesa de bacana, deixou uma veuve cliquot, quase cheia e no final os garçons, me chamaram pra experimentar.Ouvia falar tanto, mas confesso, que gosto mais de Cidra Cereser. Coisas de pobre. O tal de caviar também experimentei e não gostei. Não senti sequer o gosto aludido por Vadinho, em Dona Flor e seus dois maridos.Paciência. Em compensação, conheci a chuleta do Bar da Putas,as putas da avenida angélica passavam prá tomar uma antes, de ir pro batente, que era nosso vizinho, e até hoje não esqueço da salada de repolho em conservas. Comida é isso! No papo dos garçons, eu ouvi um deles, falando da temporada do Vinícius de Moraes,na boate UP´S, que era depois do Cemitério da Consolação, nosso vizinho, na Rua Sergipe. A noite tinha poesia.
ô Coroa boa, vai lá prá casa que tem vaga de patroa !( Isso, era o velho Babaú da mangueira) ou ainda " Senhor motorista de Praça, meu velho amigo,agora também vou fazer minha média contigo " , Seo José das Flores de Jesus, Zé Keti. O primeiro show de Adeilton Alves em São Paulo, cantando Ataufo Alves. Nossas atrações, Marilia Medalha ( quem me dera aora, eu tivesse a viola prá cantar (...) outra, entre muitas. O Jogral foi minha enciclopedia musical.
terça-feira, 23 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Disco da semana: Fusão do samba - Gracia do Salgueiro e Velha da Portela

Olha aí, para quem estava com sede de samba. Um disco que é mais que suficiente para matar a bandida.
Não sei quem foi que teve a ideia de unir Gracia do Salgueiro e Velha da Portela em um LP. Só sei que foi uma ideia iluminada. A impressão que se tem ao começar ao ouvir o disco pela primeira vez é de que será dificil que alguma música supere a primeira. Aí vem a segunda e se tem a mesma impressão. Quando você se dá conta já foi o disco inteiro. É brasa atrás de brasa.
Destaque também para a cozinha, que é perfeita. Procurei alguma informação sobre os músicos, mas não achei. Se alguém souber posta aí nos comentários. A gravadora é uma tal de Tamborim. Nunca tinha ouvido falar. Será que tem mais coisa dela por aí?
Músicas:
01. Janela da favela (Gracia do Salgueiro) Intérprete: Gracia do Salgueiro
02. Não há (Velha da Portela) Intérprete: Velha da Portela
03. Vou correr da rinha (Gracia do Salgueiro) Intérprete: Gracia do Salgueiro
04. Lamento de um sambista (Velha da Portela - Jurandir) Intérprete: Velha da Portela
05. Quero meu boi (Gracia do Salgueiro - Pedrinho do Borel) Intérprete: Gracia do Salgueiro
06. Crioulo de cara lisa (Velha da Portela) Intérprete: Velha da Portela
07. Não moro mais naquele lugar (Gracia do Salgueiro) Intérprete: Gracia do Salgueiro
08. Arengação (Velha da Portela) Intérprete: Velha da Portela
09. Despedida de um bamba (Gracia do Salgueiro) Intérprete: Gracia do Salgueiro
10. Samba do urubú (Velha da Portela) Intérprete: Velha da Portela
11. Violeiro (Gracia do Salgueiro) Intérprete: Gracia do Salgueiro
12. Cuidado, malandro (Velha da Portela - Mathias de Freitas) Intérprete: Velha da Portela
13. Não brigue com ela (Gracia do Salgueiro) Intérprete: Gracia do Salgueiro
14. Meu tamborim (Velha da Portela - Jair Amorim - Evaldo Gouveia) Intérprete: Velha da Portela
Baixe esse disco no Na Onda do Samba Rock.
