quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A Moema do banheiro

Em 1971 Paulinho da Viola lançou dois LP´s somente com o seu nome. A história que será contada aqui ocorreu durante a gravação do primeiro:

Com quase todo o repertório do disco pronto, faltava apenas uma música para finalizar o trabalho. Paulinho então pediu ajuda a Elton Medeiros, que junto com Mestre Marçal era responsável pela percussão do disco.

Sem conseguir concentração por conta do barulho dos outros músicos dentro do estúdio, os dois foram procurar um lugar mais calmo. E então diretamente do banheiro da EMI saíram os seguintes versos:

Moema morenou
A água do mar quem molhou
O Sol da Bahia te queimou
Teu corpo morena morenou

Logo foram feitas as duas partes que complementavam o samba, e ele entrou pro disco e resolveu o problema. Elton contou essa história em um dos shows que fez em São Paulo. Após, falar o causo, soltou "sorte que samba não vem com cheiro". Confira o resultado final:



Moema morenou
A água do mar quem molhou
O Sol da Bahia te queimou
Teu corpo morena morenou

No samba de roda
Morena faceira
Mexeu a cadeiras
Foi um desacato
Tirou o sapato
Dançou miudinho
E quase que mata
Um pobre mulato

Moema morenou
A água do mar quem molhou
O Sol da Bahia te queimou
Teu corpo morena morenou

Eu fui à Bahia
Paguei a promessa
Estava com pressa
Queria voltar
Mais uma morena
Num samba de roda
Me deu uma volta
Que me fez ficar

Moema morenou
A água do mar quem molhou
O Sol da Bahia te queimou
Teu corpo morena morenou


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Wilson das Neves anima noites em São Paulo

O post anterior foi uma recomendação de um show. Este também, só que muito mais imediato:

São três quartas de samba no Studio SP. Isso mesmo, a casa de shows na Augusta (rua onde circulam os mais diversos rockers, indies, emos, putas, putos e outros esterótipos) deve receber centenas de amantes do samba nas próximas três quartas.

Isso porque no dia 14 (Hoje!), 21 e 28 de janeiro Wilson das Neves subirá no palco para mandar seu animado repertório e colocar a galera pra sambar. Se você ainda está em dúvida, confira o vídeo a seguir:



A dica quente é mandar seu nome pra lista da casa e economizar 10 pratas! Quem resolver ir de última hora terá que desembolsar 25 reais. O email é studiosp@studiosp.org.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Terreiro Grande e Cristina Buarque em homenagem a Candeia

Já estão à venda os ingressos para o show que o Terreiro Grande e Cristina Buarque farão em homenagem ao mestre Candeia no Teatro FECAP, em São Paulo. O evento ocorrerá nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro às 21 horas na sexta e no sábado. No domingo o espetáculo terá início às 19 horas. Nos vemos lá!

Teatro Fecap:
Av. Liberdade, nº 532 -
Bairro: Liberdade - São Paulo/SP

Compre aqui seu ingresso.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O ano de Villa-Lobos

Acabou o ano da Bossa Nova (ufa!). Vem aí o ano de Villa-Lobos!
Ainda faltam mais de 10 meses, mas os 50 anos da morte de um dos mais importantes maestros brasileiros já começaram a ser comemorados. Há exatos quatro dias a Folha de S.Paulo deu na capa da Ilustrada uma matéria falando do que já está rolando em homenagem ao Villa. Por todo o mundo já estão sendo executadas composições do maestro de soube misturar a música erudita com tonalidades da música brasileira.

No Brasil, a cena para Villa ainda é tímida. Por enquanto apenas o pianista Luis Carlos Moura deu um recital em homenagem. Mas a coisa parece que vai melhorar. A Filarmônica de BH, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (Brasília), a Sinfônica Municipal de Campinas e a OSB (Rio) terão peças de Villa-Lobos em sua temporada. Uma série de DVD´s também será lançada. "Alma Brasileira", da Biscoito Fino promete sair ainda em fevereiro.

A data precisa da efeméride é 17 de novembro, mas eu acho que já vale a pena ir comemorando.

Uma prova de como Villa é adorado ao redor do mundo: o violonista ucraniano Andrey Shilov executa o Choro nº1


Visite o site
do Museu Villa-Lobos.

Disco da semana: 1981 - João do Vale


Com um pouco de atraso, peço licença para falar de um disco que não se trata nem de samba, nem de choro, ritmos que dominam o Vermute com Amendoim.

Apesar de morrer somente no ano de 1996, em 1981 João do Vale lançou seu último LP. Com a ajuda de Jackson do Pandeiro, Tom Jobim, Clara Nunes, Amelinha, Fagner, Chico Buarque, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha) e Alceu Valença, João revisita seus maiores sucessos. Destaque para os xotes "Na Asa do Vento" e "Pisa na Fulô" e os baiões "Pé do Lajeiro", "Canto da Ema" e "Carcará".

