sexta-feira, 10 de abril de 2009

Niltinho,Haroldo e as Alpargatas

Do tipo engraçadinho, que rende pelo menos uma risadinha no final. Assim é o novo comercial das Havaianas, que se passa em uma roda de samba por aí. O filme fala da crise (isso, A criiiise) e tem Marcos Palmeira usando suas alpargatas para acompanhar o pessoal no batuque. No final das contas, sai uma música composta por Niltinho e Haroldo Lobo, a famosíssima "Tristeza".



A música é de 1963 e fez tanto sucesso que Niltinho incorporou o título no seu sobrenome. “É o hino da minha vida, meu ganha-pão até hoje com direitos autorais, o que segura as pontas aqui em casa”, disse Niltinho. Certa feita ele contou sobre a música: “Compus Tristeza em 63 e passei a cantar a música no bloco Boêmios de Botafogo”, lembra.

Lá encontrou o compositor Haroldo Lobo, já conhecido por sucessos como Alalaô, Índio quer apito, Emília e Pra seu governo. Hardoldo gostou tanto que propôs parceria a Niltinho e por idéia de Haroldo suprimiram a segunda parte. “É que samba de Carnaval para pegar precisava ser curtinho”, explica Niltinho.

O site da Imperatriz Leopoldinense tem um belo perfil do compositor. Vale a pena

Mais no Vermute com Amendoim
Conheça o Casal Gasolino e o samba da Esso
Já viu "Noel, o Poeta da Vila"? Conheça o diretor
Tem até sueco batucando por aí. Se liga

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Dicas para o fim de semana em São Paulo

O feriado já bate à porta e está na hora de começar a se programar para o fim de semana. E para quem é de São Paulo o Vermute traz boas dicas:

Núcleo de Samba Jequitibá no Clube Etílico Musical.
Rua Fradique Coutinho, 1048
Inicio a partir das 19:30

Alfredo Del Penho e Pedro Paulo Malta amanhã no Ó do Borogodó.
Rua Horácio Lane, 21 - Pinheiros
Tel.: (11) 3814-4087.
Sexta-feira, 10 de abril, a partir de 22h30.
Entrada: R$ 20,00
P.S.: Até a última vez que eu fui (o que já faz bastante tempo), lá não se aceitava cartão. Portanto melhor mesmo é já chegar com o dinheiro em espécie.
Mais aqui.

Amanhã, sábado e domingo, Fabiana Cozza homenageia Elizeth Cardoso no Auditório Ibirapuera.
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n - Vila Mariana (Portão 2)
Sexta e sábado (10 e 11/04) - 21h
Domingo (12/04) - 19h
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada)
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Nó em Pingo D'água e Conjunto Época de Ouro, sábado e domingo no SESC Vila Mariana.
Sábado (11/04) - 21h
Domingo (12/04) - 18h
Ingressos: R$ 20,00 (inteira)
R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante)
R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)

Mais aqui.

E para semana:

Lançamento do CD Banda Glória convida Cristina Buarque, no SESC Vila Mariana.
Terça-feira (14/04)
Ingressos: R$ 20,00 (inteira)
R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante)
R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)
Mais aqui.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

No tempo de Noel (8 de 11)

Para quem não sabe o que está acontecendo, vale a explicação. Em 1951 um dos maiores radialistas brasileiros elaborou uma série de programas para contar a vida de um dos mestres da nossa música: Noel Rosa. Os programas eram ao vivo e transmitidos pela Rádio Tupi.

E graças ao brilhante acervo de Milton Parron (esse aí da foto), disponibilizamos esta série para vocês. São 11 programas e já estamos no oitavo. Aproveitem, ouçam e baixem essa raridade.

Vermute no Twitter


Enfim ingressamos no Twitter. A principio a ferramenta será utilizada como uma espécie de feed. Então se você tem um perfil lá e quiser acompanhar o Vermute, é só clicar aqui e nos seguir.

terça-feira, 7 de abril de 2009

As deslumbrantes ilustrações de Elifas

Há alguns dias postei um disco cuja capa havia sido feita pelo artista Elifas Andreato. Pesquisando, achei que seria interessante trazer um pouco da sua obra para cá.

Elifas começou como estagiário na Abril, onde em pouco tempo já viria a se tornar diretor de arte do núcleo de fascículos femininos. Entre tantas outras publicações, também foi responsável pela criação da Placar e da coleção História da Música Brasileira (aquela que tem aos montes nos sebos). Depois passou a criar visual para peças de teatro e capas de discos, e é ai que começa mais um "samba pintado".



Em entrevista ao portal da Veja SP, Elifas contou sobre esta capa de 1973 do Paulinho e outras mais: "Essa capa do Paulinho provoca comoção e ao mesmo tempo solidariedade. Tive o cuidado de desenhar ambos, o Paulo e a Isa. Eles estavam se separando na época e quis tornar isso público, já que o disco havia sido realizado naquele momento de sofrimento. Fomos à gravadora apresentar o projeto. A certa altura, ao ouvir um diretor comercial dizer que o disco não venderia com aquele desenho na capa, Paulinho disse: 'Bom, mas é a capa do meu disco.' Diretor nenhum poderia se opor. As vendas dobraram.

