segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Vermute conta o samba: Andorinha

Um dos parceiros mais constantes do sambista Henricão é o também paulista Rubens Campos. Com ele compôs Já é Madrugada e os grandes sucessos da carreira Só Vendo Que Beleza (Marambaia) e a Está Chegando a Hora*, aquela música que é cantada nos estádios quando um time está prestes a ser eliminado.

Outra música que foi fruto de uma parceria dos dois foi a marcha-rancho Andorinha. Aconteceu em uma viagem ao Rio de Janeiro, quando os dois estavam sentados em um banco da praça Tiradentes e notavam que um bando de adorinhas revoavam o lugar.

Henricão notou que uma delas ia sempre um pouco mais atrás das outras e disse: "Isso dá música" e o amigo respondeu "Ô Henricão, você de tudo quer fazer música". Mesmo assim no dia seguinte Henricão foi ao escritório de despachante de Rubens e lhe entregou os primeiros versos. Até Dedé, a sobrinha de Henricão entrou na parceria.

*Adaptação de Henricão e Rubens Campos sobre a melodia "Cielito Lindo" de Fernandez








domingo, 10 de agosto de 2008

Disco da semana: O Canto dos Escravos - Clementina de Jesus, Tia Doca e Geraldo Filme


O disco escolhido para passar a semana ali no canto direito dessa vez não é nem de samba ou de choro. E sim de cantos (jongos, vissungos e ladainhas) que foram recolhidos na região de São João da Chapada, em Diamantina, Minas Gerais por Aires da Mata Machado Filho.

Originalmente lançado pela Marcus Pereira em 1982 e relançado pela gravadora Eldorado no ano de 2003. Os cantos são interpretados por Tia Doca, pastora da Velha Guarda da Portela, o sambista paulistano Geraldo Filme e Clementina de Jesus que dispensa apresentações. Não há muito o que dizer sobre o disco até porque me falta conhecimento sobre esses tipos de cantos, porém muito me agrada as músicas. Principalmente a melodia.

Músicas:
1-Canto I (Folclore)
2-Canto II (Folclore)
3-Canto III (Folclore)
4-Canto IV (Folclore)
5-Canto V (Folclore)
6-Canto VI (Folclore)
7-Canto VII (Folclore)
8-Canto VIII (Folclore)
9-Canto IX (Folclore)
10-Canto X (Folclore)
11-Canto XI (Folclore)
12-Canto XII (Folclore)
13-Canto XIII (Folclore)
14 -Canto XIV (Folclore)

Baixe esse disco no Som Negro.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A primeira música na TV brasileira

Um registro histórico. Em 1950 a televisão era inaugurada no Brasil. Em São Paulo Assis Chateaubriand e Homero Silva colocam nas telinhas o primeiro programa da TV Tupi: "Show na Taba".

O primeiro musical veio também em 1950. Nele, Hebe Camargo (sim, a Hebe está na televisão desde o seu primeiro dia!) e Ivon Curi cantam a toada "Noite de Luar", de autoria de José Maria de Abreu, Alberto Ribeiro e do próprio Curi.

A gravação não é lá essas coisas, mas isso já era de se esperar. Ah, vale lembrar outro detalhe: era tudo ao vivo, ou seja, qualquer errinho e puf, ia tudo pro ar.



Se você não conseguir assistir ao vídeo, clique aqui.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Força Monarco!

Recentemente Monarco cancelou alguns shows por conta de uma dor nas costas. Parece que não era só isso. Nesta quarta-feira o compositor foi diagnosticado com uma rara doença neurológica. Chamada de parapesia ou Síndrome de Guillian-Barré, a doença leva à perda da força muscular dos membros inferiores.

Monarco está internado no Hospital dos Servidores do Estado, no Centro do Rio e, segundo a assessoria de imprensa, responde bem ao tratamento. O Vermute com Amendoim quer deixar aqui todo seu apoio a este portelense e sabe que a força o ajudará a vencer mais este desafio.

