quarta-feira, 10 de junho de 2009

Os indicados

Quase que o prêmio Tim de Música Brasileira não rola este ano. Justamente porque não será mais patrocinado pela Tim, que abandonou o projeto com o objetivo de cortar custos. Mas mesmo assim a festa está confirmada para 1º de julho. Entre os sambistas que estão concorrendo a um prêmio estão Zeca Pagodinho, Nelson Sargento e Luiz Melodia (mesmo não sendo um nome típico do gênero).


O sambista Zeca, líder em indicações, concorre com obras do seu disco "Uma prova de amor". Além de Melhor Disco de Samba, Zeca batalha por uma estatueta nas categorias Melhor Cantor de Samba e Melhor Canção, com "Então Leva" (de Bira da Vila e Luiz Carlos da Vila) e "Uma prova de amor" (composta por Nelson Rufino e Toniho Geraes). O disco de Zeca concorre ainda na categoria de Melhor Arranjador.

Graças ao lançamento do seu disco "Versátil", Nelson Sargento concorre em três categorias: Melhor Disco, Melhor Cantor de Samba e Melhor Canção, com "Acabou meu sossego", uma parceria com Agenor de Oliveira. Já Melodia concorre com seu disco "Estação Melodia ao Vivo" nas categorias Melhor Disco de Samba e Melhor Cantor de Samba.

E aí, pra quem você torçe?
Se quiser saber mais, veja aqui

Dicas para os namorados

O dia dos namorados está chegando. Se você não sabe o que comprar, veja algumas dicas que não tem como dar errado.

R$ 23,99













Segundo CD da cantora paulista. Nele, ela presta uma bela homenagem ao também paulistano, Eduardo Gudin.

R$ 30,81














Edição revista e ampliada. Contém a musicografia e discografia completa do sambista. Além disso, acompanha um CD com 23 músicas inéditas recolhidas do acervo do autor, João Baptista M. Vargens.

Livro Pascalingundum: Os Eternos Demônios da Garoa
R$ 40,00












Biografia lançada recentemente sobre o grupo a mais tempo em atividade no mundo. Escrito pelo jornalista Assis Ângelo.

R$ 49,80














Documentário sobre a Velha Guarda da Portela, com making-off e cenas inéditas.

R$ 99,00














"Arrasta a sandália aí morena"

R$ 23,00













Cachaça mineira, medalha de prata no Festival da Cachaça de Belo Horizonte de 1995, ano em que teve sua produção encerrada. Envelhecida em carvalho por 10 anos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Elas são as cantoras do rádio...

Estivemos fora por dois dias, mas o Vermute volta com toda força nessa semaninha curta.

A dica desta terça-feira é pra ser aproveitada em instantes. Hoje, às 20h, a Folha de S.Paulo e o Cine Bombril promovem pré-estreia gratuita do documentário "Cantoras do Rádio". Dirigido pelo cineasta Gil Baroni, o filme fala sobre a época da "Era do Ouro" do rádio, entre as décadas de 1930 e 50.

Após o filme, o diretor e as cantoras Carmélia Alves, Carminha Mascarenhas e Ellen de Lima participam de debate com a plateia. Quer o trailer para dar um gostinho?




Ah, as senhas podem ser retiradas a partir das 19h, na bilheteria do cinema (no Conjunto Nacional, av. Paulista, 2.073).

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Os romances de Miriam e Cristina

Posto hoje, duas ótimas versões para o samba "Meu Romance" de J. Cascata:


A primeira é de Miriam Batucada e está no disco "Amanhã Ninguém Sabe", de 1974. A versão de Miriam tem um surdo no começo, que sai de cena e deixa a marcação para um chimbal. Acompanhada também de piano, tamborim, cuíca e repique de anel, a música evidencia a voz da cantora que opta por uma interpretação mais cadenciada. Atente para o final. Aparece um som parecido com uma palhinha. É a própria Miriam batucando com as mãos.




