quarta-feira, 11 de março de 2009

No tempo de Noel (4 de 11)

Quarta-feira é dia de voltar ao tempo de Noel Rosa no Vermute. Eis que chegamos ao quarto arquivo. Nele contém o sétimo e o oitavo programa produzido e apresentado por Almirante. Os outros programas podem ser ouvidos e baixados aqui.




Baixe os arquivos aqui.

terça-feira, 10 de março de 2009

Rhalah Ricota cai no samba

A terça-feira foi corrida, mas para o dia não passar sem nada vai aí uma animaçãozinha de um dos personagens do cartunista Angeli: o charlataníssimo guru Rhalah Ricota.



Quer saber mais sobre a música que o Rhalah canta? Clique aqui. Outras animações da série Angelitos estão sendo exibidas no programa Metrópolis, da TV Cultura. Veja mais vídeos do Rhalah aqui.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O sucesso da canalhice

No começo do ano, o VCA alertou para um vil intérprete da nova safra do samba: Jota Canalha. Usuário inveterado de chapéu e óculos escuros e dono de uma acidez típica, Jota acabara de lançar seu primeiro disco e até então poucos sabiam que Jota é, na verdade, um heterônimo de Henrique Cazes.

O disco parece estar agradando. "Homenageando" as lésbicas, os chatos, a mala madrinha Beth e outras figuras que podem render horas de acirrada discussão, Jota até a Globo já acertou contrato para colocar a música "Chatos em desfile" na novela das oito. A canalhice está aparecendo. E isso rendeu uma entrevistinha (confira na íntegra) das boas no Jornal de Londrina.

Veja só o teor:

Jornal de Londrina - Também é uma voz dissonante dentro do politicamente correto em voga. O bom mocismo dominou o samba?
Jota Canalha - Eu posso garantir, pelo convívio no samba, que o bom-mocismo é externo. Os caras são sacanas. É que essa cobrança no Brasil chegou a verdadeiros absurdos, o próprio governo chegou a fazer uma cartilha. Não tem mais anão, é verticalmente prejudicado. Em um concurso de marchinhas aqui no Rio de Janeiro só teve música politicamente correta. A cabeleira do Zezé não existiria se fosse feita hoje. O humor dá muito trabalho, é muito mais fácil fazer esses sambas que existem aos zilhões do que pegar um assunto e bolar como criticar de forma engraçada. A ideia é ser um contraponto a isso. Tenho até uma dedicatória padrão: “um beijo na bunda do Jota Canalha”.

Confira o site do Cazes

domingo, 8 de março de 2009

Disco da semana: Padê - Juçara Marçal e Kiko Dinucci


Padê em Iorubá significa "Encontrar". Aqui no Brasil, padê também é referente à cerimônia de abertura do Candomblé, aquela que chama Exú, pois é ele quem faz a ligação entre os dois mundos.

O disco que leva esse nome é o primeiro trabalho "solo" de Kiko Dinucci e Juçara Marçal. Trata-se de um álbum repleto de batuques bem africanos, bem pesado e bonito. Juçara também dá conta do recado nos vocais, o que faz do disco uma união bastante interessante. Além de composições do próprio Kiko, ainda é possível encontrar músicas de autoria de gente do calibre de Candeia, Luiz Tatit e Batatinha.

Outro mérito de Padê, é a junção de grandes músicos egressos de áreas diferentes como podemos constatar no myspace de Kiko: "o percussionista Samba, ogã de Terreiro de Candoblé Angola Redandá; Marcelo Mainieri, baixista de jazz e música popular brasileira; Lincoln Antonio, pianista e compositor, integrante do grupo A BARCA, que tem seu foco na música tradicional brasileira e Paulo Dias, diretor da Associação Cultural Cachuêra!".

Do disco destaco as músicas "São Jorge" e "Machado de Xangô", que possuem grande influência do candomblé tanto no ritmo quanto nas letras.



Músicas:
1- Padê (Kiko Dinucci)
2- São Jorge (Kiko Dinucci)
3- Machado de Xangô (Fabiano Ramos Torres / Kiko Dinucci)
4- Atotô (Kiko Dinucci)
5- Jatobá (Juçara Marçal / Kiko Dinucci)
6- Cabocla Jurema (Candeia / Nina Alvarenga)
7- Mar de Lágrima (Kiko Dinucci / Vanderlei Muzzucato)
8- Engasga Gato / Casa Barata (Domínio Público / Fabiano Ramos Torres / Kiko Dinucci)
9- Samba Estranho (Paulo Padilha)
10- Velha Morena (Luiz Tatit)
11- Imitação (Batatinha)
12- Batuque para Ney (Lincoln Antonio / Walter Garcia)
13- Bate Baú / Coruja Batuqueira (André Bueno)
14- Roda de Sampa (Kiko Dinucci)

Baixe esse disco no Música da Boa.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Eles se renderam

A música é conhecidíssima. Foi composta por Ary Barroso em uma noite de chuva torrencial de 1939 e gravada no mesmo ano pelo rei da voz, Francisco Alves, com arranjos extraordinários (como costumavam ser) de Radamés Gnattali.

Estamos falando da belíssima "Aquarela do Brasil", um samba que exalta esta "terra de samba e pandeiro" bem aos moldes do que Getúlio Vargas queria para "estatizar" a cultura nacional. Curiosamente foram justamente os censores de Getúlio que queriam eliminar o verso que fala do samba. Afinal, antigamente tocar pandeiro era sinônimo de arruaça.