Lembro de uma tarde em que fomos a um sebo. Um cara meio tímido estava rondando o Paulinho, parecia querer falar alguma coisa. O Paulinho, como é um anjo, facilitou. Chegou pro cara e disse: 'Oi, tudo bem?'. O cara se animou: 'Paulinho, sou teu fã, mas a capa desse disco, hein rapaz? Que maravilha. Fiquei pensando em teu sofrimento com mulher, essa coisa toda, mas, não liga não, a vida é assim mesmo.'"

Em 1976, fez essa capa pro Martinho da Vila. E disse ao portal da vejinha: "No início da década de 70, a MPB tinha uma força danada. E era uma força que estava além da própria música, era uma força sócio-política. Quando fizemos a Semana de Arte Moderna, em 72, junto com os centros acadêmicos, quisemos fazer a contra-comemoração do aniversário da ditadura. Então organizamos um mês de atividades na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Eu me lembro que o Martinho da Vila havia estourado com a música O Pequeno Burguês. Naquela época Chico Buarque, Gil e Caetano estavam exilados e Geraldo Vandré tinha sido banido. Propus levar o Martinho ao evento. Os estudantes quase me lincharam porque ele era milico. Então, numa reunião com representantes dos centros acadêmicos fiz uma defesa dele. Disse que o samba era de protesto, de contestação.

O Martinho não foi sozinho para o palco. Levou a Velha Guarda da Vila Isabel e matou a pau. No final, a estudantada estava de pé. Dois dias depois eu estava em casa, na Pompéia, e a empregada, Dona Antônia, chegou e disse: 'Seu Elifas, tem um homem na porta que é igualzinho ao Martinho da Vila. Até a voz dele é igual!' Era o próprio. Foi me convidar para fazer a capa de seu próximo disco. Desde então, faço todas."


Elifas ainda trabalhou como cenógrafo e diretor artístico de espetáculos na TV e no teatro. Além disso ele também nos brindou com algumas ilustrações, como essas de Caymmi e Carmen Miranda.



Hoje em dia Elifas toca a Andreato Comunicação e Cultura, que desenvolve projetos especiais ligados à educação, artes, infância e cultura do Brasil.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Natal da Portela: 34 anos de saudade

Em 05 de abril de 1975 morria Natalino José no Nascimento, o Natal da Portela. Um dos valentes de Madureira, Natal viu o ser fundado em sua casa (graças ao seu pais Napoleão) o bloco carnavalesco Conjunto Oswaldo Cruz. O bloco, que nada mais era do que a fusão do Bloco Baianinhas e Come Mosca acabou resultando em uma das principais escolas de samba do Rio de Janeiro, a Portela.

Seu Napoleão morava na esquina da Rua Joaquim Teixeira com a estrada do Portela. Em 1923, se reuniram Paulo Benjamin de Oliveira, Antônio Caetano e Antônio Rufino. Nascia o embrião portelense.

Desde então Natal se envolveu muito com o estandarte azul e branco e no decorrer da vida dedicou-se a fazer da Portela uma escola de valor. Mas engana-se quem pensa que ele era um sambista. Natal gostava de samba, mas defendia o seu no bicho. É isso mesmo, Natal comandava um batalhão de bicheiros em Madureira e não poupava dinheiro quando se falava em Portela.

Valente, fez muito pela escola e sua comunidade. E tudo isso com um braço só. Natal não tinha o braço direito e mesmo assim não tinha malandro que mexia com ele. E Natal levava a deficiência numa boa: "Se eu tivesse dois braços seria covardia", brincava.

No cinema, coube a Milton Gonçalves interpretar Natal. O filme "Natal da Portela"foi feito em 1988 e tem direção de Paulo Cesar Saraceni.



Para relembrar este grande nome da Portela, nada melhor do um samba em sua homenagem. Aliás um não, três. A primeira vem na voz de João Nogueira e foi gravada no disco "Vem que tem", de 1975. Com vocês, "O homem de um braço só":



A segunda chama "Silêncio que o Natal morreu" cantada por Picolino da Portela e está no álbum "Sambistas Unidos", também de 1975



O ano em que Natal morreu rendeu um montão de samba em sua homenagem. Gracia do Salgueiro e Velha da Portela também deixaram seus préstimos em um álbum de 1975. O samba chama "Despedida de um bamba" e quem canta é o próprio Gracia.

domingo, 5 de abril de 2009

Disco da semana: 1985 - Cristina e Mauro Duarte


Tenho épocas de discos. Ouço alguns "até furarem", depois deixo um pouco de lado e assim vai. No entanto o LP Cristina e Mauro Duarte foge a essa regra. Virou e mexeu ele está tocando no som aqui de casa. O Bolacha participou de um bocado de discos, mas dele mesmo, só esse. Boa oportunidade para escutar o próprio cantando seus sambas, que sempre estiveram na boca de sambistas como Roberto Ribeiro, Clara Nunes, Paulinho da Viola etc. Isso sem falar nas faixas interpretadas pela Cristina Buarque, que eu nem preciso dizer que entende do riscado. Quem também dá o ar da graça no disco é Paulo César Pinheiro, fazendo uma participação na música "Reserva de Domínio".

