quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Shows homenageiam 90 anos de Jacob do Bandolim em SP

No mês em que teria completado 90 anos de idade, o bandolista Jacob Pick Bittencourt (1918-1969) recebe uma homenagem com espetáculos nos próximos sábado (23) e domingo (24) em São Paulo.

Os shows são parte do projeto Jacob do Bandolim --90 anos e a iniciativa reúne bandolistas brasileiros, além de estudiosos sobre Jacob, familiares, vídeos e depoimentos.

A idéia é de que o público conheça parte do acervo de Jacob do Bandolim, sua obra e os músicos que atuam no choro.

Participam da homenagem Izaías Bueno de Almeida e Déo Rian, contemporâneos e amigos de Jacob, representantes da velha guarda do choro.

Os músicos Hamilton de Holanda e Aleh Ferreira também se apresentam.

Ronen Altman participa do show no sábado e Renato Anesi no domingo, ambos fazem parte da nova geração e tocarão composições de autoria de Jacob.

Os instrumentistas serão acompanhados pelos integrantes do Izaías e seus Chorões.

Durante a homenagem também ocorrerá o lançamento do CD "Inéditos de Jacob do Bandolim Vol.2", com patrocínio da Petrobrás. As composições são interpretadas pelos bandolista Déon Rian e artistas convidados.

Jacob do Bandolim -90 anos
Quando: sábado (23), às 21h; e domingo (24), às 18h
Onde: Teatro Paulo Autran no Sesc Pinheiros (r. Paes Leme, 195, Pinheiros, tel. 0/xx/11/3095-9400)
Quanto: de R$ 3,50 a R$ 15

Retirado do Caderno Ilustrada da Folha Online

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Samba de Fato e Cristina Buarque - O samba informal de Mauro



De Garrincha a Paulinho da Viola, de Nilton Santos a Walter Alfaiate, o bairro de Botafogo sempre foi celeiro de craques. Mauro Duarte esteve na linha de frente do samba de Botafogo. Nos botequins, nos terreiros, nas rodas, a presença do Bolacha era tão contínua quanto a água que jorrava do pinto do Manequinho. Dezoito anos depois de sua morte, o grupo Samba de Fato e a cantora Cristina Buarque realizam a maior homenagem já prestada ao sambista, com o lançamento do álbum duplo “O samba informal de Mauro Duarte”, pela Deckdisc. São trinta faixas, entre inéditas, raridades e fragmentos de músicas completadas pelo parceiro Paulo César Pinheiro, a partir do repertório escolhido pelo cantor, violonista e produtor do disco Alfredo Del-Penho, que integra o Samba de fato ao lado de Pedro Miranda (voz e percussão), Paulino Dias (percussão e voz) e Pedro Amorim (bandolim e voz).

Retirado do site do Centro Cultural Carioca

O lançamento do disco ocorrerá no dia 4 de março no Centro Cultural Carioca

Músicas:

CD 1
1 - Lenha na Fogueira
2 - Sublime Primavera
3 - Carnaval
4 - Acerto de Contas
5 - Mineiro Pau
6 - Eu não Quero Saber
7 - Desde que me Abandonou (Vinheta)
8 - Falou Demais
9 - Samba de Botequim
10 - Compaixão
11 - Sofro Tanto
12 - A Mulher do Pedro
13 - A Água Rolou
14 - Engano
15 - Não Sei

CD 2
1 - O Samba que lhe Fiz
2 - Dúvida
3 - Jeito do Cachimbo
4 - Mais Consideração
5 - Malandro não tem Medo
6 - Começo Errado
7 - Lamento Negro
8 - Sonho de Criança (Estado de Coisas)
9 - Reza, Meu Bem
10 - Sonho e Realidade
11 - A Procura da Felicidade
12 - Samba do Eleitor / Morro
13 - Não sou de Implorar (Vinheta)
14 - Tempo de Amigo
15 - Caprichosos de Pilares

domingo, 17 de fevereiro de 2008

São Pixinguinha (Parte 1 de 4)

Grande incentivadora da música popular brasileira, a Rádio USP está levando ao ar uma série de quatro programas sobre um dos maiores nomes da música no Brasil, ao lado de Heitor Villa Lobos: Pixinguinha.

