Em 1973, o cineasta Ivan Cardoso resolveu gastar algumas horas do seu tempo para filmar um curta-metragem sobre Moreira da Silva e seu personagem mais famoso, Kig Morengueira.
Já com 70 anos, mas em plena forma Moreira topa e se apresenta na maior estica: terno de linho branco e chapéu panamá. O malandro do samba de breque interpreta seu personagem ainda mais malandro em cenários conhecidíssimos dos valentes das antigas, como o Morro de São Carlos, o Hipódromo da Gávea, o Cinema íris ou a gafieira Elite...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
As capas dos discos de samba

Além de um som melhor, um dos grandes baratos dos LP´s são as capas. Por conta de seu tamanho maior, os artistas tinham mais espaço na hora de criar. Não raro, as capas acabam se tornando até mais famosas que os próprios discos, confirmando o caráter artístico da mesma.
Por conta de um projeto de graduação, Raoni Felix e Tamara Emy fizeram um livro sobre as capas de discos de samba, principalmente das décadas de 1950, 1960, 1970 e 1980. O livro tem como proposta a análise das capas no decorrer destas décadas. Como o projeto ainda não tem uma versão impressa, a dupla resolveu disponibilizar o trabalho para consulta na internet. Vale muito a pena!
Para acessá-lo clique aqui.
Disco da semana: Tantinho canta Padeirinho da Mangueira - Tantinho

Há tempos não figurava aqui nesta seção, um disco que está vendendo por aí, na praça. Pois bem, neste feriado escutei o CD “Tantinho canta Padeirinho da Mangueira”, e logo vi que se tratava de um grande registro.
Dono de um cantar sóbrio e preciso, nem seria preciso dizer nada sobre o repertório do disco de Tantinho. Ainda mais porque Padeirinho figura na mais alta linhagem do samba da Mangueira. Mesmo assim, vale alguns pitacos: com arranjos “tranqüilos”, o disco passeia por sambas um mais conhecidos, como: “A situação do Escurinho”, “Terreiro de Itacuruçá”, “Favela” e “Linguagem do morro” e também por alguns que poucos conhecem, no entanto, não menos inspirados. Participa, como intérprete em duas faixas, o filho mais velho de Padeirinho, Mestre Birinha, que não fica atrás de Tantinho. Sem dúvida, um dos pontos altos do disco.
Distância (Padeirinho) - Canta Mestre Birinha
O grande presidente (Padeirinho) - Canta Tantinho
Músicas:
01- Modificado (Padeirinho)
02- Rua das casas (Padeirinho)
03- Esta saudade (Padeirinho / Jorginho Peçanha)
04- Cuidado mulher (Padeirinho)
05- Se manda mané (Padeirinho)
06- A situação do escurinho (Padeirinho / Aldacyr Louro)
07- Logo a mim (Padeirinho)
08- O remrorso me persegue (Padeirinho)
09- Tereiro em Itacuruçá (Padeirinho / Moacyr)
10- Favela (Padeirinho / Jorginho Peçanha)
11- Distância (Padeirinho)
12- Linguagem do morro (Padeirinho / Ferreira dos Santos)
13- A mais querida (Padeirinho)
14- O Grande presidente (Padeirinho)
Compre este disco aqui.
Baixe esse disco no Download é Comunismo.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
A incrível coincidência entre Paulinho e Zeca
Até hoje eu não tinha me dado conta desta imensa coincidência. Duas músicas que se parecem demais no tema e na forma em que são cantadas. "Timoneiro", feita por Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho e "Deixa a vida me levar", composta por Serginho Meriti e Eri do Cais.

O primeiro ponto de encontro entre as duas é o tema. Ambas falam sobre os caminhos que a vida vai oferecendo, o destino difícil de ser contestado. Na de Paulinho, o mar simboliza a vida que o carrega para lá e para cá: "Meu velho um dia falou/Com seu jeito de avisar:/Olha, o mar não tem cabelos/Que a gente possa agarrar". Muito menos sutil, a música eternizada por Zeca, o refrão já diz tudo: "Deixa a vida me levar"
Em seguida, o eu-lírico que nos dois sambas não tem dinheiro o suficiente para mudar o rumo que a vida está impondo. Mais uma vez, Paulinho e Hermínio esbanjam sutileza fazer uma comparação com um pescador: "A rede do meu destino/Parece a de um pescador;Quando retorna vazia/Vem carregada de dor". Zeca deixa bem claro de que classe social está falando: "Confesso que sou/De origem pobre/Mas meu coração é nobre/Foi assim que Deus me fez".