João: Misturando o Brasil com o mundo
365 mashups. 365 loucas misturas feitas pelo DJ e compositor João Brasil. Ele, que toca desde os 12 anos e se formou na renomada Berklee College of Music, nos Estados Unidos, tem dedicado seu tempo a um projeto pra lá de curioso: 1 mashup por dia durante um ano.

O site 365 mashups já tem misturas ousadíssimas como o som do sexo oral feito por Tessália junto com Glenn Gould tocando Bach, Miles Davis com Snoop Dog, Beatles com Bonde do Tigrão e por aí vai.
Um pacote perfeito tanto para irritar os puristas, quanto para agradar os mais arrojados. Confira algumas maluquices feitas por ele:
"365 Igrejas", de Dorival Caymmi e "Interlude", de Jay Z
"Palco", de Gilberto Gil e "December 4th", de Jay Z
"Garota de Ipanema", de Tom Jobim e "Denúncia", de Olodum
"Blowing in the wind", de Bob Dylan e "Banda do Pelô", de Olodum
"Music", de Madonna e "Batucada", de Dom Um Romão
"One more time", de Daft Punk e "Mas que nada", de Jorge Ben
E para terminar, um clássico da música brasileira
"What more can I say", de Jay Z e "Fricote" de Luiz Caldas

O site 365 mashups já tem misturas ousadíssimas como o som do sexo oral feito por Tessália junto com Glenn Gould tocando Bach, Miles Davis com Snoop Dog, Beatles com Bonde do Tigrão e por aí vai.
Um pacote perfeito tanto para irritar os puristas, quanto para agradar os mais arrojados. Confira algumas maluquices feitas por ele:
"365 Igrejas", de Dorival Caymmi e "Interlude", de Jay Z
"Palco", de Gilberto Gil e "December 4th", de Jay Z
"Garota de Ipanema", de Tom Jobim e "Denúncia", de Olodum
"Blowing in the wind", de Bob Dylan e "Banda do Pelô", de Olodum
"Music", de Madonna e "Batucada", de Dom Um Romão
"One more time", de Daft Punk e "Mas que nada", de Jorge Ben
E para terminar, um clássico da música brasileira
"What more can I say", de Jay Z e "Fricote" de Luiz Caldas
O ganhador é...
Quem levou o livro da "Nasci para sonhar e cantar - Dona Ivone Lara: a mulher no samba", de Mila Burns, foi Felipe Rama, que mandou os versos:
"Quem nasce para o samba
Não precisa ser
Já de um berço de bamba
Mas tem que se virar,
Cantar, sonhar,
Tocar, chorar,
Viver e amar..."

Obrigado a todos que participaram e até a próxima promoção do Vermute!
"Quem nasce para o samba
Não precisa ser
Já de um berço de bamba
Mas tem que se virar,
Cantar, sonhar,
Tocar, chorar,
Viver e amar..."

Obrigado a todos que participaram e até a próxima promoção do Vermute!
quinta-feira, 18 de março de 2010
Bambas na banca
A minha ideia hoje era postar o comercial da "Coleção Folha Raízes da Música Popular Brasileira", que chega às bancas neste domingo. O comercial é bem bacana, e é embalado pelo samba "Conversa de botequim", de Noel Rosa. Aliás, Noel é quem abre a coleção, junto com Lamartine Babo. No entanto, ele não está disponível na internet.
Serão 25 CDs, a R$ 14,90 cada, e com eles virá também um livro de 60 páginas com biografia do compositor, mais discografia selecionada, letras e fotos. Os textos ficam por conta de nomes como: Arthur de Faria, Henrique Cazes, Irineu Perpétuo, Hugo Sukman, Luiz Fernando Vianna, Moacyr de Andrade, Rodrigo Faour, Tarik de Souza, João Máximo e Zuza Homem de Mello.
Mais informações aqui.