O programa Olhar Brasileiro vai ao ar comandado pelo especialista Omar Jubran e irá para seu último quarto no próximo domingo, às 10 horas. Para quem perdeu, acordou tarde ou quer ouvir mais uma vez, o Vermute com Amendoim irá disponibilizar toda a série, a começar pelo programa exibido no dia 3 de fevereiro.

O tema deste primeiro bloco são as composições sem parceria de São Pixinguinha, o arquivo poderá ser aberto no Windows Media Player ou no Real Player . Com Jubran contando curiosidades e tocando músicas raras, vale a pena conferir:

Bloco 1 (duração de 23 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Bloco 2 (duração de 20 minutos)
Em WMP
Em Real Player

Bloco 3 (duração de 19 minutos)
Em WMP
Em Real Player

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

De Irving para Noel

Em meio a alguns casais, Jerry Travers conduz a dança com a bela Dale Tremont, como se estivesse flutuando pelo salão. Sua voz leve se encaixa perfeitamente com a música de lrving Berlin: “Heaven, I´m in heaven, and my heart beats so that I can hardly speak...”. O casal segue bailando até Travers alcançar a segunda parte da música e deixar para trás os outros convidados.

A cena continua em uma seqüência antológica, gravada no filme-musical “Top Hat”, de 1935. O casal, Fred Astaire e Ginger Rogers estrelava em sua quarta película e a coreografia de “Cheek to Cheek” entrou para a história, junto com a música.

No Brasil, o filme acabou sendo chamado de “O Picolino” e também foi sucesso de crítica e público. Nas mãos de Noel Rosa, a música “Cheek to Cheek” acabou se tornando “Vagolino de Cassino”, uma paródia com um pouco mais de humor do que a original e que lembra os tempos em que as casas de jogo eram permitidas no Brasil, antes do decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra, em 1946.

Neste Fox Trot, que mistura elementos norte-americanos e brasileiros, Noel conta a história de Vagolino, um habitué de cassinos, mas que tem pouco dinheiro e nenhuma compostura, atrapalhando os clientes mais elegantes.

A música não chegou a ser gravada em disco e tampouco se sabe com exatidão o ano em que foi composta. O que se tem certeza é que foi na década de 30. A paródia foi ensinada ao jornalista João Máximo e ao músico e pesquisador Carlos Didier por Fernando Pereira.

A gravação a seguir foi extraída do programa “Noel Rosa: As Histórias e os Sons de uma Época”, levado ao ar em 20 de maio de 1992, pela Rádio Cultura AM, de São Paulo. A voz é de Carlos Didier:

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Fica também a seqüência de Mark Sandrich, que trabalhou dirigindo 74 filmes entre os anos de 1926 e 1946, alguns com esta histórica dupla de bailarinos e atores:



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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Parabéns Martinho!

Com 70 anos de vida completados nesta terça-feira, sendo 54 deles de samba, Martinho José Ferreira, o popular Martinho da Vila, vai contra a aceleração do ritmo que aconteceu nos últimos anos e mantém o seu jeito sereno e tranqüilo de cantar assim como iniciou sua carreira.

Incentivado por Tolito da Mangueira, Martinho começou a compor aos 16 anos, para a escola Aprendizes da Boca do Mato. Além de compor, Martinho participava da bateria, tocando frigideira. Lá desfilou até 1965, chegando a atingir a presidência da Ala de Compositores.

Em 1967, participou do III Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela Rede Record, e teve o samba Menina Moça defendido por Jamelão. A música foi apresentada no terceiro dia de eliminatória, em 14 de outubro, mas com a inovação de Gilberto Gil, a guitarra elétrica dos Mutantes e a ousadia de Chico Buarque, a menina acabou ficando de canto.