A outra versão é da Banda Glória, com Cristina Buarque nos vocais. Recheada de metais que se intercalam, ainda é possível ouvir um pandeiro, agogô, cavaco, violões, atabaque e o surdo fazendo a marcação. A levada é mais rápida e destaca a melodia complexa do samba.


Meu Romance (J. Cascata)
Embaixo daquela jaqueira
Que fica lá no alto, majestosa
De onde se avista a turma da Mangueira
Quando se engalana com suas pastoras formosas
Ai, foi lá, quem é que diz
Que o nosso amor nasceu

Na tarde daquele memorável samba
Eu me lembro
Tu estavas de sandália
Com teu vestido de malha
No meio daqueles bambas
Nossos olhares cruzaram
E eu para te fazer a vontade
Tirei fora o colarinho
Passei a ser malandrinho
Nunca mais fui à cidade

Pra gozar o teu carinho
Na tranquilidade
E hoje faço parte da turma
No braço trago sempre o paletó
O lenço amarrado no pescoço
Eu já me sinto um outro moço
Com meu chinelo Charlote
E até faço valentia
E tiro samba de harmonia

quinta-feira, 4 de junho de 2009

"Eu sei onde a coruja dorme"

Porta-voz do morro, Bezerra da Silva bate um papo com Lorena Calábria, do programa Ensaio Geral. Deixa o malandro falar!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Os batuqueiros da Paulicéia e suas histórias

Se sobre o "samba carioca" há muitas informações e registros sobre as suas raízes, o mesmo não podemos dizer do samba paulista. Visando preencher, ou o menos diminuir, esta lacuna é que Osvaldinho da Cuíca e André Domingues lançaram o livro "Batuqueiros da Paulicéia". O livro é dividido em duas partes: A primeira é dedicada ao samba de rua, explica a formação do samba nas festas de Pirapora e a evolução das agremiações carnavalescas -de cordão carnavalesco até as escolas de samba nos moldes atuais. A segunda parte se dedica a contar histórias dos sambistas profissionais. Nela Osvaldinho e André passeiam por nomes como Isaurinha Garcia, Blecaute, Germano Mathias. Além disso, os autores também passeiam pelo surgimento da bossa nova e do "pagode" dos anos 90.

Na minha opinião, a parte I (Samba de Rua) é que caracteriza este livro como essencial. Não que a parte II (Samba Profissional) não seja importante, até achei bastante interessante e há diversas histórias, mas é que na primeira parte há informações que até então eram um tanto quanto desencontradas. Osvaldinho e André colocam os pingos nos i´s e sem muito rodeios e com uma linguagem de fácil entendimento. Tirando algumas transcrições de notas músicais, qualquer um pode entender o raciocínio da dupla.

Osvaldinho da Cuíca e André Domingues cumprem com louvor a função de recuperar a história do surgimento da batucada paulistana. Também, Osvaldinho além de ser parte desta história é pesquisador no assunto. André Domingues também não é nenhum paraquedista no tema, já que se dedica a pesquisar a música brasileira desde os 14 anos. Enfim, trata-se de um trabalho primoroso e indispensável para quem quer entender ou apenas conhecer o samba paulista.


Batuqueiros da Paulicéia (2009)

Osvaldinho da Cuíca / André Domingues

Barcarola

R$ 34,00

Compre este livro aqui.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Maguila ataca de bamba

A letra está longe de ser um primor, mas ouvir o Maguila cantando samba é pra lá de curioso! Divirta-se.



Quer saber de onde vem isso tudo? Confira

Um bate-papo de primeira

Este é um daqueles segredos que você tem que contar para alguém.

Todas as terças-feiras, o jornalista e sambista diletante André Domingues leva uma seleta plateia de admiradores do samba a um mergulho na música brasileira. As palestras, que não passam de divertidos bate-papos muitíssimo bem ilustrados com exemplos sonoros, ocorrem no Centro Cultural e de Estudos Superiores Aúthos Pagano, na Lapa. Nesta terça começa uma nova etapa do curso de História da MPB, sobre a Era de Ouro. E o melhor, a inscrição é gratuita!

