quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Xangô da Mangueira morre aos 85 anos

O samba perdeu mais uma das suas potentes vozes. Com 85 anos, o compositor e partideiro Olivério Ferreira, o Xangô da Mangueira, morreu na noite dessa quarta-feira, no Hospital de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro. Xangô completaria 86 anos no próximo dia 19. Ele foi vítima de uma infecção renal crônica, agravada pelo diabetes.


Veja a festa de 85 anos para esse ícone mangueirense proporcionada pelo Projeto Samba de Terreiro de Mauá:

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Aniceto do Império no cinema

O curta-metragem Dia de Alforria... (?) conta um pouco da história de Aniceto do Império e sua relação com a serrinha e seu trabalho no Cais do Porto. O filme é datado do ano de 1981 e tem o roteiro feito em conjunto por Zózimo Bulbul e o próprio Aniceto.A direção fica por conta de Bulbul.

Dia de Alforria... (?)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Jota Canalha - A Voz do Botequim


Num tempo em que o politicamente correto começa a ganhar cada vez mais adeptos, o lançamento de um disco como esse é realmente para se comemorar. O trabalho em questão é o CD A Voz do Botequim (Rob Digital). Nele, Henrique Cazes assume a pele do ácido Jota Canalha, que logo nas três primeiras faixas já atira contra os chatos (presença garantida em todo boteco que se preze), as lésbicas, as ONGs e contra essa mania realmente inconveniente de tudo agora mudar de nome, como diz o verso:

Mendigo agora é morador de rua
E aleijado é só deficiente
Não tem favela só comunidade
Crioulo chama afro-descendente

Outro samba com alvo bem explícito é o "Malas Madrinhas". Nele, Jota critica essa coisa de ficar apadrinhando todo mundo. Porém o que mais irrita nesse pessoal é o fato de eles gravarem, por exemplo, um disco em homenagem ao Cartola. Além de selecionarem as músicas mais batidas, ainda ficam com aquela pose de que mereciam uma medalha por pesquisar e descobrir a música brasileira. Aí Jota Canalha diz:

Sonha que ensinou o Cartola a fazer samba
E ao Nelson Cavaquinho mostrou a batida do violão
Que revelou ao Rildo Hora os segredos do estúdio

E ao Ubirany como é tocava repique de mão
Treinou o Zeca no suingue sincopado
E serviu o primeiro conhaque Domecq ao Paulão

Entretanto, engana-se quem pensa que Jota Canalha vem sempre com quatro pedras na mão. Há uma justa homenagem aos tãos criticados farofeiros e aos sambistas que não pensam duas vezes na hora de mandar um bom prato pra dentro.

Entre as doze músicas que compoem o disco, apenas uma não é da autoria de Jota Canalha. Mulher Indigesta, um clássico de Noel Rosa não poderia ficar de fora do disco, já que ele foi o precursor na arte de fazer samba com uma levada mais caricata.

Chatos em desfile



Músicas:
1- Chatos em desfile (Jota Canalha)
2- Onde é que já se viu? (Jota Canalha)
3- Lero-lero blá-blá-blá ou papo de ONG (Jota Canalha)
4- Fim de semana na serra (Jota Canalha)
5- Piquenique a beira-mar (Jota Canalha)
6- Dieta de sambista (Jota Canalha)
7- Casal perfeito (Jota Canalha) part. esp. de Alfredo del Penho & Pedro Paulo Malta
8- Baranga das dez, broto das duas (Jota Canalha)
9- Pra que reclamar? (Jota Canalha)
10- Malas madrinhas (Jota Canalha)
11- Mulher indigesta (Noel Rosa)
12- Que sorte! (Jota Canalha)

Compre aqui o CD A Voz do Botequim.

Voltamos

Ainda hoje, coloco minha primeira postagem de 2009!