No dia 21 de outubro, foram declarados os vencedores. A primeira colocada foi Ponteio, de Edu Lobo e José Carlos Capinam, seguida de Domingo No Parque, de Gil e de Roda Viva, feita por Chico Buarque.

Outro grande samba foi apresentado nos palcos da Record. Mas "Isso não se faz”, composto por Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho também não figurou nem entre as finalistas.

Martinho não desanimou e em 1968 participou do LP As escolas cantam seus sambas para 1968. Porém foi somente a partir do ano seguinte que Martinho resolveu deixar de lado a carreira de contador para se dedicar exclusivamente à carreira de cantor e compositor.

Nesse mesmo ano seria lançado o LP Martinho da Vila (1969), que até hoje o cantor e compositor considera uma de suas grandes obras ao longo da carreira, como contou em exclusividade ao Vermute com Amendoim:"O disco mais marcante foi o primeiro (1969), que foi o disco que abriu tudo né!"

Recheado de sucessos como O Pequeno Burguês, Casa de Bamba, Iaiá do Cais Dourado, Quem é do Mar Não Enjoa e Pra Que Dinheiro, essa obra abriu as portas para Martinho e aflorou de vez o artista que existia dentro dele. E ao contrário do ritmo devagarinho, de 1969 até hoje Martinho só tirou folga em 1996, ano em que não lançou nenhum novo material.

Entretanto, mesmo com os 54 anos no ritmo do samba Martinho afirmou ao Vermute que nenhum disco alheio marcou a sua vida: "Disco que marcou eu não tenho, às vezes tem uns colegas que têm um disco que influenciou a vida do cara, fez ele repensar coisas, mas eu sinceramente não tenho isso."

Ele ainda foi responsável por popularizar o partido-alto, que até então estava preso aos terreiros. Compôs diversos sambas-enredo para a Vila Isabel, foi o criador do histórico enredo Kizomba - a festa da raça e ainda se arriscou como escritor, com sete livros publicados.

Ouça aqui o samba Menina Moça, no tradicional ritmo do setentão:


Fonte da Imagem: Martinho da Vila - Site Oficial

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Muito antes de topar tudo por dinheiro...

Sua inconfundível voz pode causar alguma dúvida quando entoando um bolero ou um samba-canção. Porém, ao ouvi-lo entoando uma de suas famosas marchinhas é impossível não reconhecer todo seu carisma. Aliás, o protagonista em 14 compactos e três LP´s, Silvio Santos pode ser considerado um dos grandes incentivadores da marchinha no Brasil.

Isso porque, nos anos 90, mesmo depois do auge do gênero, entre 1930 e 1950, o empresário das comunicações usou nada mais do que o SBT, o segundo maior canal de televisão do país, para difundir o tipo musical na sua própria voz.

Entretanto, seu flerte com a marchinha vem de muito antes. O primeiro compacto foi lançado em 1968, pela gravadora Copacabana. No Lado A, a romântica marcha “Me dê a mão”, No Lado B a bem-humorada "Marcha do Barrigudinho", ambas compostas por Manoel Ferreira e Gentil Junior.

Depois disso, em 1969, mais um compacto com duas marchas: No Lado A, Silvio cantava “Tetéo” pedindo ao bom moço que emprestasse a sua namorada. No Labo B, vinha “Marcha do Cachorro (A Vez do Osso)” em que tinha chegado a vez do osso morder o cachorro. Mais uma vez a dupla Manoel Ferreira e Gentil Junior estava à frente das composições.

Mas os grandes sucessos do carnaval de Silvio Santos foram compostos por outra dupla: o casal Manoel Ferreira e Ruth Amaral. O apresentador os conheceu em 1962, quando tinha um programa de domingo na Tv Paulista. De lá para cá foram 16 anos gravando e dez primeiros lugares em concursos de marchinhas.