Fatalmente todo e qualquer brasileiro que se preza já escutou a canção. Mas mundo afora seu sucesso também é estrondoso. É conhecida em inglês como "Watercolor of Brazil", mas eu não sabia que nossos hermanos argentinos também apreciavam esta beleza. Veja só a torcida do Boca Juniors:



Para quem se interessa por cantitos, essa festa que a torcida faz, a Revista Invicto traz uma matéria sobre o assunto. Por sinal, feita por este que vos escreve.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O "swingle" de Simonal

Wilson Simonal teve uma carreira complicada. Agora uma coisa é certa, ninguém discute a sua qualidade como cantor. Em 1970, Simonal foi contratado para cantar um jingle cheio de swing, com direito a bateria e uns metais falando alto, para os Formicidas Shell. A peça é da agência Standard, Ogilvy & Mather, e o jingle é de autoria de Neneco e Carlos Guerra
Confira aí o resultado:



quarta-feira, 4 de março de 2009

No tempo de Noel (3 de 11)

Chega Quarta-feira e o VCA coloca mais dois programas da série "No tempo de Noel Rosa", feitos por um dos maiores conhecedores do assunto: Almirante. Estamos na terceira parte de onze. Para quem perdeu as duas primeiras, basta clicar aqui.

Estátua de Noel, em Vila Isabel no Rio de Janeiro





Baixe os arquivos aqui

terça-feira, 3 de março de 2009

O conselho de Lupícinio

Quando Lupícinio ficou sabendo que seu grande amigo Hamilton Chaves, na época com apenas 22 anos, ia se casar tentou intervir. Lupe, que já estava com seus trinta e tantos anos, e já tinha um bocado de histórias amorosas mandou um conselho para o amigo. Em forma de samba, claro:



Esses Moços (Pobres Moços) (Lupícinio Rodrigues)
Estes moços, pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam, não passavam
Aquilo que já passei
Por meus olhos, por meus sonhos
por meu sangue, tudo enfim
É que eu peço a estes moços
Que acreditem em mim

Se eles julgam que a lindo futuro
Só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Esta mania e muito me custou
Pois só as mágoas que eu trago hoje em dia
E estas rugas que o amor me deixou

O samba lhe rendeu uma gravação de Francisco Alves, fazendo grande sucesso. O amigo casou-se assim mesmo. E Lupícinio ainda ganhou um grande desafeto, a esposa de seu amigo.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Destinatário: Devedores

Seguindo a onda levantada pelo Murilo no post anterior, hoje vão aí mais duas cartas. Uma de Noel, e a outra de Henrique Gonçalves interpretada pelo mestre do samba de breque: Moreira da Silva.

Uma das situações mais incovenientes entre dois homens de bem é cobrar dinheiro ou pedir algum emprestado. Mas para dois habilidosos na arte de cantar samba sobre temas cotidianos, a tarefa parece facílima.

O pioneiro, é claro, foi Noel Rosa quando em 1931 escreveu "Cordiais Saudações". Na música, o eu-lírico está literalmente sem um puto no bolso e tenta reaver 10 mil réis que emprestou ao amigo. Elegante, Noel primeiro certifica-se da saúde do companheiro para depois ir direto ao ponto. Ouça a versão que foi comercializada, com o Bando de Tangarás:

Cordiais Saudações


Já o samba de Henrique Gonçalves, que toma forma na voz do malandro Moreira é um pouco menos discreto. O próprio título já revela a índole do camarada que está devendo a grana: "Amigo Urso". A música foi gravada dez anos depois da de Noel e segue no mesmo ritmo de carta:

Amigo Urso


Mas Kid Morengueira não ficou satisfeito e ele mesmo emendou a resposta da carta de Gonçalves. Mais uma cartinha que não precisou de selo, foi prensada e vendida em vinil em todo território nacional. Saquem só.

Resposta ao Amigo Urso

domingo, 1 de março de 2009

Disco da semana: Vida Boêmia - João Nogueira


Este é na minha opinião o melhor LP de João Nogueira. Também o time de compositores escolhido por João é coisa fina. Mauro Duarte, Nei Lopes, Eduardo Gudin, Cartola, Paulo César Pinheiro são apenas alguns dos nomes que figuram na bolacha.

Do disco, destaco três faixas: "Bela Cigana", em que João faz um belo dueto com Clara Nunes. "Sem Medo", samba inspirado do próprio João e "Ao Meu Amigo Edgar", que trata-se de uma carta escrita por Noel Rosa, endereçada ao amigo e médico Edgar da Graça Melo, quando o mesmo se encontrava em Minas Gerais por conta do tratamento da tuberculose. Coube a João musicá-la.



Músicas:
1- Bares da Cidade (Paulo César Pinheiro / João Nogueira)
2- Moda da Barriga (João Nogueira)
3- Baile no Elite (João Nogueira / Nei Lopes)
4- Bate-boca (Walter Nunes / Mauro Duarte)
5- Recado ao Poeta (Eduardo Gudin / Paulo César Pinheiro)
6- As Forças da Natureza (Paulo César Pinheiro / João Nogueira)
7- Maria Rita (Luiz Grande)
8- Bela Cigana (Ivor Lancelotti / João Nogueira)
9- Amor de Fato (Cláudio Jorge / João Nogueira)
10- Sem Medo (João Nogueira)
11- A Cor da Esperança (Roberto Nascimento / Cartola)
12- Ao Meu Amigo Edgar (Noel Rosa / João Nogueira)

Baixe esse disco no Cápsula da Cultura.
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