Músicas:
01 - Na Asa do Vento (Luis Vieira / João do Vale)
02 - Pé do Lajeiro (Aonde a Onça Mora) (João do Vale / José Cândido) - com Tom Jobim
03 - Estrela Miúda (Luis Vieira / João do Vale) - com Amelinha
04 - Bom Vaqueiro (João do Vale / Luis Guimarães) - com Fagner
05 - O Canto da Ema (Alventino Cavalcanti / Aires Viana / João do Vale) - com Jackson do Pandeiro
06 - Carcará (João do Vale / José Cândido) - com Chico Buarque
07 - Morceguinho (O Rei da Natureza) (José Cândido / João do Vale) - com Zé Ramalho
08 - Morena do Grotão (João do Vale / José Cândido)
09 - Oricuri (Segredo do Sertanejo) (João do Vale / José Cândido) - com Clara Nunes
10 - Fogo no Paraná (João do Vale / Helena Gonzaga) - com Gonzaguinha
11 - Pipira (João do Vale / José Batista) - com Nara Leão
12 - Pisa na Fulô (João do Vale / Ernesto Pires / Silveira Júnior) - com Alceu Valença
13 - Minha História (João do Vale / Raimundo Evangelista)

Baixe esse disco no Loronix.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Favela

Hoje resolvi colocar aqui um samba inspiradíssimo de Jorginho Pessanha em parceria com Padeirinho. Trata-se do samba Favela. Composto nos idos dos anos setenta, ainda hoje permanece bastante atual. A gravação disponibilizada é de Jorginho Pessanha, e se encontra no disco Jorginho (Império) Pessanha - O autêntico, de 1973.

Favela (Jorginho Pessanha / Padeirinho)
Numa vasta extensão
Onde não há plantação
Nem ninguém morando lá
Cada um pobre que passa por ali
Só pensa em construir seu lar
E quando o primeiro começa
Os outros depressa
Procuram marcar
Seu pedacinho de terra pra morar
E assim a região sofre modificação
Fica sendo chamada de a nova aquarela
É aí que o lugar então passa a se chamar favela...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Xangô da Mangueira morre aos 85 anos

O samba perdeu mais uma das suas potentes vozes. Com 85 anos, o compositor e partideiro Olivério Ferreira, o Xangô da Mangueira, morreu na noite dessa quarta-feira, no Hospital de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro. Xangô completaria 86 anos no próximo dia 19. Ele foi vítima de uma infecção renal crônica, agravada pelo diabetes.


Veja a festa de 85 anos para esse ícone mangueirense proporcionada pelo Projeto Samba de Terreiro de Mauá:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Aniceto do Império no cinema

O curta-metragem Dia de Alforria... (?) conta um pouco da história de Aniceto do Império e sua relação com a serrinha e seu trabalho no Cais do Porto. O filme é datado do ano de 1981 e tem o roteiro feito em conjunto por Zózimo Bulbul e o próprio Aniceto.A direção fica por conta de Bulbul.

Dia de Alforria... (?)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Jota Canalha - A Voz do Botequim


Num tempo em que o politicamente correto começa a ganhar cada vez mais adeptos, o lançamento de um disco como esse é realmente para se comemorar. O trabalho em questão é o CD A Voz do Botequim (Rob Digital). Nele, Henrique Cazes assume a pele do ácido Jota Canalha, que logo nas três primeiras faixas já atira contra os chatos (presença garantida em todo boteco que se preze), as lésbicas, as ONGs e contra essa mania realmente inconveniente de tudo agora mudar de nome, como diz o verso:

Mendigo agora é morador de rua
E aleijado é só deficiente
Não tem favela só comunidade
Crioulo chama afro-descendente

Outro samba com alvo bem explícito é o "Malas Madrinhas". Nele, Jota critica essa coisa de ficar apadrinhando todo mundo. Porém o que mais irrita nesse pessoal é o fato de eles gravarem, por exemplo, um disco em homenagem ao Cartola. Além de selecionarem as músicas mais batidas, ainda ficam com aquela pose de que mereciam uma medalha por pesquisar e descobrir a música brasileira. Aí Jota Canalha diz:

Sonha que ensinou o Cartola a fazer samba
E ao Nelson Cavaquinho mostrou a batida do violão
Que revelou ao Rildo Hora os segredos do estúdio

E ao Ubirany como é tocava repique de mão
Treinou o Zeca no suingue sincopado
E serviu o primeiro conhaque Domecq ao Paulão

Entretanto, engana-se quem pensa que Jota Canalha vem sempre com quatro pedras na mão. Há uma justa homenagem aos tãos criticados farofeiros e aos sambistas que não pensam duas vezes na hora de mandar um bom prato pra dentro.

Entre as doze músicas que compoem o disco, apenas uma não é da autoria de Jota Canalha. Mulher Indigesta, um clássico de Noel Rosa não poderia ficar de fora do disco, já que ele foi o precursor na arte de fazer samba com uma levada mais caricata.

Chatos em desfile



Músicas:
1- Chatos em desfile (Jota Canalha)
2- Onde é que já se viu? (Jota Canalha)
3- Lero-lero blá-blá-blá ou papo de ONG (Jota Canalha)
4- Fim de semana na serra (Jota Canalha)
5- Piquenique a beira-mar (Jota Canalha)
6- Dieta de sambista (Jota Canalha)
7- Casal perfeito (Jota Canalha) part. esp. de Alfredo del Penho & Pedro Paulo Malta
8- Baranga das dez, broto das duas (Jota Canalha)
9- Pra que reclamar? (Jota Canalha)
10- Malas madrinhas (Jota Canalha)
11- Mulher indigesta (Noel Rosa)
12- Que sorte! (Jota Canalha)

Compre aqui o CD A Voz do Botequim.

Voltamos

Ainda hoje, coloco minha primeira postagem de 2009!

Abraços
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