Este é mais um registro que a maioria só tem acesso graças a internet. Isso porque é um disco independente, vendido apenas nos shows. Não irei destacar nenhuma faixa, o disco inteiro é uma verdadeira pedrada, escute devidamente protegido.

Músicas:
1 - Sorri de mim (Walter Nunes - Mauro Duarte)
2 - Vazio (
Élton Medeiros - Mauro Duarte)
- Timidez (Noca da Portela - Mauro Duarte)
3 - Monograma (Cristóvão Bastos - Paulo César Pinheiro)
4 - Pra que, afinal? (Adélcio de Carvalho - Mauro Duarte)
- Lá se foi (Carlinhos Vergueiro - Mauro Duarte)
- Lama (Mauro Duarte)
- Quantas lágrimas (Manacéa)
- Nunca mais (Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)
5 - Reserva de domínio (Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)
- Papagaio falador (Buci Moreira - Geraldo Gomes)
- Aventura (Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)
6 - Uma canção desnaturada (Chico Buarque)
- Sacrifício (Maurício Tapajós - Mauro Duarte)
7 - A alegria continua (Noca da Portela - Mauro Duarte)
8 - Portela na avenida (Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)

Baixe esse disco no Prato e Faca.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Os donos das calçadas

O samba é "O Dono das Calçadas" de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Trata-se de um "Lado A; Lado B" que não há muitas considerações para serem feitas sobre os arranjos e os instrumentos utilizados. Isso porque uma das versões é feita somente pela voz de Nelson Sargento, disponível no disco "O Dono das Calçadas" (2001), de Nelson Sargento, Galo Preto e Soraya Ravenle. Emocionante!



A outra versão é cantada por Guilherme de Brito e o acompanhamento é feito pelo Trio Madeira Brasil, que nunca é demais dizer, é formado por um bandolim (Ronaldo do Bandolim), um violão (Zé Paulo Becker) e um violão de 7 cordas (Marcelo Gonçalves). Esta versão se encontra no disco "A Flor e o Espinho" (2003), de Guilherme de Brito e Trio Madeira Brasil.



O Dono das Calçadas (Nelson Cavaquinho / Guilherme de Brito)
Como é bom a gente ter amigos
Como é bom a gente ser querido
Pois só é assim quem pensa em Deus
Quando amanhece
Como é bom a gente socorrer a quem padece
Eu que já vaguei nas madrugadas
E já fui o dono das calçadas
Pra todos aqueles que me estenderam a mão
Dividi meu coração

Hoje me recebem nos salões iluminados
Cabelos prateados, mas eu não vou mudar
Pois eu me apresento com o mesmo violão
E o mesmo coração que ainda tem amor pra dar.


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Benzambado: moderno e respeitoso

, NovoVira e mexe pinta um pessoal novo fazendo samba dos bons com um quê de modernidade. Essa frase pode assustar aqueles que gostam do samba na sua manifestação mais pura, com cavaco, pandeiro, tamborim e violão.

Mas no caso do grupo Benzambado a modernidade está na medida certa. Os sete integrantes conseguiram fazer arranjos novos sem serem desrespeitosos com os grandes titãs do samba.

Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro que o diriam (se assim o pudessem!). No samba "Sem compromisso" feito pelos dois em 1944, o grupo colocou um baixão segurando a bola ao fundo, mas muito bem acompanhado por percussão, sopro e cavaquinho.

A outra que está no Myspace dos caras é Feitiço da Vila, composta por Noel Rosa em 1934. A bela linha harmoniosa da música casa muito bem com a voz de Roberta Zerbini. Dá vontade de ver ao vivo pra fazer a prova dos nove.

E a chance é neste sábado. O pessoal vai dar as caras no Bar Zé Presidente, (na Cardeal Arcoverde 1545) a partir das 23 horas. O repertório ainda promete composições de Chico, Cartola, Noel Rosa, Dorival Caymmi e Wilson Batista. Para entrar é preciso desembolsar 10 reais.


Para fazer jus aos integrantes. Benzambado é:
Roberta Zerbini - voz
Bruno Butenas - violão
Bruno Takara - baixo
Marcelão - sopros
João Paulo - cavaquinho
Marcelo Pianinho - percursão
Rodrigo Quirino - percursão

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

No tempo de Noel (7 de 11)

Já passamos da metade do programa "No tempo de Noel", segue o sétimo arquivo para audição e download.



"À minha bôa amiga e collega Araci. Lembrança do Noël Rosa"

Baixe aqui
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