Centro Cultural e de Estudos Superiores Aúthos Pagano
Rua Thomé de Souza, 997, City Lapa.
Tel.: 11-3836-4316

Autor do livro Batuqueiros da Paulicéia, André dá uma palhinha do que rola nos encontros:
"Apesar de estarmos vivendo um momento bastante fértil em iniciativas de registro da cultura popular brasileira, a chamada “grande mídia”, especialmente no campo musical, tem apresentado uma sensível tendência à cultura estrangeira. Nada de muito preocupante. Afinal, o país tem uma longa tradição de assimilar a música do exterior e remodelar à nossa maneira, assim como fizeram Dick Farney e Lúcio Alves nos anos 40 e 50, no auge da expansão cultural norteamericana. Cada um deles tinha como referência uma vertente forte da canção dos Estados Unidos: Dick na linhagem dos pianistas cantores de jazz e Lúcio, na dos conjuntos vocais. Ambos, porém, se destacaram fazendo música brasileira, sobretudo samba-canção, aproveitando a sofisticação harmônica e interpretativa do jazz. O público que os acompanhava não era dos mais numerosos – Lúcio até ganhou a bem-humorada alcunha de “O Cantor das Multidinhas” -, mas tinha entusiasmo e fidelidade suficientes para se por a disputar sobre qual dos dois carregava melhor a bandeira da modernização jazzística da MPB. De um lado, formou-se o Sinatra-Farney Fan Club (traçando uma relação direta entre o ídolo brasileiro e o mito Frank Sinatra) e de outro, pouco depois, o Dick Haimes-Lúcio Alves Fan Club (nesse caso, o mesmo movimento se esboça, mas com um cantor que, embora consagrado nas terras do Tio Sam, era argentino de nascimento). Dick e Lúcio, adeptos de um estilo low-profile, obviamente não alimentavam essa rivalidade juvenil, mas a situação foi ficando cada vez mais incômoda. Não adiantou nem Dick convidar Lúcio para uma reunião do Sinatra-Farney e falar aos seus fãs da amizade e da admiração recíproca que tinham. A solução foi gravarem juntos, em 1953, o delicioso samba “Tereza da Praia”, de Billy Blanco e do então novato Tom Jobim. Por dois minutos e 48 segundos os dois foram como um só, mostrando as incríveis possibilidades abertas pelo aprendizado dos padrões jazzísticos de interpretação. Uma certa disputa se percebe aqui e ali, quando Dick e Lúcio parecem competir na potência dos graves ou na inventividade dos melismas. Ao final, porém, soam harmoniosos, como dois testemunhos de uma mesma vontade de absorver e transformar em brasileiras as referências recebidas de fora."

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Disco da semana: O Partido Alto de Aniceto & Campolino - Aniceto do Império e Nilton Campolino


Acompanhado de Nilton Campolino, este é mais um disco irretocável de Aniceto do Império. Veja o que diz Elton Medeiros na parte de trás do LP:

O meu respeito e a minha admiração por Aniceto vêm do tempo em que eu era um jovem compositor da Escola de Samba Aprendizes de Lucas, que se fundiu com o Unidas da Capela para resultar na atual Unidos de Lucas.

Nessa época, eu procurava comparecer a todas as reuniões que pudessem enriquecer o meu conhecimento do mundo do samba.

Em várias delas, encontrei Aniceto do Império com o seu partido alto de forte influência rural (caxambu), a improvisar com espantosa facilidade, dando uma rica demonstração de um tipo de manifestação cultural poucas vezes registrado em disco.

Nílton Campolino — seu companheiro neste LP e também no Império Serrano —, conheci-o numa roda de partido alto na Ilha de Paquetá, há muitos anos, em um dos piqueniques que ali realizava, sempre nos dias 1º de maio, um boêmio de nome Samuel.

Tornei a vê-lo outras vezes e chegamos até participar da mesma roda de partido.