Outro fator comum às duas é a presença de Deus. Enquanto Zeca canta "E sou feliz e agradeço/Por tudo que Deus me deu...", Paulinho solta: "Timoneiro nunca fui/Que eu não sou de velejar/O leme da minha vida/Deus é quem faz governar".
O penúltimo ponto de tangência entre as duas, pelo menos que entre os que eu notei, está na moral da história. Apesar dos problemas, ambos são felizes como são. Paulinho canta que "A onda que me carrega/Ela mesma é quem me traz", ou seja, os problemas vão e voltam. Ao passo que Zeca diz: "Se não tenho tudo que preciso/Com o que tenho, vivo/De mansinho lá vou eu".
Por fim, o mais impressionante: o refrão. Note que nas duas as frases são repetidas na ordem direta e inversa.

O primeiro ponto de encontro entre as duas é o tema. Ambas falam sobre os caminhos que a vida vai oferecendo, o destino difícil de ser contestado. Na de Paulinho, o mar simboliza a vida que o carrega para lá e para cá: "Meu velho um dia falou/Com seu jeito de avisar:/Olha, o mar não tem cabelos/Que a gente possa agarrar". Muito menos sutil, a música eternizada por Zeca, o refrão já diz tudo: "Deixa a vida me levar"
Em seguida, o eu-lírico que nos dois sambas não tem dinheiro o suficiente para mudar o rumo que a vida está impondo. Mais uma vez, Paulinho e Hermínio esbanjam sutileza fazer uma comparação com um pescador: "A rede do meu destino/Parece a de um pescador;Quando retorna vazia/Vem carregada de dor". Zeca deixa bem claro de que classe social está falando: "Confesso que sou/De origem pobre/Mas meu coração é nobre/Foi assim que Deus me fez".
Outro fator comum às duas é a presença de Deus. Enquanto Zeca canta "E sou feliz e agradeço/Por tudo que Deus me deu...", Paulinho solta: "Timoneiro nunca fui/Que eu não sou de velejar/O leme da minha vida/Deus é quem faz governar".
O penúltimo ponto de tangência entre as duas, pelo menos que entre os que eu notei, está na moral da história. Apesar dos problemas, ambos são felizes como são. Paulinho canta que "A onda que me carrega/Ela mesma é quem me traz", ou seja, os problemas vão e voltam. Ao passo que Zeca diz: "Se não tenho tudo que preciso/Com o que tenho, vivo/De mansinho lá vou eu".
Por fim, o mais impressionante: o refrão. Note que nas duas as frases são repetidas na ordem direta e inversa.
"Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar"
"Deixa a vida me levar
Vida leva eu"
Falatório à parte, ouça (e alto) estes dois bons sambas, que curiosamente também estão no formato Acústico MTV.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Parcerias brasileiras de Mercedes Sosa
Três dias depois de seu falecimento, vale ainda fazer uma homenagem em forma de post à grande cantora e mulher que ficou conhecida como ‘La Negra’, devido a cor escura dos cabelos.Não somente porque Mercedes Sosa foi dona de uma das vozes mais representativas do cancioneiro popular argentino e da América Latina e gravou mais de 40 álbuns, mas vale lembrar de suas parcerias com importantes músicos brasileiros como Caetano, Chico, Milton e Beth Carvalho.
No dueto com Beth Carvalho, foi a sambista quem mais se adaptou ao universo da cantora argentina. Elas não repicaram, mas uniram suas vozes cantando juntas ‘Solo le pido a Dios’, no Rio de Janeiro em 1986. A faixa, típica música latino americana de protesto, entrou para o disco ‘Beth’, do mesmo ano.
O auge da popularidade de Mercedes Sosa no Brasil foi na década de 70. A cantora defendeu através de sua música, a liberdade e ampliação de direitos humanos em período de forte opressão militar no cenário latino americano.
Em 1980, a cantora gravou o álbum ‘Ao Vivo no Brasil’ e em 1982 teve um outro disco montado só para o mercado brasileiro, ‘Gente Humilde’, puxado pela faixa-título de Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Garoto.