O primeiro sucesso da dupla que Silvio deixou marcado na história foi “Transplante Corinthiano”, lançada em 1968. A faixa lembra a má-fase do Corinthians dos anos 1960-70, e o primeiro transplante de coração feito pelo Dr. Zerbini no Hospital das Clínicas, em São Paulo.




Ferreira e Amaral compuseram mais diversos sucessos. Em 1970, veio “A Bruxa Vem Aí”, lançada pela Odeon. A faixa estava no Lado B, mas até hoje é cantada nos carnavais de rua.

Até 78, Silvio gravou sempre os dois lados do disco com Manoel Ferreira e Ruth Amaral. Depois disso, talvez em um de seus acessos de mudança repentina, resolveu trocar os compositores. Por cinco anos não conseguiu emplacar nada.

Mas em 1987, surgiu um dos maiores sucessos de Silvio Santos na marchinha: “A Pipa do Vovô”. Ela conta como surgiu a inspiração, no jornal Notícias Populares de 28 de fevereiro de 1987. Ruth Amaral estava assistindo o noticiário, quando viu uma matéria sobre um campeonato de pipas. “Havia um garotinho empinando uma delas e a seu lado um velhinho olhando”.

A princípio ela teve vergonha de mostrar sua idéia para o marido: “Eu sabia que era no duplo sentido mesmo. Mas ele achou ótima, fizemos letra e música e mandamos a fita para o Silvio. Em pouco tempo o apresentador colocou voz e passou a tocar nos seus programas de domingo. Pegou no Brasil inteiro e hoje todo mundo está cantando”.


Fonte da imagem - Página do Silvio Santos

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Paulo da Portela por Walt Disney

Estados Unidos, 1941. Na terra do jazz e do blues nasce um típico brasileiro. Zé Carioca foi concebido em uma época em que reinava uma política de boa vizinhanca entre Brasil e Estados Unidos. Com a Segunda Guerra Mundial em curso, manter relações diplomáticas com o maior país da América do Sul, evitando que Getúlio Vargas se aliasse ao nazismo, parecia importantíssimo.

Walt Disney foi muito bem orientado pelo governo norte-americano e resolveu conhecer o Brasil. Ao chegar aqui, caiu no samba de Oswaldo Cruz. Recebido pelo elegantíssimo Paulo da Portela. Já estava acostumado a ciceronear visitantes ilustres, Paulo mostrou a Disney e a seu desenhista a legítima batucada brasileira da Portela.

O resultado foi o personagem brasilianíssimo e muito bem vestido conhecido como Joe Carioca, ou José Carioca. Mas o primeiro Zé era muito diferente do que se vê hoje nos gibis. Para os acostumados com o preguiçoso e malandro dos gibis mais recentes, esqueça essa imagem.

O que você verá no vídeo a seguir é um Zé Carioca cortês, educado e elegante. Tal qual era Paulo da Portela. A animação é marcada pelo encontro do sotaque inglês "apatado" de Mister Donald Duck e pelo cordialismo de José Carioca.

Disney fez questão de rechear a animação com os elementos brasileiros e, principalmente, cariocas. Desde os mais evidentes como os nomes dos bairros que enchem os ouvidos de Donald e a cachaça, até a calçada do Rio de Janeiro, que imita as ondas do mar. Vale a pena assistir.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Noel Rosa agora é domínio público

Retirado do site Gafieiras

[ 25.jan.08 ] Isso mesmo, o grande Noel Rosa, de vida tão intensa quanto breve, é o primeiro compositor brasileiro a ter sua obra presente na seleta lista dos artistas que são de domínio público. Claro que ele não é o pioneiro - pensem, por exemplo, em Chiquinha Gonzaga (1847-1935), Ernesto Nazareth (1863-1934) e Sinhô (1888-1930) -, mas é certamente o primeiro autor de canções clássicas (música e letra) da música popular brasileira a entrar no rol.