Força Monarco!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Homenagem a Batatinha

Batatinha morreu no dia 3 de janeiro de 1997, em Salvador. Hoje seria dia do seu aniversário de 84 anos. E é para homenagear o gráfico aposentado Oscar da Penha que o Theatro XVIII, na capital baiana, abre espaço para o samba.

O projeto batizado de A Hora da Razão irá acontecer todas as sextas-feiras, a partir deste dia 8, até dia 29. A idéia surgiu da professora de canto Ana Paula Albuquerque, que motivou seus alunos a fazer uma pesquisa sobre a vida e a obra de Batatinha. O ingresso custa quatro reais.

Além da música, haverá exibição de imagens do documentário Batatinha e o Samba Oculto da Bahia, lançado em 2006, com direção de Pedro Abib

Nesta terça ocorre uma espécie de pré-estréia, no Largo Quincas Berro D´Água, no Pelourinho, às 21h, com acesso gratuito. Vale a pena.

A Hora da Razão
Local: Praça Quincas Berro d'Àgua (Pelourinho)
Terça-feira, 5, às 21h
Gratuito

A Hora da Razão
Local: Theatro XVIII, Pelourinho
Todas as sextas (de 8/8 a 29/08), às 20h
R$ 4
Bilheteria do Theatro: 3322-0018

Sargento com novo CD, no Canecão

A agenda de agosto do Vermute ainda não entrou no ar, no entanto já adianto o show de Nelson Sargento que ocorrerá amanhã no Canecão, RJ. O espetáculo marcará o lançamento de "Versátil", o mais novo trabalho do sambista.

Depois de sete anos sem gravar, Sargento volta com um álbum recheado com músicas inéditas. A gravadora resposável é a Olho do Tempo, do sambista, parceiro e amigo Agenor de Oliveira.

O nome do disco é justificado pela inclusão de um fox-trot, uma valsa, um bolero e é claro sambas. Entre as músicas há um samba enredo de Nelson que foi desclassificado no ano de 1999, também há um samba feito em parceria com o mestre Cartola. Participam do disco o músico Wagner Tiso, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara e a Velha Guarda da Mangueira.

Parece que o disco também deu novo ânimo ao artista, já que ele ainda pretende lançar um DVD, e ainda tem planos de apresentar programas da série "Sala de Recepção", do Canal Brasil, sobre a vida de compositores.

NELSON SARGENTO
Quando: amanhã, às 21h
Onde: Canecão (av. Venceslau Brás, 215, Botafogo, Rio de Janeiro, tel. 0/ xx/21/2105-2000)
Quanto: 1 kg de alimento não perecível, que deve ser trocado por um ingresso no posto de coleta situado na rua Francisco Sá, 13, em Copacabana
Classificação Indicativa: Não recomendado para menores de 15 anos


Saiba mais na página da Ilustrada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A Lapa entre o novo e o velho

Quem anda na Lapa hoje se dá conta de como duas realidades distintas podem se encontrar e viver em uma harmonia que assusta quem ainda não está acostumado. É ver ao mesmo tempo, crianças entupindo o nariz de cola, enquanto turistas e moradores da Zona Sul do Rio gastam um bocado de dinheiro.

A Lapa nasceu como um reduto de bambas, de malandros. E ser malandro na década de 30 não era fácil, como não é fácil hoje. Só que hoje os malandros que ali trançam as pernas são olhados de longe por gente como eu, que ando por lá em busca de uma boa música para se ouvir.

A Lapa é suja sim. Porque o dia em que a Lapa for limpinha como as ruas do Leblon, aí perdeu a graça. (A foto é da década de 20 e foi tirada da Rua do Riachuelo)

Dito isto, falo agora do novo documentário que vem por aí. Sistema Lapa de Samba é dirigido pelo jornalista Bruno Maia e ainda não tem data de estréia. O filme conta a trajetória da Lapa, que na década de 50 chegou ao fundo do poço e vem ressurgindo desde 1997.