A última parceria brasileira de Mercedes Sosa foi em 2007, com Maria Rita. Além de ‘Insensatez’ de Tom e Vinícius de Moraes, as duas cantaram canções de Milton Nascimento, como ‘Coração de Estudante’ e ‘Encontros e Despedidas’.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Somos todos filhos da terra
Conheçam Adão Xalebaradã, um homem com mais de 500 composições. Quase sempre é um batuque simples com uma letra complexa e crítica. Em 1998, os cineastas Walter Moreira Salles e Daniela Thomas subiram o morro do Cantagalo onde residia Adão e filmaram o curta "Somos todos filhos da terra". O filme foi premiado no Festival de Cinema de Tiradentes(MG) daquele ano.
Em 2003, Adão lançou o cd "Escolástica" pelo Selo Ambulante. Xalebaradã também foi o responsável pela troca do nome de "Dadinho" por "Zé Pequeno". Explico: é que em 2002 o cineasta Fernando Meirelles o convidou para atuar com Pai-de-Santo no filme "Cidade de Deus".
Em 2003, Adão lançou o cd "Escolástica" pelo Selo Ambulante. Xalebaradã também foi o responsável pela troca do nome de "Dadinho" por "Zé Pequeno". Explico: é que em 2002 o cineasta Fernando Meirelles o convidou para atuar com Pai-de-Santo no filme "Cidade de Deus".
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O apito de Pato N´água
Wálter Gomes de Oliveira, era esse o nome de Pato N´água, um mestre de bateria como poucos. Aliás, mestre não, Pato N´Água era apitador como se dizia antigamente. Comandando o cordão do Vai-Vai, o batuque saía perfeito, sem nenhum probleminha na afinação ou ritmo. "Ele passou pelo Bixiga, pela Vila Santa Isabel que hoje é a Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé, Peruche, Camisa Verde...", conta Geraldo Filme no seu Ensaio à TV Cultura.
O cara era mesmo uma fera. Bom de dar pernada na tiririca, Pato era um malandro completo. Um negrão alto, forte e valente. E como bom bamba que era, Geraldo Filme conta que Pato era cheio de "comadrinhas" por aí. E foi num dia que o homem foi visitar suas moçoilas que o bicho pegou. Pato alugou um táxi e começou a rodar a cidade. Visitou uma aqui, tomou um café acolá, bateu um papo noutra esquina. Enfim, ficou o dia todo com o mesmo motorista que acabou desconfiando e avisando a polícia. Como já naquela época o pessoal atira primeiro pra depois perguntar, Pato acabou dançando. Em uma manhã de 1969 foi encontrado morto em uma lagoa de Suzano.
"O laudo dava infarte. Mas de susto não morreu porque era bravo. Afogado também não porque era Pato N´Àgua porque nadava bem demais", lembra Geraldo Filme, "Aí o motorista do carro funerário disse pra mim, o Carlão do Peruche: 'Dá uma olhada na japona dele que ela tá com uns furos meio estranhos' Aí quando o Carlão pegou a japona, o dedo dele já entrou no buraco. Aí fomos tirar a roupa dele pra ver, mas não tinha marca de furo. Aí fomos tirar a roupa dele pra ver e não tinha marca de furo. Aí explicaram pra gente que se foi baioneta ou punhal, na água fecha".
Pra contar o final da história, Plínio Marcos, em um texto que saiu no dia 13 de fevereiro de 1977 na Folha de S. Paulo: "O que se sabe é que a notícia chegou no Bexiga à tardinha, na hora da Ave-Maria, e logo correu pelos estreitos, escamosos e esquisitos caminhos do roçado do bom Deus. E por todas as quebradas do mundaréu, desde onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos, o povão chorou a morte do sambista Pato Nágua. E o Geraldão da Barra Funda, legítimo poeta do povo, chorou por todos num bonito samba chamado Silêncio no Bexiga".
Silêncio no Bixiga
Silêncio
O sambista está dormindo
Ele foi mas foi sorrindo
A notícia chegou quando anoiteceu
Escolas
Eu peço silêncio de um minuto
O Bixiga está de luto
O apito de Pato N'água emudeceu
Partiu
Não tem placa de bronze
Não fica na história
Sambista de rua morre sem glória
Depois de tanta alegria que ele nos deu
Assim
Um fato repete de novo
Sambista de rua, artista do povo
E é mais um que foi sem dizer adeus
Silêncio...