Com o tempo, perdi-os de vista, mas não de memória, tanto que ao ser convidado apra produzir um disco para a FEMURJ, lembrei-me prontamente de Aniceto.

Procurei localizá-lo e reuní-lo a Campolino, a quem já havia reenconrada numa festa do GRAN Quilombo e a quem mais tarde transmiti minhas idéias sobre este trabalho.

Ao reuní-los, tudo ficou mais fácil, graças não só a eles mas também ao Valdir 7, líder do Grupo Chapéu de Palha, aos componentes do próprio Grupo, ao conjunto As Autênticas, ao Toninho Barbosa, ao Braz Bezerra, ao Oswaldo Carneiro e ao conhecedor das manifestações populares Moacyr Andrade, a que passo a palavra.

ÉLTON MEDEIROS
Abril/1977

Estas e outras informações sobre o disco, você encontra neste blog dedicado exclusivamenta ao disco.

Músicas:
01. Segredo de Tia Romana (Aniceto)
02. Quem Tem, Tem (Aniceto)
03. Um Bocadinho Só (Aniceto)
04. Mocinho Cantador (Campolino)
05. Na Volta da Novelo (Bijuzinho /Aniceto)
06. Zé Ciumento (Aniceto)
07. Raízes da África (Aniceto)
08. Indesejável Mulher (Campolino) 
09. Atroz Cativeiro (Aniceto)
10. Maria Sara (Campolino)
11. João do Rosário (Aniceto)
12. Vacilação Não Dá Pé (Aniceto)

Baixe esse disco no Mercado de Pulgas.

SALVE!

Hoje aproveito o gancho da bossa-nova para fazer uma homenagem ao músico Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar. Não porque o Guinga seja um músico bossa-novista; não é. Mas porque falar sobre esse genial compositor e violonista carioca é perambular pela bossa-nova e pelo emaranhado rico dos gêneros da música popular brasileira. Ir até Guinga, é também passar pela obra do compositor Garoto, por Tom Jobim, Pixinguinha, Hermeto Pascoal, e Chico Buarque dentre outros músicos que o influenciaram. Na verdade, o bonito é ver como Guinga transcendeu aos gêneros musicais que bebeu, transbordando uma produção de múltiplas facetas. Daí a homenagem.
Guinga é choro em “Di Menor”, parceria com o violonista e compositor paulistano Celso Viáfora. Em “Mingus Samba”, mostra essa outra faceta. A linguagem erudita aflora em “Dissimulado”.



Chamo a atenção para o álbum Suíte Leopoldina que, não por acaso, foi apontado por unanimidade pelos críticos do Jornal O GLOBO , em 1999, como o melhor CD de música popular brasileira daquele ano. "Chá de panela", desse álbum, trouxe para Guinga o Prêmio Sharp de melhor música popular brasileira.

Também não é por acaso que “Dos Anjos” e “Constance” são as faixas que abrem e encerram o CD. Nas duas, a gaita do músico belga Toots Thielemans - talvez o maior gaitista do século XX - aparece junto ao violão de Guinga. O resultado é de uma sutileza primorosa.

Ainda sobre esse álbum, seria pouco caso não falar da maravilhosa execução do clarinetista Paulo Sérgio Santos de “Di Menor”.



SALVE Guinga e seus grandes parceiros!

Nos idos 90, Guinga foi considerado pela crítica "a maior revelação musical da década” e ainda "o mais importante herdeiro da brasilidade de Villa-Lobos". Vale dizer que além de uma vasta coleção de alcunhas sublimes, o músico tem hoje, em sua própria legião de admiradores e entusiastas, artistas do peso de Paco de Lucia e Michel Legrand.

Cada um deles também mereceria uma homenagem à parte: Paco de Lucia é talvez o maior guitarrista espanhol de flamenco; o pianista Legrand dedicou-se a trilhas de cinema – recebeu três Oscars – e liderou bandas de jazz que contavam com os maiores expoentes do gênero como Miles Davis, John Coltrane, Bill Evans e Herbie Mann.

SALVE a música!

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