Segundo a legislação brasileira as obras artísticas são protegidas pela lei do direito autoral por toda a vida do criador e mais 70 anos após sua morte; e Noel Rosa morreu em 1937, aos 26 anos de idade. Portanto, a partir de 2 de janeiro de 2008 cerca de 120 das composições de Noel (feitas solo ou com parceiros que faleceram até 1937) estão livres para serem usadas, recriadas, mexidas, misturadas e reverenciadas por qualquer um. Não custa lembrar que o carioca compôs algo em torno de 250 canções em dez anos de produção artística (segundo levantamento de João Máximo e Carlos Didier no livro Noel Rosa – Uma biografia, UnB, 1990).

O Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV fez o mapeamento das canções que caíram em domínio público. A lista completa, repleta de clássicos, segue abaixo e para mais informações basta um pulo no site do CTS/FGV
ou então do projeto Cultura Livre:

“Agora” (1931) – “Alô beleza” (?) – “Amor de parceria” (1933) – “Arranjei um fraseado” (1933) – “Até amanhã” (1932) – “Baianinha” (1929) – “Brincadeira de roda” (?) – “Canção do galo capão” (1935) – “Cansei de implorar” (1935) – “Cansei de pedir” (1935) – “Capricho de rapaz solteiro” (1936) – “Choro” (?) – “Chuva de vento” (1937) – “Cidade mulher” (1936) – “Coisas do sertão” (1929) – “Com que roupa?” (1929) – “Condeno o teu nervoso” (1935) - “Contraste” (1933) – “Cor de cinza” (1933) – “Coração” (1931) – “Cordiais saudações” (1931) – “Cumprindo a promessa” (1929) – “Dama do cabaré” (1936) – “Disse-me-disse” (1935) – “Dona Aracy” (1930) – “Dono do meu nariz” (1933) – “É difícil saber fingir” (?) – “É preciso discutir” (1931) – “Envio essas mal traçadas” (1935) – “Espera mais um ano” (1932) – “Estamos esperando” (1932) – “Eu não preciso mais do seu amor” (?) – “Eu sei sofrer” (1937) – “Eu vou pra Vila” (1930) – “Faz três semanas” (?) – “Festa no céu” (1929) – “Fita amarela” (1932) – “Fita de cinema” (1935) – “Foi ele” (1935) – “Gago apaixonado” (1930) – “A Genoveva não sabe o que diz” (1935) – “João Ninguém” (1935) – “Juju” (1935) – “Lira abandonada” (?) – “Madame honesta” (?) – “O maior castigo que eu te dou” (1934) – “Malandro medroso” (1930) – “Marcha da primavera” (1934) – “Mardade de cabocla” (1931) – “Maria-fumaça” (1936) – “Mentir” (1933) – “Mentiras de mulher” (1931) – “Meu barracão” (1933) – “Meu bem” (1931) – “Minha viola” (1929) – “Muito riso, pouco siso” (?) – “Mulata fuzarqueira” (1931) – “Mulato bamba” (1931) – “Mulher indigesta” (1932) – “Não brinca não” (1932) – “Não me deixam comer” (1932) – “Não morre tão cedo” (?) – “Não tem tradução” (1933) – “Negócio de turco” (?) – “No baile da flor-de-lis” (?) – “Nos três dias de folia” (1937) – “Numa noite à beira-mar” (1936) – “Nunca... jamais” (1931) – “Nuvem que passou” (1932) – “Onde está a honestidade?” (1933) – “Paga-me esta noite” (1934) – “Palpite infeliz” (1935) – “Para atender a pedido” (?) – “Pela décima vez” (1935) – “Pesado 13” (1931) – “Picilone” (1931) – “Por causa da hora” (1931) – “Por esta vez passa” (1931) – “Por você sou capaz” (?) – “Pra esquecer” (1933) – “Pra lá da cidade” (?) – “Precaução inútil” (1935) – “Proezas de seu fulano” (?) – “O pulo da hora” (1931) – “Quando o samba acabou” (1933) – “Quando pelas aulas ando” (1927) – “Que a terra se abra” (1935) – “Quem dá mais?” (1930) – “Quem não dança” (1932) – “Quem parte não parte sorrindo” (?) – “Quem ri melhor” (1936) – “Rapaz folgado” (1933) – “Remorso” (1934) – “Riso de criança” (1930) – “Roubou, mas não leva” (1935) – “Saí da tua alcova” (?) – “Saí do presídio” (?) – “São coisas nossas” (1932) – “Século do progresso” (1934) – “Seja breve” (1933) – “Seu Jacinto” (1933) – “Seu Zé” (1935) – “Silêncio de um minuto” (1935) – “Só você” (?) – “Tipo zero” (1934) – “Três apitos” (1934) – “Tudo que você diz” (1933) – “Último desejo” (1937) – “Vagolino de cassino” (?) – “Vaidosa” (1931) – “Verdade duvidosa” (?) – “Vingança de malandro” (1930) – “Você é um colosso” (1934) – “Você vai se quiser” (1936) – “Voltaste (pro subúrbio)” (1934) – “Vou te ripar I” (1930) – “Vou te ripar II” (1930) – “O X do problema” (1936) – “Yolanda” (1935)