O cara era mesmo uma fera. Bom de dar pernada na tiririca, Pato era um malandro completo. Um negrão alto, forte e valente. E como bom bamba que era, Geraldo Filme conta que Pato era cheio de "comadrinhas" por aí. E foi num dia que o homem foi visitar suas moçoilas que o bicho pegou. Pato alugou um táxi e começou a rodar a cidade. Visitou uma aqui, tomou um café acolá, bateu um papo noutra esquina. Enfim, ficou o dia todo com o mesmo motorista que acabou desconfiando e avisando a polícia. Como já naquela época o pessoal atira primeiro pra depois perguntar, Pato acabou dançando. Em uma manhã de 1969 foi encontrado morto em uma lagoa de Suzano.
"O laudo dava infarte. Mas de susto não morreu porque era bravo. Afogado também não porque era Pato N´Àgua porque nadava bem demais", lembra Geraldo Filme, "Aí o motorista do carro funerário disse pra mim, o Carlão do Peruche: 'Dá uma olhada na japona dele que ela tá com uns furos meio estranhos' Aí quando o Carlão pegou a japona, o dedo dele já entrou no buraco. Aí fomos tirar a roupa dele pra ver, mas não tinha marca de furo. Aí fomos tirar a roupa dele pra ver e não tinha marca de furo. Aí explicaram pra gente que se foi baioneta ou punhal, na água fecha".
Pra contar o final da história, Plínio Marcos, em um texto que saiu no dia 13 de fevereiro de 1977 na Folha de S. Paulo: "O que se sabe é que a notícia chegou no Bexiga à tardinha, na hora da Ave-Maria, e logo correu pelos estreitos, escamosos e esquisitos caminhos do roçado do bom Deus. E por todas as quebradas do mundaréu, desde onde o vento encosta o lixo e as pragas botam os ovos, o povão chorou a morte do sambista Pato Nágua. E o Geraldão da Barra Funda, legítimo poeta do povo, chorou por todos num bonito samba chamado Silêncio no Bexiga".
Silêncio no Bixiga
Silêncio
O sambista está dormindo
Ele foi mas foi sorrindo
A notícia chegou quando anoiteceu
Escolas
Eu peço silêncio de um minuto
O Bixiga está de luto
O apito de Pato N'água emudeceu
Partiu
Não tem placa de bronze
Não fica na história
Sambista de rua morre sem glória
Depois de tanta alegria que ele nos deu
Assim
Um fato repete de novo
Sambista de rua, artista do povo
E é mais um que foi sem dizer adeus
Silêncio...
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Domingo tem Samba de Terreiro de Mauá
Cidade mulher
Em homenagem à escolha do Rio de Janeiro como cidade-sede das olimpíadas de 2016 aqui vai um grande samba de Paulo da Portela

Cidade mulher (Paulo da Portela)
Cidade, quem te fala é um sambista,
Anteprojeto de artista,
Teu grande admirador
Me confesso boquiaberto,
De manhã, quando desperto
Com tamanho esplendor
Quando nosso infinito
Se apresenta tão bonito
Trajando azul anil
Baila o sol lá nas alturas
Dando maior formosura
À mais linda dama do Brasil
Como é linda suas matas,
Seus riachos e cascatas,
Deslumbrar-me é natural
Diante de tal beleza
Que lhe deu a natureza
Se há outra, não vi igual
Quando a tarde é cor de rosa
Ainda é mais formosa
Tem cenários sedutores
Te admiram os estrangeiros
Se orgulham os brasileiros
Seu poetas sonhadores

Cidade mulher (Paulo da Portela)
Cidade, quem te fala é um sambista,
Anteprojeto de artista,
Teu grande admirador
Me confesso boquiaberto,
De manhã, quando desperto
Com tamanho esplendor
Quando nosso infinito
Se apresenta tão bonito
Trajando azul anil
Baila o sol lá nas alturas
Dando maior formosura
À mais linda dama do Brasil
Como é linda suas matas,
Seus riachos e cascatas,
Deslumbrar-me é natural
Diante de tal beleza
Que lhe deu a natureza
Se há outra, não vi igual
Quando a tarde é cor de rosa
Ainda é mais formosa
Tem cenários sedutores
Te admiram os estrangeiros
Se orgulham os brasileiros
Seu poetas sonhadores
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Sacramento, o coração na cabeça
Aí moçada. Diretamente do Rio de Janeiro, nosso colaborador ítalo-carioca Alberto Riva bate um papo exclusivo com Marcos Sacramento, uma das ótimas revelações dos últimos tempos.