Abraços

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Samba Velha Guarda

Em 1954, Thomaz Farkas pegou sua camera e foi até o Parque do Ibirapuera para filmar uma aprsentação de Pixinguinha que ocorreria lá. O resultado é uma performance divertida e bastante espontânea de Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba. Entre eles estão os famosos Donga, João da Baiana, Almirante e Benedito Lacerda. Veja como ficou o filme, que foi disponibilizado pelo Cápsula da Cultura.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O imenso acervo de Hermínio

Mais de 10 mil fotos, quadros, textos, arquivos de áudio agora à disposição dos interessados pela cultura popular brasileira. É o acervo do Hermínio Bello de Carvalho, um dos agitadores culturais mais importantes da atualidade. E olha que ele já exerce essa função há algumas décadas.
É como se fosse possível andar pelo apartamento de Hermínio, fuçando em todas as caixas, papéis, partituras, fotos de infância, poesias, artigos...Impressionante! Depois de algumas horas gastas navegando, separo três mostras de como o acervo é rico. Há de servir como um aperitivo para o que o site realmente pode apresentar.

- Uma letra de música (ainda sem título) feita por Hermínio, Elton Medeiros e Maurício Tapajós:
- Um convite para o lançamento do Disco "Rosa de Ouro", gravado no memorável espetáculo de mesmo nome:
- Um desenho de Pixinguinha assinado por Ique:


Parabéns Hermínio por todo o trabalho prestado à nossa cultura! Congratulações com menção honrosa aos organizadores de tão grandioso projeto: Alexandre Pavan, Luiz Ribeiro, Luiz Boal, Tatiana Maciel, Jacira Berlinck e Marcela Banduk!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Opções para o Natal

O Natal já está batendo a nossa porta, e nessa hora sempre rola uma dúvida sobre o que dar de amigo secreto e coisa e tal. Sendo assim o Vermute com Amendoim elaborou uma lista de dez itens dos mais variados preços e tipos.

CD Banda Glória Convida Cristina Buarque
R$ 15,90












Mais um belo disco de Cristina Buarque e com os virtuosos arranjos da Banda Glória.

DVD Moacir Santos - Ouro Negro
R$ 33,20













Registro impecável do tributo prestado ao Maestro Moacir Santos

Livro Clara Nunes - Guerreira da Utopia
R$ 49,90










Biografia de Clara Nunes muito bem escrita por Vagner Fernandes.

Box - Noel Pela Primeira Vez (14 CDs)
R$ 199,90










Boa dica para leigos e conhecedores da obra do Poeta da Vila.

LP Martinho da Vila - Canta canta, Minha Gente
R$ 12,90










Grande LP, original.

Pandeiro de couro Artcelsior 10"
R$ 180,00
Tel.: (021) 3351 - 3242








Na minha opinião, a Artcelsior deixa as grandes marcas do ramo no chinelo.

Toca discos vinil e digitalizador para formato mp3
R$ 629,00










Boa dica para quem quer tranformar seus vinis em mp3.

Chapéu Carioquinha
R$ 86,00









Sapato Bicolor
R$ 109,90









Sapato bicolor e chapéu carioquinha para quem quer passar a virada do ano na estica.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Apresentando Ernesto Paulelli


- Adoniran, esse rapaz aqui é o Ernesto, toca violão e veio me acompanhar no programa.
Adoniran estende a mão a Ernesto. E solta a voz esganiçada:

- Muito prazer! Muito prazer! Me dê a mão.

Três domingos se passaram depois daquele dia. Novo encontro no bar. A voz rouca faz o pedido ao violonista:

- Você tem um cartão para me dar?

Ernesto põe a mão no bolso e oferece seu cartão.

- Arnesto Paulelli!, lê Adoniran. Desconfiado, Ernesto retruca:

- Adoniran, eu sou E-rnesto. Não sou Arnesto.

- É AR-NES-TO. E teu nome dá samba. Eu vou te fazer um samba. Você aduvida?
Ernesto o olhou meio assim, de lado, e depois concordou:

- Já não aduvido mais.

O dono da voz rouca que cantou os sambas mais paulistanos de São Paulo sela a promessa com um abraço no novo amigo.

- Pode me cobrar o samba, Arnesto. Mas, cartão, este eu não tenho para te dar.

É assim que o site da Revista Brasileiros apresenta um dos personagens mais conhecidos na música popular brasileira, mas que passa despercebido nas ruas de São Paulo. Com 93 anos e meio, Ernesto Paulelli é formado em Direito pelas Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG). Já foi engraxate e vendedor de chuchu.