Bruno tenta provar que há uma nova revolução do samba, que está surgindo na Lapa. Verdade ou não, o documentário está aí para criar polêmica. Estou ansioso.



Conheça também o artista plástico que criou o mosaico da escadaria da Lapa

domingo, 3 de agosto de 2008

Disco da Semana: Paulo César Pinheiro - 1980


Taí um disco que tenho escutado bastante nas últimas semanas. Lançado originalmente em 1980, o disco que leva somente o nome de Paulo César Pinheiro é composto apenas por músicas de sua autoria. A maioria delas são parcerias feitas somente com pesos pesados como: João Nogueira, Baden Powell, Mauro Duarte, Eduardo Gudin, Sivuca, Miltinho, Tom Jobim e outros.

Aguns dos parceiros citados também participam cantando. Porém o que torna este disco especial, na minha concepção, é a variedade de estilos de sambas presente nele. Ou seja, neste disco Paulo mostra que é um artista bastante versátil e que consegue se adaptar e ao estilo do parceiro.

Músicas
1- Pelas ruas da cidade (Paulo César Pinheiro)
2- Minhas esquinas (Paulo César Pinheiro - João Nogueira)
3- Mesa redonda (Baden Powell - Paulo César Pinheiro)
4- Jogo de Angola (Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)
5- Mãos vazias (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
6- Mãe África (Paulo César Pinheiro - Sivuca)
7- Toada brasileira (Ivor Lancellotti - Paulo César Pinheiro)
8- Quadrão (Guinga - Paulo César Pinheiro)
9- Estrela da terra (Dori Caymmi - Paulo César Pinheiro)
10- Estrela guia (Paulo César Pinheiro - Sivuca)
11- Matita Perê (Tom Jobim - Paulo César Pinheiro)
12- Maior é Deus (Eduardo Gudin - Paulo César Pinheiro)
13- Bezouro Mangangá (Baden Powell - Paulo César Pinheiro)
14- Cicatrizes (Paulo César Pinheiro - Miltinho)

Baixe esse disco no Cápsula da Cultura.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Aprendendo com o mestre

Há pouco tempo foi criada a seção "Samba e Jazz" e já vou dar outra contribuição:

Trata-se de um vídeo do saxofonista Gerry Mulligan aprendendo o Samba de uma nota só, de Tom Jobim e com o próprio Tom. O vídeo foi feito na década de 1950, no apartamento de Mulligan. Curiosamente ele não está empunhando seu tradicional sax barítono, mas sim um clarinete.

Outro fato curioso é que mesmo sendo um músico de primeira, Mulligan tem dificuldade de acertar o tempo da música. Ele confessa isso durante a gravação, quando fala da última frase: "É uma frase muito difícil". Tom concorda e consola o companheiro dizendo que, para ele, tocar jazz também é muito difícil.

É então que entra a explicação sobre o que tanto se fala da criação de João Gilberto: a nova batida. Ou como eles dizem: "The rhythm section". São notas atrasadas ou que entram no tempo fraco, deixando o andamento diferente do que os ouvidos do jazz estavam acostumados.

Quando a aula termina, Mulligan já consegue tocar perfeitamente. Uma prova de que um aluno brilhante e um professor espetacular dão resultado!



Em outro post, a mesma música foi explorada. Era a rainha do Scat Singing, Ella Fitzgerald .

Morreu Gibi

Morreu na noite da última quinta-feira o compositor Walter Pereira, o Gibi. Com 83 anos, Gibi estava internado em um hospital da zona sul do Rio de Janeiro. A causa da morte foi falência múltipla de órgãos.

Ele é o autor de sambas que caíram nas graças do povo, como "Ziriguidum 2001", que deu o título a Mocidade Independente de Padre Miguel em 1985 e "Tupinicópolis", feito em 1987 também para a Mocidade.

O corpo está sendo velado na capela B do cemitério São Franciso Xavier, conhecido como cemitério do Caju, na região portuária do Rio, desde o fim da manhã desta sexta-feira. O enterro está marcado para as 16h.
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