Viajante entre o presente e a tradição da música popular brasileira, o carioca de Niterói Marcos Sacramento, de 49 anos e com sobrenome Rimoli (verdadeiramente italiano, de Gênova), é guiado pelas emoções. Desde o seu primeiro trabalho solo, "A modernidade da tradição" (1994), relançado recentemente pela Biscoito Fino, gravadora com a qual o cantor e compositor lançou todos os seus últimos trabalhos, Sacramento coleciona um repertorio vastíssimo. E variado, como mostrou no último cd "Na Cabeça", que Sacramento vai lançar no Sesc/Campinas (7/10), depois na Vila Mariana (Sesc, 8/10) e no Sesi Rio Claro (30/10) em um show espetacular acompanhado pelos violões de Luiz Flavio Alcofra, Zé Paulo Becker e Rogério Caetano, e com Netinho Albuquerque ao pandeiro. No dia 13/10, Sacramento toca com o pianista de jazz Stefano Bollani, no Sesc Ginástico.
Nessa conversa informal com o Vermute, o cantor se diz devoto de Noel Rosa, Elis Regina e Orlando Silva e também revela ter um disco de valsas pronto pra ser lançado.

"Na Cabeça" fecha a trilogia inaugurada com "Memorável Samba" e depois com "Sacramentos"?
De certa forma sim, embora não tenha pensado nunca em termos de trilogia. Mas acho que encerra um ciclo.
O repertório é variado, como já foi "Sacramentos", só que desta vez é mais "autoral". Está sentindo mais a exigência de ser mais pessoal, de falar mais de si?
Gosto mais de ser cantor/intérprete do que de ser compositor. Às vezes até acho que tenho mais a dizer interpretando músicas alheias do que as minhas próprias, mas também tenho necessidade de compor. Então é natural que, de tempos em tempos essa necessidade fique mais aguçada. Isso está acontecendo agora, digo, nessa fase da minha vida, mas nada é definitivo. Pode ser que faça um próximo trabalho com a força do intérprete, pode ser que venha forte o compositor. Tenho sido muito cobrado para lançar em disco o show que fiz na Sala Cecília Meireles cantando as valsas, o “Valserestas”. Esse show foi gravado e está lindo. Um trabalho de intérprete forte pra caramba.
Como intérprete de samba, com quem sente mais afinidade e por que: Noel Rosa, Assis Valente, Geraldo Pereira ou Ari Barroso?
Você pegou pesado né? Todos esses são campeões. Tenho estado muito devotado a Noel. Gravei em todos os discos. Então...
Marcos, brincando um pouco, você é a reencarnação de Carmen, Dalva ou Elis?
(Risos) Você me perguntasse quem eu gostaria de ser, eu diria Elis!!!!!! Ou, Orlando Silva!
Você gosta mais de ouvir o samba pelos intérpretes (penso em Aracy, por exemplo) ou pelos compositores (tipo: Nelson Cavaquinho)?
Isso é relativo. Nelson Cavaquinho é um ótimo intérprete de suas próprias músicas, mas os intérpretes pra valer fazem a diferença. Quando você ouve um verdadeiro intérprete você percebe coisas da obra que às vezes o próprio autor pode não ter percebido. Digo isso porque já aconteceu comigo como compositor e como intérprete.
Qual é o melhor deles, pra você, cantando os próprios sambas? Quem te da mais emoção?
Cartola tinha uma sensibilidade comovente quando cantava.
Tem um compositor brasileiro que na sua opiniao deveria ser mais cantado, lembrado, conhecido pelo público?
Um monte! Custódio Mesquita, Herivelto Martins, Fátima Guedes, Ataulfo Alves e todos os bons compositores contemporâneos que estão por aí. Luís Capucho, Antonio Saraiva, Sérgio Natureza, Carlos Fuchs, Paulo Padilha, Paulo Baiano...
E você, Marcos, quando vai mostrar ao público o seu lado "voz e violao"? Ou, no mínimo, seu lado mais compositor?
Não sei. Não há previsão. Trabalho com a emoção que estou sentindo, não faço assim, um planejamento racional. Vou muito pela intuição.
Talvez no quarto capitulo da trilogia (desculpe o paradoxo)?
Quem sabe?
Se você quiser saber mais de Marcos Sacramento, visite o site.