Veja abaixo os nomes homenageados na coleção:
01. Noel Rosa
02. Lamartine Babo
03. Cartola
04. Pixinguinha
05. Ataulfo Alves
06. Lupicínio Rodrigues
07. Adoniran Barbosa
08. Dolores Duran
09. Ary Barroso
10. Luiz Gonzaga
11. Nelson Cavaquinho
12. Dorival Caymmi
13. Braguinha
14. Herivelto Martins
15. Jackson do Pandeiro
16. Paulo Vanzolini
17. Silvio Caldas
18. Chiquinha Gonzaga
19. Jacob do Bandolim
20. Ernesto Nazareth
21. Ismael Silva
22. Assis Valente
23. Geraldo Pereira
24. Waldir Azevedo
25. Sinhô
Serão 25 CDs, a R$ 14,90 cada, e com eles virá também um livro de 60 páginas com biografia do compositor, mais discografia selecionada, letras e fotos. Os textos ficam por conta de nomes como: Arthur de Faria, Henrique Cazes, Irineu Perpétuo, Hugo Sukman, Luiz Fernando Vianna, Moacyr de Andrade, Rodrigo Faour, Tarik de Souza, João Máximo e Zuza Homem de Mello.
Mais informações aqui.
Veja abaixo os nomes homenageados na coleção:
01. Noel Rosa
02. Lamartine Babo
03. Cartola
04. Pixinguinha
05. Ataulfo Alves
06. Lupicínio Rodrigues
07. Adoniran Barbosa
08. Dolores Duran
09. Ary Barroso
10. Luiz Gonzaga
11. Nelson Cavaquinho
12. Dorival Caymmi
13. Braguinha
14. Herivelto Martins
15. Jackson do Pandeiro
16. Paulo Vanzolini
17. Silvio Caldas
18. Chiquinha Gonzaga
19. Jacob do Bandolim
20. Ernesto Nazareth
21. Ismael Silva
22. Assis Valente
23. Geraldo Pereira
24. Waldir Azevedo
25. Sinhô
quarta-feira, 17 de março de 2010
Selecionando para a seleção
O post de hoje não vai falar de histórias, não traz vídeos, nem fotos sambísticas. Hoje eu venho aqui para pedir sugestões para uma seção que anda meio esquecida no VCA: Seleção Vermute.
Há um bom tempo, antes da rádio Nova Brasil FM nascer, havia uma outra rádio bem melhor que tocava MPB. Não lembro seu nome, mas tinha um programa muito bacana que consistia em coletar pedidos dos ouvintes para organizar seleções de música baseados nos temas sugeridos.
E é justamente isso que queremos fazer aqui. As ideias podem ser as mais variadas possíveis: vestuário, violência, traição...enfim, tudo o que vier na cabeça. Mas para isso é preciso que vocês comentem aqui, pedindo os temas.
Bora dizer?
Há um bom tempo, antes da rádio Nova Brasil FM nascer, havia uma outra rádio bem melhor que tocava MPB. Não lembro seu nome, mas tinha um programa muito bacana que consistia em coletar pedidos dos ouvintes para organizar seleções de música baseados nos temas sugeridos.
E é justamente isso que queremos fazer aqui. As ideias podem ser as mais variadas possíveis: vestuário, violência, traição...enfim, tudo o que vier na cabeça. Mas para isso é preciso que vocês comentem aqui, pedindo os temas.
Bora dizer?
terça-feira, 16 de março de 2010
Quinta é dia de samba no CCPC
segunda-feira, 15 de março de 2010
Disco da semana: Candeia - Acervo Funarte

Em 1998, a Funarte prestou uma bela homenagem a Candeia. O álbum "Candeia - Acervo Funarte" reuniu uma série de sambistas, de alta patente, para cantar sambas daquele que cantava com os olhos rasos d'água ou com o sorriso na boca.
Entre as músicas, destaco o samba enredo "Seis Datas Magnas", que desbancou o samba de Manacéa na disputa e obteve nota máxima dos jurados. Também chamo a atenção para o único samba de Candeia em parceria com Monarco, "Portela é uma Família Reunida".