Somente 17 anos depois de conhecer Adoniran é que Ernesto ouviu o samba em sua homenagem na Rádio Bandeirantes.

- Foi em 1955. A minha patroa, Alice, estava entretida na máquina de costura, botando botões na camisa, quando ouvimos na Rádio Bandeirantes:

O Arnesto nos convidou... PUM!
Prum samba ele mora no Brás... PUM!
Nóis fumo e não encontremos ninguém.


- Alice! Alice! Essa peteca é minha!

- Ernesto, que peteca?

- Esse samba aí, Alice, o Adoniran me prometeu. Eu não falei que ele tinha me prometido? Faz quase 20 anos!

E Alice chorou abraçada ao marido. Seu Ernesto confessa:

- Eu também. Pra dizer a verdade, não deu pra segurar. Diz que homem não chora. É mentira. Chora de emoção, de alegria, de tristeza. Eu chorei de alegria.

Quer saber como tudo acabou e onde anda Ernesto hoje? Dá um pulo no site da Brasileiros!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Disco da semana: Prato e Faca - Cristina Buarque


Este é o segundo LP da Cristina Buarque. Prato e Faca foi produzido por Fernando Faro e lançado em 1976, o disco tem participação dos portelenses Monarco e Manacéa nos sambas "Sempre Teu Amor" e Carro de Boi do próprio Manacéa. Entre os músicos que fazem parte do conjunto vale destacar os nomes de Dino, que comanda o violão e Marçal (o filho) na percussão. O prato e faca, istrumento que dá nome ao disco pode ser conferido nos sambas "Sempre Teu Amor" e "Esta Melodia". Quem o toca é Luna.

Neste disco, Cristina dá prosseguimento ao seu trabalho de apresentação de sambas e sambistas desconhecidos do grande público, começado no disco anterior. Entre os autores gravados estão Dona Ivone Lara, Mijinha, Geraldo Pereira, Jamelão, Bide, Marçal, etc. Abaixo segue a apresentação que acompanhava o LP escrito por Fernando Faro:

Ah, quantas lágrimas
eu tenho derramado
só em saber...

A idéia era seguir uma certa linha. Escolher a raiz mais forte da árvore e acompanhar seu, curso terra a dentro. Um exercício de redescoberta. Era fazer um caminho que nos levasse a ver de perto, a tocar com os dedos, a matéria de que fomos feitos.
Essa era a idéia.

Algumas figuras são fundamentais nesse quadro. Entre elas, estas que estão aqui: Paulinho da Viola, dona Ivone Lara, Manacéa, Bubu e Jamelão, Alberto Lonato e Mijinha. E algumas maravilhosas lembranças, como as de Heitor dos Prazeres, Bide e Marçal, Geraldo Pereira, Zé-com-fome e João da Baiana.

Sobretudo este, João da Baiana, personagem para nós sem forma ou desenho claro, daqueles que apenas se presente nas noites de terreiro, de quen Jorginho repete aqui o jeito característico de tocar pandeiro, em "Esta melodia", e Luna recorda seu "instrumento" favorito, o
prato e faca.

E foi exatamente daqui que veio o título deste disco. Nenhum outro dos nossos "instrumentos", ao que sabemos, tem nome tão significativo. Ele vincula a cozinha, a fome, o comer ao cantar, ao dançar e tocar. Ele arredonda o mundo. Ele aproxima as coisas de sua realidade.

Assim, não podia ter mesmo outro nome esse LP que não prato e faca.
Era essa a idéia.
Fernando Faro
Músicas:
1-Sempre teu amor (Manacéa)
2-Dei-te liberdade (Ivone Lara)
3-Chega de padecer (Mijinha)
4-Amar é um prazer (Antônio Almeida - Zé da Zilda)
5-Resignação (Arnô Provenzano - Geraldo Pereira
6-Carro de boi (Manacéa)
7-Abra seus olhos (Paulinho da Viola)
8-Sorrir (Marçal - Bide)
9-Sou eu que dou ordens (Heitor dos Prazeres)
10-Não pode ser verdade (Alberto Lonato)
11-Tua beleza (Raul Marques - Waldemar Silva)
12-Esta melodia (Bubú - Jamelão)

Baixe esse disco no Cápsula da Cultura.
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