Se quiser falar com o Alberto, basta escrever para: alberto.reporter@gmail.com
Viajante entre o presente e a tradição da música popular brasileira, o carioca de Niterói Marcos Sacramento, de 49 anos e com sobrenome Rimoli (verdadeiramente italiano, de Gênova), é guiado pelas emoções. Desde o seu primeiro trabalho solo, "A modernidade da tradição" (1994), relançado recentemente pela Biscoito Fino, gravadora com a qual o cantor e compositor lançou todos os seus últimos trabalhos, Sacramento coleciona um repertorio vastíssimo. E variado, como mostrou no último cd "Na Cabeça", que Sacramento vai lançar no Sesc/Campinas (7/10), depois na Vila Mariana (Sesc, 8/10) e no Sesi Rio Claro (30/10) em um show espetacular acompanhado pelos violões de Luiz Flavio Alcofra, Zé Paulo Becker e Rogério Caetano, e com Netinho Albuquerque ao pandeiro. No dia 13/10, Sacramento toca com o pianista de jazz Stefano Bollani, no Sesc Ginástico.
Nessa conversa informal com o Vermute, o cantor se diz devoto de Noel Rosa, Elis Regina e Orlando Silva e também revela ter um disco de valsas pronto pra ser lançado.

"Na Cabeça" fecha a trilogia inaugurada com "Memorável Samba" e depois com "Sacramentos"?
De certa forma sim, embora não tenha pensado nunca em termos de trilogia. Mas acho que encerra um ciclo.
O repertório é variado, como já foi "Sacramentos", só que desta vez é mais "autoral". Está sentindo mais a exigência de ser mais pessoal, de falar mais de si?
Gosto mais de ser cantor/intérprete do que de ser compositor. Às vezes até acho que tenho mais a dizer interpretando músicas alheias do que as minhas próprias, mas também tenho necessidade de compor. Então é natural que, de tempos em tempos essa necessidade fique mais aguçada. Isso está acontecendo agora, digo, nessa fase da minha vida, mas nada é definitivo. Pode ser que faça um próximo trabalho com a força do intérprete, pode ser que venha forte o compositor. Tenho sido muito cobrado para lançar em disco o show que fiz na Sala Cecília Meireles cantando as valsas, o “Valserestas”. Esse show foi gravado e está lindo. Um trabalho de intérprete forte pra caramba.
Como intérprete de samba, com quem sente mais afinidade e por que: Noel Rosa, Assis Valente, Geraldo Pereira ou Ari Barroso?
Você pegou pesado né? Todos esses são campeões. Tenho estado muito devotado a Noel. Gravei em todos os discos. Então...
Marcos, brincando um pouco, você é a reencarnação de Carmen, Dalva ou Elis?
(Risos) Você me perguntasse quem eu gostaria de ser, eu diria Elis!!!!!! Ou, Orlando Silva!
Você gosta mais de ouvir o samba pelos intérpretes (penso em Aracy, por exemplo) ou pelos compositores (tipo: Nelson Cavaquinho)?
Isso é relativo. Nelson Cavaquinho é um ótimo intérprete de suas próprias músicas, mas os intérpretes pra valer fazem a diferença. Quando você ouve um verdadeiro intérprete você percebe coisas da obra que às vezes o próprio autor pode não ter percebido. Digo isso porque já aconteceu comigo como compositor e como intérprete.
Qual é o melhor deles, pra você, cantando os próprios sambas? Quem te da mais emoção?
Cartola tinha uma sensibilidade comovente quando cantava.
Tem um compositor brasileiro que na sua opiniao deveria ser mais cantado, lembrado, conhecido pelo público?
Um monte! Custódio Mesquita, Herivelto Martins, Fátima Guedes, Ataulfo Alves e todos os bons compositores contemporâneos que estão por aí. Luís Capucho, Antonio Saraiva, Sérgio Natureza, Carlos Fuchs, Paulo Padilha, Paulo Baiano...
E você, Marcos, quando vai mostrar ao público o seu lado "voz e violao"? Ou, no mínimo, seu lado mais compositor?
Não sei. Não há previsão. Trabalho com a emoção que estou sentindo, não faço assim, um planejamento racional. Vou muito pela intuição.
Talvez no quarto capitulo da trilogia (desculpe o paradoxo)?
Quem sabe?
Se você quiser saber mais de Marcos Sacramento, visite o site.
Se quiser falar com o Alberto, basta escrever para: alberto.reporter@gmail.com
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