E, finalmente, vale a pena ouvir a bela parceria de Candeia e Walter Rosa, que fecha o disco com chave de ouro, com uma primorosa interpretação de Paulo César Pinheiro.
Músicas:
1 – Não Vou Te Perdoar(Candeia e Wilson Moreira / Intérpretes: Aniceto e Wilson Moreira)
2 – Morro do Sossego (Arthur Poerner e Candeia / Intérprete: Cristina Buarque)
3 – O Último Bloco(Candeia / Intérprete: Mauro Diniz)
4 – Anjo Moreno (Candeia / Intérprete: Mauro Duarte)
5 – Quero Estar Só (Candeia e Wilson Moreira / Intérprete: Wilson Moreira)
6 – Portela é uma Família Reunida (Monarco e Candeia / Intérprete: Monarco)
7 – Criança Louca (Candeia / Intérprete: Carlinhos Vergueiro)
8 – Réu Confesso/indecisão (Candeia, Casquinha e David do Pandeiro – Candeia e Casquinha / Intérprete: Casquinha)
9 – Seis Datas Magnas (Altair Prego e Candeia / Intérprete: Velha-Guarda da Portela)
10 – Testamento de Partideiro (Candeia / Intérprete: Doca da Portela)
11 – Peso dos Anos (Candeia e Walter Rosa / Intérprete: Paulo César Pinheiro)
Baixe aqui esse disco.
A mulher que foi pro dicionário
Do dicionário Aurélio:
"Amélia - Mulher que aceita toda sorte de privações e/ou vexames sem reclamar, por amor a seu homem."

Esta é o único verbete decorrente de uma música. Mas de onde surgiu essa tal Amélia? Amélia dos Santos Ferreira foi uma empregada de Aracy de Almeida e seu irmão, o baterista Almeidinha. Este costumava brincar quando as coisas lhe iam mal: "Ah! A Amélia! Aquilo sim é que era mulher! Lavava, passava, engomava, cozinhava, apanhava e não reclamava". Amélia morreu em julho de 2001, aos 91 anos de idade.
Quando deu a explicação de onde tinha surgido a ideia, em 1953, na revista Radiolândia, Ataulfo comentou: "Com essa explicação desiludi milhares de Amélias, que se julgavam homenageadas. Em compensação, ganhei tranquilidade doméstica. Minha esposa até hoje era cismada com essa tal de Amélia".
Mas quem disse que a música tinha nascido para ser hit? Começou mesmo é numa briga entre Ataulfo Alves e Mário Lago. Mário entregou a letra para Ataulfo musicar e ele acabou fazendo várias alterações em função da melodia. Mário ficou indignado e decidiu abandonar a parceria.
Além disso, ninguém queria gravar! Cyro Monteiro recusou, Carlos Galhardo recusou, Orlando Silva também não quis e Moreira da Silva chegou a chamar o samba de "marcha fúnebre". Aí o Ataulfo é que teve que colocar a sua própria voz, numa gravação feita no estúdio da Odeon em 1941.
A gravação original teve um toque de gênio de Jacob do Bandolim. Ele foi convidado por Ataulfo em caráter de urgência:
- Olha, Jacob, preciso de você para gravar aqui e agora.
- Mas estou sem o bandolim, rapaz. Onde vou encontrar um bandolim?
"Ele me obrigou, de uma corrida na Rua do Senado, apanhou um cavaquinho muito ordinário, que nem verniz tinha, pintado a pincel, com cordas de cobre [...]Com aquele cavaquinho, eu não podia fazer nada. Solar não podia, porque iria sair desafinado. Então improvisei aquela introdução que se tornou típica. Só naquela entrada do cavaquinho, todo mundo sabia que era Amélia", disse o grande Jacob ao MIS (Museu da Imagem e Som).