Dafne Sampaio

domingo, 27 de janeiro de 2008

O microfone e a bossa de Mário Reis

Em 1928, o jovem de 20 anos Mário da Silva Meirelles Reis foi um dos primeiros a gravar um disco com a então moderna técnica de captação de som: o microfone. Na época, o então estudante de direito e colega de escola de Ary Barroso, não sabia que revulocionaria a canção brasileira com sua nova forma de cantar, influenciando o inventor da bossa nova, João Gilberto.

Para o jornalista e crítico de música Luís Antônio Giron, que escreveu o livro Mário Reis – O fino do samba (publicado pela Editora 34), “João está encapsulado no cérebro de Mário”. Em entrevista publicada na Agenda do Samba-Choro, Giron conta por que João não existiria sem Mário Reis:

"Existiria como indivíduo biológico e até como cantor semi-impostado, ao estilo de Lúcio Alves. Mas sua maneira especial de explorar as sutilezas da linha melódica e da fala baiana não teria sido possível sem a aparição da técnica de Mário. João levou adiante a descoberta da "bossa". Porque Mário não foi apenas um genial intérprete da ironia e do desencanto amoroso; foi um inventor de uma técnica vocal, de um estilo de cantar que pode ser chamado tranqüilamente de "brasileiro", em contraposição ao estilo lírico "italiano". A bossa nova, de certa forma, é filha da bossa. E bossa era um termo que significava, na época, um jeito suave de cantar, com sábia ironia. "

Mário Reis canta “Cadê Mimi?”, no Filme Alô Alô Carnaval -1936

Antes de Mário, apenas Francisco Alves tinha soltado a opulente voz, em 1927, com a canção “Morena”, de Eduardo Souto. Ainda em 1927 muitos cantores se arriscaram a gravar, sem sucesso, frente ao desafiador microfone.

A dificuldade estava justamente na captação eletromagnética do som feita pelo microfone. Até então era usado o autofone, um sistema mecânico no formato de um cone que sensibilizava o diafragma de borracha, que, por sua vez, fazia a agulha vincar a matriz de cera, rodando em um torno.

O processo obrigava os artistas a cantarem em um volume elevado, chegando inclusive a gritar. Isso condizia com a maneira operística de se cantar e ajudava nomes como Vicente Celestino ou Carlos Galhardo a desempenhar seu papel nas gravadoras.

Mas no estúdio Odeon, na cúpula do Teatro Phoênix, localizada na conhecida Praça Tiradentes, Mário revolucionou a história da música. A voz suave, sincopada e marcada por uma harmoniosa escanção silábica também influenciou o poeta da Vila, Noel Rosa.

Aproximadamente 80 anos depois, pouco da ironia da bossa de Mário Reis passou para as canções da bossa nova de João Gilberto. Mas uma coisa não se pode negar. Entre um e outro ficou uma intensa relação com o microfone.

Mário Reis - 1971*
1. Cansei (Sinhô)
2. Amar a uma só mulher (Sinhô)
3. Moreninha da praia (João de Barro)
4. Fui louco (Bide)
5. Nem é bom falar (Nilton Bastos - Ismael Silva - Francisco Alves)
6. Voltei a cantar (Lamartine Babo)
7. A banda (Chico Buarque)
8. Filosofia (Noel Rosa)
9. Rasguei a minha fantasia (Lamartine Babo)
10. Gosto que me enrosco (Sinhô)
11. Se você jurar (Nilton Bastos - Ismael Silva - Francisco Alves)
*Músicas em Mp3

Mário Reis (1971)

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Vermute conta o samba: A Flor e o Espinho

Quem concebeu "Vou-me Embora pra Pasárgada" não precisava invejar a ninguém. Mas Manuel Bandeira, o poeta que afirmou nos versos tristes de "Testamento" ser "poeta menor", deu mais uma prova de sua bela humildade ao se deparar com o samba "A Flor e o Espinho", composto por Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho e Alcides Caminha.

Os versos "Tire seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor" foram considerados por Bandeira como os mais belos versos já escritos na Língua Portuguesa. A opinião era compartilhada por outro nome de peso: Sérgio Porto, também conhecido como Estanislaw Ponte Preta.

E como a imensa maioria dos grandes sambas antigos, a idéia inicial surgiu em um botequim. Desta vez, na Praça Tiradentes, rodeada de cerveja e em meio a fumaça dos cigarros, o golaço foi de Guilherme de Brito.

Em uma entrevista ao Caderno C, do campineiro Correio Popular de 21 de agosto de 2002, Guilherme conta a história:

Em uma noite da década de 50, Guilherme de Brito foi à Praça Tiradentes depois de ter assistido a um show do cantor Augusto Calixto. Como era de costume foi ao botequim que freqüentava na região e se sentou. "...sempre aparecia por lá, no final da noite, uma mulher da vida, muito escandalosa, que ria demais, falava muito alto. Então eu escrevi no maço de cigarros: 'Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor'. Passei para o Nelson a primeira parte e ele completou de um modo muito bonito".

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua

É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor


A música foi gravada em 1957 por Raul Moreno no disco Todamérica, mas não fez muito sucesso. O reconhecimento veio na voz de Elizeth Cardoso, quando em 1965, foi gravada no LP "Elizeth sobe o morro".

A parceria entre Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito durou 40 anos, até a morte de Nelson em 18 de fevereiro de 1986. Teoricamente havia um pacto de fidelidade, em que um apenas poderia compor com o outro, mas Nelson freqüentemente se esquecia disso: "O Nelson disse que eu só poderia compor com ele e vice-versa, mas só eu fui fiel. Ele gostava de umas biritas a mais e acabava se esquecendo do pacto, vendia samba pra pagar a conta do bar..."

Depois da morte de Nelson, Guilherme compôs com outros grandes nomes do samba como Monarco, Alcyr Pires Vermelho, Nelson Sargento. Mas Bandeira gostou mesmo é da obra-prima daquela parceria conturbada.

Vale a pena escutar, pelo menos, duas versões do samba, já gravado por muitos outros artistas como Beth Carvalho, Paulo Moska e Luciana Souza. Na primeira, Guilherme de Brito canta (após a recusa de Nelson Cavaquinho) "A Flor e o Espinho" e o belo samba "Quando eu me chamar saudade". A música está no álbum "Os quatro Grandes do Samba".

Uma segunda versão, com Guilherme de Brito cantando e acompanhado do Trio Madeira Brasil também vale a pena ser conhecida. O Álbum leva o nome da música.

A Flor e o Espinho/Quando eu me Chamar Saudade

A Flor e o Espinho

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