A primeira gravação, de 1941 e lançada no Carnaval do ano seguinte
Uma versão mais elaborada, do disco "O melhor de Ataulfo Alves", de 1984
Apesar do estrondoso sucesso até hoje, Ataulfo só recebeu 500 mil réis. Isso porque ele vendeu os direitos ao editor Emílio Vitale, usando o dinheiro para pagar Mário Lago, que queria um adiantamento pela música. "É a música que menos me rendeu direitos autorais, embora seja o maior sucesso meu e do próprio Mário Lago", revelou em seu depoimento ao MIS em 17 de novembro de 1966.
O samba Amélia tem mais uma dezena de boas histórias. Todas contadas no livro "Ataulfo Alves - Vida e Obra", escrito por Sérgio Cabral
"Amélia - Mulher que aceita toda sorte de privações e/ou vexames sem reclamar, por amor a seu homem."

Esta é o único verbete decorrente de uma música. Mas de onde surgiu essa tal Amélia? Amélia dos Santos Ferreira foi uma empregada de Aracy de Almeida e seu irmão, o baterista Almeidinha. Este costumava brincar quando as coisas lhe iam mal: "Ah! A Amélia! Aquilo sim é que era mulher! Lavava, passava, engomava, cozinhava, apanhava e não reclamava". Amélia morreu em julho de 2001, aos 91 anos de idade.
Quando deu a explicação de onde tinha surgido a ideia, em 1953, na revista Radiolândia, Ataulfo comentou: "Com essa explicação desiludi milhares de Amélias, que se julgavam homenageadas. Em compensação, ganhei tranquilidade doméstica. Minha esposa até hoje era cismada com essa tal de Amélia".
Mas quem disse que a música tinha nascido para ser hit? Começou mesmo é numa briga entre Ataulfo Alves e Mário Lago. Mário entregou a letra para Ataulfo musicar e ele acabou fazendo várias alterações em função da melodia. Mário ficou indignado e decidiu abandonar a parceria.
Além disso, ninguém queria gravar! Cyro Monteiro recusou, Carlos Galhardo recusou, Orlando Silva também não quis e Moreira da Silva chegou a chamar o samba de "marcha fúnebre". Aí o Ataulfo é que teve que colocar a sua própria voz, numa gravação feita no estúdio da Odeon em 1941.
A gravação original teve um toque de gênio de Jacob do Bandolim. Ele foi convidado por Ataulfo em caráter de urgência:
- Olha, Jacob, preciso de você para gravar aqui e agora.
- Mas estou sem o bandolim, rapaz. Onde vou encontrar um bandolim?
"Ele me obrigou, de uma corrida na Rua do Senado, apanhou um cavaquinho muito ordinário, que nem verniz tinha, pintado a pincel, com cordas de cobre [...]Com aquele cavaquinho, eu não podia fazer nada. Solar não podia, porque iria sair desafinado. Então improvisei aquela introdução que se tornou típica. Só naquela entrada do cavaquinho, todo mundo sabia que era Amélia", disse o grande Jacob ao MIS (Museu da Imagem e Som).
A primeira gravação, de 1941 e lançada no Carnaval do ano seguinte
Uma versão mais elaborada, do disco "O melhor de Ataulfo Alves", de 1984
Apesar do estrondoso sucesso até hoje, Ataulfo só recebeu 500 mil réis. Isso porque ele vendeu os direitos ao editor Emílio Vitale, usando o dinheiro para pagar Mário Lago, que queria um adiantamento pela música. "É a música que menos me rendeu direitos autorais, embora seja o maior sucesso meu e do próprio Mário Lago", revelou em seu depoimento ao MIS em 17 de novembro de 1966.
O samba Amélia tem mais uma dezena de boas histórias. Todas contadas no livro "Ataulfo Alves - Vida e Obra", escrito por Sérgio Cabral
sexta-feira, 12 de março de 2010
Cartola
Três vídeos do mestre maior do samba para começar bem o fim de semana. Nem preciso dizer mais nada.
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